O ambiente gráfico Enlightenment 0.28.0 e as bibliotecas EFL 1.29 foram lançados oficialmente, trazendo modernizações estruturais para o ecossistema. A nova versão resolve antigas lacunas de conectividade e multimídia com a introdução de um módulo completo para NetworkManager e suporte nativo ao PipeWire, alinhando o projeto aos padrões atuais das distribuições Linux e diversificando a compatibilidade com a adoção inicial do sistema NetBSD.
Conectividade centralizada no NetworkManager
Historicamente, o Enlightenment mantinha forte dependência do ConnMan para a gestão de redes. A versão 0.28 altera esse cenário com a inclusão de um módulo dedicado ao NetworkManager. A implementação traz suporte nativo para conexões Wi-Fi, Ethernet, Bluetooth e VPNs diretamente da interface, sem depender de miniaplicativos de terceiros.
A arquitetura do novo módulo inclui detecção automática de serviços, indicadores de tráfego, detalhes de segurança de conexão e tratamento de portais cativos (redes que exigem login via navegador). A interface foi modernizada para gerenciar conexões salvas e lidar diretamente com autenticações de VPN, memorizando credenciais e entradas de formulário.
PipeWire assume o controle do áudio

No subsistema multimídia, o Enlightenment 0.28 introduz suporte nativo ao mixer PipeWire, operando lado a lado com a infraestrutura PulseAudio. A novidade reflete a transição do ecossistema Linux para o PipeWire como servidor de áudio e vídeo padrão.
O novo controle permite selecionar saídas de áudio e alternar entre dispositivos (sinks) por meio de ações programáveis da interface ou atalhos de teclado. A implementação inclui tratamento aprimorado de erros para situações onde o hardware perde temporariamente as saídas físicas de som. Na fundação do sistema, a biblioteca EFL 1.29 também recebeu um backend próprio e portátil para comunicação direta com o PipeWire.
EFL 1.29: renderização vetorial e otimizações
O lançamento do Enlightenment 0.28 exige a versão 1.29 das Enlightenment Foundation Libraries (EFL), que recebeu otimizações gráficas profundas. A principal alteração técnica é um novo renderizador vetorial baseado em OpenGL. Esse motor otimiza a interface do usuário reduzindo a transferência de dados para a GPU (uploads), compartilhando mapas de gradientes e agrupando comandos de desenho. Na prática, a interface agora consegue processar preenchimentos e contornos na mesma passagem de renderização.
Para hardwares mais antigos ou sem suporte adequado, o sistema testa ativamente as capacidades do OpenGL e a precisão dos shaders. Quando a aceleração por hardware não está disponível, a biblioteca aciona processamento via CPU, que também ficou mais rápido. O EFL 1.29 agora detecta e utiliza instruções AVX2 em processadores compatíveis para acelerar rotinas de mesclagem e filtros de desfoque gaussiano.
Gerenciamento de energia e segurança de processos
O controle de hardware recebeu ajustes focados em proteção e longevidade. O gerenciador agora respeita limites manuais de recarga de bateria, guardando a configuração máxima desejada para cada componente físico reconhecido. Também foi corrigido o cálculo de saúde das células, limitando a exibição ao teto lógico de 100%.
O controle térmico e de frequência foi expandido com a adoção de perfis ACPI da CPU fornecidos diretamente pelo kernel Linux, acompanhados de uma sincronização automática que ajusta configurações de energia de GPUs AMD de acordo com os níveis do processador.
No campo da segurança, o Enlightenment 0.28 elimina a necessidade de executar o compositor gráfico com capacidades estendidas. O ajuste de prioridades de execução de aplicativos agora é feito por meio de um utilitário auxiliar do sistema, dispensando a permissão elevada (CAP_SYS_NICE) no processo principal e reduzindo a superfície de risco.
Avanços no Wayland e suporte multiplataforma
Em ambientes sob Wayland, as bibliotecas EFL evoluíram a gestão de memória de vídeo, alocando buffers DMA através do Generic Buffer Manager (GBM). Isso permite a negociação de modificadores gráficos e o mapeamento direto de recursos visuais, validando nativamente drivers DRM e formatos suportados antes da inicialização do display.
A atualização também expande a portabilidade do código, adicionando suporte inicial ao NetBSD tanto no compositor quanto nas bibliotecas básicas, assegurando que comandos de suspensão de energia e leitura nativa de diretórios funcionem corretamente sob o sistema BSD.