O encerramento da CES 2026 deixou uma sensação incômoda no ar para quem acompanha o mercado de hardware. Em meio a anúncios de notebooks mais finos, GPUs mais poderosas e promessas de eficiência, uma notícia se destacou como a grande “bomba” do evento, a confirmação de que a crise de memória RAM não apenas é real, como tende a se prolongar por boa parte da próxima década. Fabricantes e analistas convergiram em um ponto, a escassez de DRAM já está pressionando preços e deve afetar diretamente consumidores até, pelo menos, 2031. O reflexo mais imediato é visto em notebooks premium, como linhas similares ao Dell XPS, que já chegam ao mercado com valores mais altos mesmo sem grandes saltos de desempenho.
Para o usuário comum, a percepção é simples, trocar de notebook ou montar um PC em 2026 está mais caro, e não se trata apenas de inflação ou câmbio. O problema está no coração do hardware moderno, a memória. A crescente demanda por Inteligência Artificial está mudando a lógica de produção global e canibalizando recursos que antes abasteciam o mercado tradicional de PCs, servidores e consoles.
Por que a memória RAM está ficando tão cara?
A atual crise de memória RAM tem origem em uma mudança estrutural na indústria de semicondutores. Grandes fabricantes como Samsung, SK Hynix e Micron estão redirecionando linhas inteiras de produção para atender a demanda explosiva de IA generativa, data centers e supercomputadores. Esses sistemas não dependem apenas de DRAM convencional, mas principalmente de HBM (High Bandwidth Memory), um tipo de memória avançada, empilhada e extremamente lucrativa.
O problema é que produzir HBM consome capacidade fabril que antes era dedicada à DRAM DDR5, usada em notebooks, desktops, consoles e servidores corporativos. Na prática, menos wafers disponíveis para DRAM significam menor oferta global. Com a demanda estável ou crescente no mercado de consumo, o resultado é previsível, preço da memória DRAM em alta.
Outro fator crítico é o risco financeiro. Fabricantes aprenderam com o excesso de produção do passado, que levou a quedas abruptas de preço. Agora, preferem manter a oferta controlada, priorizando contratos de longo prazo com empresas de IA, que pagam mais e garantem margens superiores. Para o consumidor final, isso se traduz em menos opções e kits de memória mais caros, mesmo em configurações intermediárias.

O efeito dominó nos eletrônicos de consumo
A escassez de semicondutores, especificamente de memória, gera um efeito dominó em toda a cadeia. Notebooks ficam mais caros não apenas pelo custo do chip de RAM, mas porque fabricantes precisam rever margens, estoques e posicionamento de mercado. Em muitos casos, vemos modelos com 16 GB de RAM custando o que antes se pagava por 32 GB.
Para gamers e usuários de Linux, o impacto é ainda mais sensível. Jogos modernos, máquinas virtuais e workloads de desenvolvimento dependem cada vez mais de memória abundante. O resultado é um cenário em que upgrades simples se tornam decisões estratégicas, adiadas ou até abandonadas. Consoles de próxima geração e portáteis gamers também sentem a pressão, já que compartilham a mesma cadeia de fornecimento.
O que esperar do mercado de hardware até 2031
As projeções apresentadas na CES 2026 indicam que a maior parte da produção de memória para 2026 e 2027 já está previamente alocada, principalmente para data centers de IA, provedores de nuvem e projetos governamentais. Isso reduz drasticamente a flexibilidade do mercado de consumo.
Entre 2027 e 2029, analistas esperam períodos de leve alívio, com pequenas expansões fabris, mas sem retorno aos preços pré-crise. A crise de memória RAM tende a se tornar o “novo normal”, com flutuações pontuais, mas sempre em um patamar elevado. Até 2031, a expectativa é que novas tecnologias, como CXL e arquiteturas híbridas de memória, ajudem a reduzir a pressão, embora não eliminem completamente o problema.
Para quem planeja comprar hardware em 2026 ou 2027, o conselho é realista, não espere quedas significativas de preço no curto prazo. Promoções existirão, mas não na mesma escala do passado. Planejamento e timing passam a ser tão importantes quanto escolher CPU ou GPU.
Nem tudo são sombras: As novidades em telas OLED e G-Sync
Apesar do cenário preocupante para memória, a CES 2026 também trouxe avanços que merecem destaque. Monitores e notebooks com telas OLED mais eficientes, menos propensas a burn-in e com maior brilho se tornaram mais acessíveis. Tecnologias como G-Sync e FreeSync Premium evoluíram para consumir menos energia, beneficiando tanto gamers quanto usuários profissionais.
Esses avanços mostram que, mesmo em meio à escassez de semicondutores, a indústria continua inovando em áreas estratégicas. Para muitos consumidores, investir em uma tela melhor pode trazer ganhos perceptíveis de experiência, mesmo quando o upgrade de memória precisa ser adiado.
Conclusão e o futuro do seu upgrade
A crise de memória RAM revelada na CES 2026 não é um evento passageiro, mas um reflexo direto da prioridade global dada à Inteligência Artificial. Até 2031, o mercado de hardware deve conviver com preços mais altos, escolhas mais difíceis e uma nova lógica de consumo. Para quem precisa de um upgrade agora, a recomendação é clara, compre o necessário, evite exageros e pense no longo prazo. Para quem pode esperar, acompanhar ciclos de lançamento e promoções pontuais será essencial.
No fim, o consumidor informado sofre menos impacto. Entender por que o preço da memória DRAM está subindo ajuda a tomar decisões mais conscientes em um cenário cada vez mais complexo. E você, já sentiu o aumento de preços ao pesquisar um notebook ou kit de memória recentemente?