Suporte a Intel Diamond Rapids e “vPMU” avançado chegam ao Linux 7.0

Suporte a Intel Diamond Rapids e “vPMU” avançado chegam ao Linux 7.0

Ingo Molnar, o responsável pela arquitetura x86 e subsistema de performance do kernel, enviou um pull request massivo para Linus Torvalds visando a janela de desenvolvimento do Linux Kernel 7.0. A atualização prepara o terreno para a próxima geração de processadores de servidor da Intel (Diamond Rapids) e revoluciona como máquinas virtuais acessam dados de performance.

O pacote inclui suporte inicial para arquiteturas futuras como Intel Nova Lake e Wildcat Lake, além de uma reformulação significativa na forma como o kernel descobre e monitora componentes de hardware em chips complexos que misturam blocos de computação e I/O (Input/Output).

O que isso significa na prática:

Imagine que o processador do seu servidor é um carro de Fórmula 1. A PMU (Performance Monitoring Unit) é a telemetria que diz aos engenheiros (desenvolvedores) onde o carro está perdendo tempo (memória lenta, cache cheio, etc.).

  • Para o Hardware Novo: O Linux 7.0 aprendeu a ler o painel dos novos motores “híbridos” da Intel (Diamond Rapids), que têm peças espalhadas de forma diferente dentro do chip.
  • Para a Nuvem (vPMU): Antes, era difícil ou perigoso deixar uma Máquina Virtual (VM) olhar para essa telemetria. Com o “Mediated vPMU”, o Linux agora funciona como um gerente que empresta o painel de telemetria para a VM de forma segura. Isso permite que clientes de nuvem otimizem seus sistemas sem travar o servidor físico.

Detalhes da implementação

As mudanças no perf/core e drivers x86 são extensas, refletindo a complexidade crescente do silício moderno.

1. Intel Diamond Rapids (DMR) e a complexidade uncore

A grande estrela técnica é o suporte ao Diamond Rapids. Diferente de gerações anteriores, o DMR separa fisicamente os dados de performance:

  • Compute Tiles (CBB): Onde o processamento ocorre. A descoberta dos contadores é feita via MSR (Model Specific Registers).
  • I/O & Memory Hub (IMH): Onde os dados trafegam. A descoberta agora é feita via PCI, uma mudança de paradigma em relação a chips anteriores que usavam MSR para tudo.
  • OMR (Off-Module Response): Substitui o antigo mecanismo OCR. É uma nova forma de rastrear eventos que acontecem fora do núcleo da CPU (como tráfego de memória), exigindo novos drivers no kernel.

2. Virtualização: vPMU mediado

Desenvolvido em conjunto por Kan Liang e Sean Christopherson (Google), o suporte a Mediated vPMUs para KVM é um divisor de águas.

  • A Mudança: O kernel agora possui APIs para criar e liberar vPMUs “mediados”. Isso permite que o host intercepte e gerencie o uso dos contadores de performance pelo guest, garantindo isolamento e segurança, algo crítico para ambientes de nuvem pública.

3. Micro-otimizações e correções

  • Kexec mais rápido: Jan H. Schönherr enviou um patch que evita chamadas desnecessárias entre CPUs (cross-CPU calls) durante o desligamento via kexec, acelerando o reboot de servidores.
  • Uprobes Modernos: Keke Ming liderou a transição de kmap_atomic para kmap_local_page em várias arquiteturas (RISC-V, ARM64, MIPS), modernizando o gerenciamento de memória em sondas de usuário.
  • Breno Leitao (Brasil): O desenvolvedor corrigiu uma condição de lockdep (detector de deadlocks) incorreta na função filter_chain(), melhorando a confiabilidade das ferramentas de debug.

Quando isso chega no meu PC?

Este código foi submetido para a versão Linux Kernel 7.0.

  • Status: Pull Request enviado em 09 de Fevereiro de 2026.
  • Previsão de Lançamento: A versão final (estável) do Linux 7.0 deve chegar por volta de Abril de 2026.
  • Hardware Afetado: Imediatamente útil para quem tem acesso a amostras de engenharia Intel Diamond Rapids, Panther Lake e Nova Lake. Para usuários comuns, as melhorias de KVM (vPMU) beneficiarão administradores de virtualização assim que atualizarem o kernel do host.