A Samsung pode voltar a apostar na tecnologia de câmera sob a tela no Galaxy Z Fold 9, previsto para 2027. O possível retorno da solução Under-Display Camera (UDC) representa uma mudança de estratégia para a fabricante sul-coreana, que abandonou esse recurso na geração mais recente de seus smartphones dobráveis em favor de uma câmera frontal convencional.
O rumor ganha força em um momento de maior concorrência no segmento de dobráveis. Com a chegada do iPhone Duo, a Apple também passou a apostar em uma câmera frontal escondida sob a tela interna, recuperando uma proposta que a própria Samsung ajudou a popularizar comercialmente.
A possível decisão levanta uma questão importante: será que os avanços tecnológicos finalmente permitem oferecer uma tela sem recortes sem comprometer tanto a qualidade das fotografias e videochamadas? Para a Samsung, recuperar essa tecnologia pode ser uma oportunidade de diferenciar seu próximo dobrável, mas também significa enfrentar limitações que motivaram seu abandono anteriormente.
Galaxy Z Fold 9 pode voltar a ter câmera sob a tela
O rumor surgiu a partir de informações compartilhadas pelo informante Kro, na rede social X. Segundo a publicação, a Samsung estaria considerando recuperar a câmera sob a tela interna no Galaxy Z Fold 9, acompanhando outras mudanças previstas para o desenvolvimento do aparelho.
A informação também relaciona essa possível decisão à concorrência com o iPhone Duo, indicando que a fabricante pode estar reconsiderando sua abordagem para oferecer uma experiência visual mais imersiva.
Entretanto, é importante separar especulação de informação confirmada. A Samsung ainda não anunciou o Galaxy Z Fold 9 nem confirmou o retorno da tecnologia UDC. A alegação tem origem em uma fonte não oficial e não deve ser interpretada como uma especificação definitiva.
Mesmo assim, o rumor merece atenção porque envolve uma tecnologia que já fez parte da estratégia da Samsung para seus smartphones dobráveis. A empresa possui experiência prática com câmeras posicionadas atrás do display e pode aproveitar esse conhecimento para desenvolver uma implementação aprimorada.

Por que a Samsung abandonou a câmera sob a tela
A Samsung introduziu sua primeira câmera sob a tela no Galaxy Z Fold 3, lançado em 2021. A novidade permitiu eliminar o recorte tradicional da câmera frontal no painel interno, oferecendo uma área maior para assistir a vídeos, jogar e utilizar aplicativos.
A tecnologia continuou presente no Galaxy Z Fold 4, Galaxy Z Fold 5 e Galaxy Z Fold 6, embora a qualidade das imagens permanecesse como um dos principais pontos de discussão.
O problema estava na própria construção da tecnologia. Como o sensor fica atrás do painel, a luz precisa atravessar uma região especial da tela antes de alcançar a câmera. Essa passagem reduz a quantidade de iluminação disponível e pode interferir na qualidade da captura.
Entre as consequências estão perda de nitidez, menor definição de detalhes, alterações nas cores e desempenho inferior em ambientes pouco iluminados. O processamento computacional consegue compensar parte dessas limitações, mas não elimina completamente os problemas ópticos.
Com o Galaxy Z Fold 7, a Samsung decidiu abandonar a solução. O aparelho passou a utilizar uma câmera frontal convencional de 10 megapixels, instalada em um pequeno recorte na tela interna.
A mudança representou uma escolha clara: priorizar imagens mais consistentes em vez de oferecer uma tela completamente livre de interrupções.
Essa decisão também mostrou que a tecnologia UDC ainda precisava evoluir para atender às expectativas de consumidores que utilizam seus smartphones dobráveis para reuniões, videochamadas e outras atividades que dependem da câmera frontal.
A estratégia da Apple com o iPhone Duo aumenta a pressão
A entrada da Apple no mercado de dobráveis adicionou um novo elemento à disputa. O iPhone Duo adotou uma câmera FaceTime escondida sob a tela interna, permitindo que o painel permaneça sem o tradicional recorte circular.
A solução acompanha recursos como Center Stage, que mantém o usuário enquadrado durante chamadas de vídeo, além de recursos de estabilização e gravação em até 1080p a 60 quadros por segundo.
A escolha demonstra que a Apple considera a câmera sob a tela uma alternativa viável para preservar a continuidade visual de um smartphone dobrável.
Para a Samsung, essa decisão pode representar um incentivo para recuperar sua própria tecnologia. Afinal, seria interessante voltar a oferecer uma tela interna sem recortes justamente quando sua principal concorrente passa a explorar essa característica.
