O iPhone Duo mal chegou às lojas e já enfrenta o primeiro problema estrutural documentado. Menos de uma semana após o início das vendas em 23 de outubro de 2026, compradores relatam que a tela interna dobrável está rachando ao meio. O dano costuma aparecer logo nos primeiros dias de uso. O usuário percebe uma resistência incomum na dobradiça, escuta um estalo e, em seguida, uma listra de LEDs queimados surge na área central do display.
A Apple confirmou o problema ao jornalista Mark Gurman, da Bloomberg, afirmando que a falha afeta um pequeno número de unidades e orientando os clientes a procurarem o AppleCare. A Forbes também destacou o caso, apontando para o estresse mecânico na dobradiça como uma causa primária plausível para o rompimento do painel, descartando impacto ou mau uso isolado.
A mecânica por trás do estalo
Não se trata de um vidro naturalmente frágil, mas de um provável conflito de hardware. A equipe do iFixit desmontou o iPhone Duo e identificou o ponto de falha estrutural focado na barra central da dobradiça.

O mecanismo deveria recuar o suficiente quando o aparelho é fechado. No entanto, o projeto atual parece não baixar o bastante, criando um ponto de pressão interno sob a tela flexível. Quando o usuário tenta abrir o celular e sente a resistência, a tela é fisicamente forçada contra esse obstáculo mecânico. O resultado é o som de estalo relatado pela comunidade no Reddit, seguido pela ruptura das camadas internas do painel OLED e linhas brilhantes de pixels mortos logo acima do suporte central.
Devoluções e atrito nas lojas americanas
Nos Estados Unidos, os consumidores contam com uma janela de 14 dias para devolver qualquer produto da Apple sem precisar justificar o motivo. Isso protege legalmente os primeiros compradores do iPhone Duo. Mesmo assim, a experiência nas lojas físicas tem gerado frustração.
Relatos espalhados por fóruns na internet indicam que alguns clientes enfrentam resistência no balcão. Usuários descrevem gerentes inflexíveis, atendimento ríspido e poucas opções imediatas de troca, em grande parte pela falta de um protocolo claro e pelo estoque limitado do dispositivo. Embora algumas unidades consigam a substituição do aparelho na hora, a ausência de um programa de reparo consolidado torna o suporte de ponta bastante desigual.
Riscos de importar para o Brasil
Para o brasileiro que planeja trazer o iPhone Duo do exterior, o defeito crônico na tela representa um risco financeiro alto. O aparelho custa a partir de 2.000 dólares. A Apple possui política de garantia internacional válida no Brasil para hardware, mas a interpretação da quebra pela assistência local é o ponto crítico.
Como a fabricante ainda não oficializou um recall ou um programa global de substituição específico para o iPhone Duo, o técnico de uma assistência autorizada nacional pode classificar a tela rachada visualmente como dano acidental. A garantia limitada padrão de um ano da Apple exclui explicitamente danos acidentais. Se o problema for enquadrado dessa forma, o conserto será recusado ou cobrado integralmente.
Além disso, por ser um dispositivo de primeira geração recém-lançado no exterior, o fornecimento local de peças específicas para a dobradiça e a tela flexível provavelmente será nulo nas primeiras semanas. Até que a Apple modifique o projeto da peça ou emita uma diretriz global de garantia assumindo a falha de fabricação, a importação do modelo exige cautela.