Mercado de smartwatches cai em 2026: Huawei e Apple lideram

Mercado de smartwatches cai em 2026: Huawei e Apple lideram

O mercado de smartwatches entrou em uma fase de maturidade que começa a aparecer nos números. Mesmo com relógios inteligentes cada vez mais presentes no cotidiano, as remessas globais caíram 4% no segundo trimestre de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior. Segundo a Counterpoint Research, trata-se da primeira queda anual registrada pelo setor depois de um período de crescimento.

O movimento revela um problema que vai além de uma simples desaceleração nas vendas de smartwatches. Os consumidores estão demorando mais para substituir seus dispositivos, enquanto os modelos básicos encontram dificuldades para oferecer novidades capazes de justificar uma troca. Ao mesmo tempo, a faixa premium enfrenta usuários que preferem esperar por avanços mais significativos em saúde, inteligência artificial e sensores.

Nesse cenário, Huawei e Apple protagonizam uma disputa particularmente interessante. A fabricante chinesa assumiu a liderança global em remessas, alcançando uma participação recorde de aproximadamente 22%, enquanto a Apple cresceu em ritmo mais acelerado entre as cinco maiores marcas.

Por que o mercado de smartwatches desacelerou

A queda de 4% não significa que os relógios inteligentes deixaram de interessar aos consumidores. O problema parece estar principalmente na necessidade percebida de substituição.

Depois de anos de evolução rápida, muitos aparelhos atuais já entregam notificações, monitoramento de atividades físicas, GPS, acompanhamento do sono e diversos sensores de saúde. Para quem possui um smartwatch relativamente recente, a geração seguinte pode não representar uma mudança suficientemente grande.

A Counterpoint Research aponta justamente para ciclos de substituição mais longos e para a fraqueza dos modelos básicos como fatores importantes para o resultado do segundo trimestre.

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A falta de motivos para trocar de relógio

Na entrada do mercado, o problema é ainda mais evidente. Muitos smartwatches básicos continuam oferecendo conjuntos de recursos bastante semelhantes entre diferentes gerações.

Uma tela um pouco melhor, uma bateria ligeiramente mais eficiente ou pequenas melhorias de desempenho podem ser suficientes para quem está comprando seu primeiro relógio inteligente, mas nem sempre justificam a substituição de um aparelho que já funciona adequadamente.

Isso cria um efeito conhecido em outras categorias maduras de eletrônicos: o consumidor pode continuar comprando, mas passa a esperar mais tempo entre uma aquisição e outra.

Nos modelos premium, a situação é diferente, porém o resultado é parecido. Usuários que já investiram em relógios mais completos também estão mantendo seus dispositivos por mais tempo, especialmente quando não existe uma inovação capaz de mudar significativamente a experiência.

O dilema da maturidade do ecossistema de wearables

O setor de wearables chegou a um ponto em que aumentar a quantidade de recursos não é necessariamente suficiente. O desafio agora é desenvolver funções que tenham utilidade clara no cotidiano.

Essa maturidade também ajuda a explicar por que o mercado pode registrar uma queda mesmo com a presença de mais marcas, modelos e categorias de preço.

Em outras palavras, existe uma diferença entre ter mais opções de smartwatches e convencer alguém que já possui um deles a comprar outro.

A China, por exemplo, ganhou ainda mais peso durante o trimestre. O país respondeu por cerca de 38% das remessas globais de smartwatches, atingindo participação recorde e crescendo 7% na comparação anual. O desempenho de marcas locais, incluindo Huawei e Imoo, contribuiu para esse resultado.

A disputa de gigantes: Huawei lidera e Apple recupera fôlego

Enquanto o mercado global encolheu, a Huawei conseguiu ampliar sua participação. A empresa alcançou aproximadamente 21,8% do mercado mundial, sua maior participação trimestral registrada, enquanto a Apple ficou próxima, com cerca de 20,1%.

A liderança, entretanto, precisa ser analisada dentro do contexto regional. Aproximadamente 80% das remessas globais de smartwatches da Huawei no trimestre vieram da China, mostrando o peso extraordinário do mercado doméstico para a estratégia da companhia.

A fabricante conseguiu crescer cerca de 1% em remessas no período. Em um mercado global que caiu 4%, esse desempenho foi suficiente para colocar a Huawei no primeiro lugar. A força das marcas chinesas também foi beneficiada pela demanda doméstica e pelo programa de subsídios para eletrônicos de consumo no país.

Do outro lado, a Apple apresentou uma dinâmica diferente. As remessas da empresa cresceram 14% em relação ao segundo trimestre de 2025, o maior crescimento entre as cinco principais fabricantes acompanhadas no período. A expansão ocorreu em todas as regiões monitoradas pela Counterpoint.

Os Apple Watch Series 11 e Watch SE 3 tiveram papel importante nesse desempenho. Juntos, os dois modelos representaram mais de 80% das remessas de Apple Watch da empresa durante o trimestre, indicando que tanto a linha principal quanto uma opção mais acessível contribuíram para a recuperação.

A estratégia da Apple também mostra como os fabricantes podem estimular a demanda em um mercado maduro: em vez de depender exclusivamente de grandes mudanças externas, recursos relacionados a saúde, bateria, conectividade e acompanhamento do sono passam a ser usados como argumentos para a atualização.

O resultado é uma disputa curiosa. A Huawei lidera em participação de remessas, impulsionada principalmente pela China, enquanto a Apple apresenta um ritmo de crescimento mais forte e uma distribuição geográfica mais ampla.

O futuro do mercado de smartwatches depende de novas funções

A queda do segundo trimestre também levanta uma questão importante: o que fará alguém trocar um smartwatch que ainda funciona bem?

A resposta pode estar na próxima geração de recursos de saúde e inteligência artificial.

A IA embarcada aparece como uma das possibilidades. Em vez de depender constantemente de um smartphone ou de serviços na nuvem, futuros relógios poderão executar determinadas funções diretamente no dispositivo, analisando atividades, sono e outros dados de forma mais contextual.

Outro caminho está no monitoramento de saúde. A evolução da medição contínua da pressão arterial pode transformar o smartwatch em uma ferramenta ainda mais relevante para acompanhamento cotidiano. A tecnologia precisa, naturalmente, lidar com questões de precisão, validação clínica e regulamentação, mas representa uma possível razão concreta para substituir modelos antigos.

O desenvolvimento de monitoramento não invasivo de glicose é ainda mais ambicioso. Embora a tecnologia continue sendo um desafio para a indústria, sua eventual implementação confiável poderia representar uma mudança muito maior do que melhorias incrementais em processadores ou telas.

Esses recursos podem ajudar a criar uma nova geração de upgrades porque atacam justamente o principal problema atual: a falta de uma diferença suficientemente relevante entre o relógio que o consumidor já possui e o próximo modelo.

A Counterpoint Research projeta crescimento de apenas cerca de 1% nas remessas globais em 2026, mas prevê uma expansão média de aproximadamente 3% ao ano até 2030. A expectativa está associada justamente à evolução de tecnologias como IA de borda, monitoramento de pressão arterial e pesquisas para medição não invasiva de glicose.

O momento atual, portanto, parece menos uma crise definitiva dos relógios inteligentes e mais uma transição. O setor de relógios inteligentes precisa encontrar novas razões para que usuários satisfeitos voltem às lojas.

Para os consumidores, isso também pode significar uma consequência positiva: ciclos de troca mais longos podem reduzir a pressão por atualizações anuais e aumentar o tempo de uso dos dispositivos.

Agora, a pergunta é outra: qual será o recurso capaz de tornar um novo smartwatch realmente indispensável?