A hegemonia da Samsung no mercado de smartphones foi oficialmente quebrada em 2025. Pela primeira vez em mais de uma década, a Apple assumiu a liderança global em participação de mercado, consolidando um movimento que vinha sendo observado desde o pós-pandemia. O crescimento consistente do iPhone, aliado a estratégias agressivas em mercados antes considerados secundários, reposicionou a empresa de Cupertino no topo do mercado global de smartphones 2025, enquanto a Samsung, mesmo crescendo, ficou logo atrás. Essa virada não é apenas simbólica, ela redefine prioridades, estratégias e expectativas para 2026.
O cenário de 2025 mostra um setor mais maduro, competitivo e dependente de diferenciais como financiamento, conectividade e inteligência artificial. Entender como a Apple chegou à liderança e por que a Samsung continua extremamente relevante é essencial para projetar o próximo capítulo dessa disputa histórica.
Os números da virada: Apple no topo em 2025
Os dados mais recentes da Counterpoint Research apontam a Apple com 20% de market share global, superando a Samsung, que fechou o ano com 19%. A diferença parece pequena, mas representa dezenas de milhões de aparelhos e, principalmente, uma mudança estrutural na liderança da Apple no setor mobile. Trata-se do primeiro ano completo em que a Apple termina à frente no volume anual de vendas globais, não apenas em trimestres isolados.
O principal motor desse crescimento foi a combinação entre a nova geração iPhone 17 e o fôlego prolongado da série iPhone 16, que manteve vendas fortes mesmo após o lançamento de sucessores. Ao contrário de anos anteriores, a Apple conseguiu evitar quedas bruscas no ciclo de renovação, sustentando demanda ao longo de todo o ano.
Outro ponto decisivo foi a expansão fora dos mercados tradicionais. A Apple deixou de depender quase exclusivamente de Estados Unidos e Europa Ocidental e passou a registrar crescimento expressivo em regiões como Índia, Sudeste Asiático e partes da América Latina. Essa mudança alterou profundamente a dinâmica do market share mobile, aproximando a empresa de públicos historicamente dominados por fabricantes Android.

O papel dos mercados emergentes
Os mercados emergentes foram o grande diferencial da Apple em 2025. O avanço do 5G, agora mais acessível, e a ampliação de programas de financiamento local reduziram a principal barreira de entrada do iPhone, o preço inicial elevado. Em países como Índia e Indonésia, o parcelamento sem juros e acordos com operadoras tornaram modelos como o iPhone 16 financeiramente viáveis para uma nova camada de consumidores.
Além disso, a Apple intensificou a produção local em algumas dessas regiões, reduzindo impostos e custos logísticos. Esse movimento permitiu preços mais competitivos sem comprometer margens, algo que parecia improvável há poucos anos. O resultado foi uma presença mais forte em volumes, não apenas em receita, fator crucial para alcançar a liderança no mercado global de smartphones 2025.
O 5G também desempenhou papel central. Com redes mais estáveis e abrangentes, consumidores passaram a valorizar mais longevidade de software e desempenho sustentado, áreas onde a Apple tradicionalmente se destaca. Isso criou um ciclo virtuoso de adoção, especialmente entre usuários migrando de aparelhos Android intermediários.
A resistência da Samsung e o peso da linha Galaxy A
Apesar de perder a liderança global, a Samsung está longe de um cenário negativo. Em 2025, a empresa registrou crescimento anual de 5% nas vendas totais, impulsionada principalmente pela linha Galaxy A. Os modelos intermediários continuam sendo o pilar das vendas de celulares Samsung, garantindo volume massivo em mercados sensíveis a preço.
A estratégia da Samsung se mostrou mais equilibrada do que a leitura superficial dos números sugere. Enquanto a Apple cresceu em participação, a Samsung manteve uma base extremamente diversificada, atendendo desde o segmento de entrada até o premium avançado. Essa capilaridade assegura resiliência mesmo em ciclos econômicos instáveis.
No segmento de inovação, os dobráveis ganharam novo protagonismo. O Galaxy Z Fold 7 reforçou a posição da marca como referência em formatos alternativos, especialmente em mercados asiáticos e entre usuários corporativos. Embora os dobráveis ainda representem uma fatia pequena do volume total, eles exercem forte influência na percepção de marca e ajudam a sustentar margens mais altas.
A Samsung também se beneficia de uma presença industrial global robusta, com controle sobre componentes estratégicos como telas e memórias. Essa verticalização oferece vantagens importantes, especialmente em um cenário de incerteza para 2026.
O que esperar para 2026: crise de componentes e IA
O ano de 2026 se desenha como um período mais desafiador para todo o setor. A expectativa de aumento nos custos de componentes, especialmente memórias avançadas e chips dedicados à inteligência artificial, pode pressionar preços e margens. Tanto Apple quanto Samsung dependem cada vez mais de hardware especializado para sustentar recursos de IA generativa nativa, um novo campo de disputa no mercado mobile.
A Apple aposta em integração profunda entre hardware, software e serviços para diferenciar sua IA no dispositivo, reduzindo dependência da nuvem e reforçando a privacidade. Já a Samsung segue uma abordagem mais aberta, combinando soluções próprias com parcerias estratégicas, o que pode acelerar a adoção, mas também gerar fragmentação.
Outro ponto crítico será a capacidade de manter crescimento em mercados emergentes sem sacrificar rentabilidade. Programas de financiamento, subsídios e produção local tendem a se intensificar, elevando a complexidade operacional. Nesse contexto, o equilíbrio entre volume e lucro será decisivo para sustentar a liderança conquistada em 2025.
O avanço do 5G para 5G Advanced e os primeiros passos rumo ao 6G também entram no radar, exigindo novos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Quem conseguir alinhar conectividade, IA e eficiência energética terá vantagem competitiva clara.
Conclusão: impacto e a disputa que continua
A liderança da Apple em 2025 marca um ponto de inflexão no setor, mas não representa um domínio incontestável. A Samsung segue extremamente forte, com crescimento sólido, amplo portfólio e influência tecnológica significativa. O mercado global de smartphones 2025 mostra que a disputa deixou de ser apenas sobre quem vende mais, passando a envolver ecossistemas, serviços, IA e presença regional.
Para 2026, a pergunta central não é apenas quem liderará em market share, mas quem conseguirá se adaptar melhor a um mercado mais caro, mais inteligente e mais exigente. A virada aconteceu, mas o jogo está longe de acabar, e a próxima rodada promete ser ainda mais intensa.