Existe, porém, uma diferença importante entre as estratégias. A Samsung já experimentou a tecnologia durante quatro gerações de dobráveis e decidiu abandoná-la. A Apple chega a esse mercado com uma implementação própria, cujos resultados precisam ser avaliados considerando as condições reais de utilização.
Portanto, a adoção da UDC pela Apple não significa necessariamente que sua solução seja tecnicamente superior. Ela apenas reforça que os fabricantes continuam interessados em eliminar elementos visíveis das telas internas.
Câmera invisível ou melhor qualidade de imagem?
O funcionamento de uma Under-Display Camera depende de uma combinação complexa entre sensor fotográfico, lente, processamento de imagem e construção do display.
Diferentemente de uma câmera convencional, o sensor precisa receber luz através das camadas da tela. Para permitir isso, a região localizada sobre a câmera utiliza uma organização específica dos pixels, aumentando a passagem luminosa.
Essa solução, entretanto, cria desafios técnicos.
- Transparência do display: a região da câmera precisa permitir a passagem de luz sem produzir diferenças visuais muito perceptíveis na tela.
- Captação de luz: parte da iluminação é bloqueada ou dispersada pelo painel, prejudicando fotografias em ambientes escuros.
- Nitidez: a interferência das estruturas de pixels pode reduzir a definição e provocar perda de detalhes.
- Reprodução de cores: alterações na passagem da luz podem comprometer a fidelidade das cores e o contraste.
- Processamento computacional: algoritmos precisam corrigir distorções, reduzir ruídos e recuperar detalhes sem criar artefatos artificiais.
[Learn Display] 84. UPC (Under Panel Camera, UDC)
Essas limitações também merecem atenção nas videochamadas. A câmera interna de um dobrável costuma ser utilizada em reuniões profissionais, conversas por vídeo e situações nas quais o aparelho permanece aberto sobre uma mesa.
Nesses momentos, uma imagem com baixa definição pode prejudicar a experiência, mesmo que a tela ofereça uma aparência mais sofisticada.
Por outro lado, a câmera interna não precisa substituir todos os sensores fotográficos do aparelho. Para selfies de melhor qualidade, o usuário pode recorrer à câmera externa ou utilizar o conjunto traseiro com o smartphone aberto.
Isso permite que a Samsung considere a UDC principalmente como uma solução para melhorar a experiência visual do painel interno, desde que a qualidade das chamadas permaneça satisfatória.
A questão é encontrar um equilíbrio. Eliminar um pequeno recorte da tela não deveria significar aceitar uma câmera significativamente inferior.
O que esperar do Galaxy Z Fold 9?
Se o rumor estiver correto, a Samsung terá a oportunidade de recuperar a câmera sob a tela utilizando os avanços acumulados desde o Galaxy Z Fold 3.
Uma nova implementação precisaria apresentar melhorias perceptíveis na transmissão de luz, na nitidez e na reprodução de cores. O processamento computacional também teria papel importante para compensar as interferências provocadas pelas camadas do display.
Outro ponto relevante seria a integração da câmera com o painel flexível. A região posicionada sobre o sensor precisa permanecer discreta durante o uso normal, sem criar diferenças visuais que comprometam a experiência.
Entretanto, não basta recuperar uma tecnologia antiga para tornar o Galaxy Z Fold 9 mais competitivo. A Samsung precisaria demonstrar que conseguiu resolver parte dos problemas que motivaram a adoção de uma câmera convencional no Galaxy Z Fold 7.
Até o momento, não existem especificações confirmadas sobre a câmera frontal do próximo dobrável. Também não há informações oficiais sobre sensores, resolução ou eventuais melhorias na tecnologia UDC.
Por isso, qualquer avaliação sobre o resultado final ainda depende de novos vazamentos e, principalmente, da apresentação oficial do dispositivo.
Conclusão: uma tela sem recortes precisa oferecer qualidade
O possível retorno da câmera sob a tela no Galaxy Z Fold 9 mostra como a concorrência pode influenciar as decisões tecnológicas das fabricantes.
A Samsung já possui experiência com essa solução, mas também conhece suas limitações. O desafio será oferecer uma câmera invisível sem repetir os problemas de qualidade de imagem encontrados nas primeiras gerações.
A chegada do iPhone Duo pode aumentar o interesse comercial por telas internas completamente livres de recortes. Entretanto, a aparência não deve ser o único critério para avaliar a evolução dos smartphones dobráveis.
No fim, a melhor solução será aquela que conseguir combinar imersão visual, boa qualidade fotográfica e videochamadas satisfatórias.