007: First Light finalmente chegou ao mundo dos computadores e traz toda a magia do maior agente de todos os tempos para enfrentar seu pior inimigo: a taxa de quadros baixa. Felizmente, a nova aventura de James Bond traz um desempenho confiável aos PCs e consegue entregar ótima qualidade de imagem, até nas configurações mínimas.
O Voxel testou 007: First Light em antecipado e o game mostra que não somente transporta a aura de Bond aos videogames, como também um visual para não botar defeito - ou quase. Esse é um daqueles jogos que encanta pelo charme e atmosfera criada, com uma camada interessante de iluminação via Ray Tracing.
Desenvolvido pela IO Interactive, o mesmo estúdio que retomou o sucesso da franquia Hitman na década passada, 007: First Light é um dos games mais divertidos de 2026. Não somente pelo fato de ser ambientado no universo de James Bond, mas também por trazer uma história totalmente nova e mostrar o agente secreto em seus primeiros atos com o MI6.

Um game dessa magnitude precisava de características a altura e a IO utilizou do motor gráfico Glacier para trazer o projeto à vida. O resultado é um jogo caprichado, apaixonante e visualmente belo, com uma direção artista que honra o legado da saga e confere muito peso para todas as ações.
Embora inicie bem escuro, First Light honra seu nome e traz um conjunto de iluminação que me surpreende. É algo sutil e ao mesmo tempo extremamente belo. Diferente de outras aplicações, que abusam de reflexos molhados e letreiros de LED, o game aposta em um realismo mais cartunesco - que me lembra muito a saga GTA.
Mas o que mais surpreende é como a desenvolvedora conseguiu criar um game tão bonito, independente da qualidade gráfica. Em paralelo ao 007 eu joguei um pouco de Forza Horizon 6 para minha análise técnica e há um diferencial crasso entre os dois AAAs. No baixo, FH6 é engraçado e bem feito, enquanto 007 mantém a beleza com algumas poucas reduções.
Isso pode cobrar um preço indesejado quando o assunto é desempenho. Conforme a qualidade reduz, o jogo continua bonito, mas se mantém pesado e isso é ruim para quem tem PCs mais antigos ou com peças mais modestas. Esse é o caso de 007: First Light? Não necessariamente e eu explicarei em parágrafos seguintes.

É tudo bonito?
Quando eu peguei o 007: First Light e comecei a fazer as capturas de tela para analisar as diferenças gráficas, eu passei a questionar minha capacidade de observação. Fiz inúmeras combinações possíveis e concluí que o “problema” não era eu, e sim o mérito do jogo. Encontrar diferenças entre o Ultra e o Baixo pode ser desafiador.
O game possui quatro presets de configuração gráfica: Ultra, Alto, Médio e Baixo. Embora seja simples, o menu de configurações não aplica todo o present de uma vez. Na verdade, o usuário precisa navegar manualmente em cada opção e selecionar uma dessas quatro possibilidades de qualidade.
Partindo do Ultra, essa configuração apresenta o que há de melhor no game, com destaque para sombras fortes, iluminação avançada e uma incrível qualidade de volumetria. Quando avançamos para o Alto, há bem pouca diferença perceptível e somente com zoom eu identifiquei leves diferenças no sombreado dos personagens.
Do Alto para o Médio ainda é bem difícil perceber diferenças gritantes, mas as sombras já ficam um pouco menos definidas e detalhes como árvores perdem volume, mas nada extremo. Há aspectos da textura que parecem mais lavados, como a granulação em um chão de terra, por exemplo.
Do Médio para o Baixo também não há muita perda de qualidade. Bem, a textura obviamente fica mais chapada, principalmente a de objetivos ou ambientes com maior rugosidade. A luz já fica menos difusa, mas ainda bonita, e os personagens perdem detalhamento no cabelo e roupas.
Em geral, tanto a qualidade baixa quanto média de 007: First Light oferece uma beleza aos jogadores. Eu mesmo joguei um trecho inteiro com tudo no mínimo e embora tenha superfícies menos polidas e sem tanta definição, é um jogo bonito e que não fica com aquele visual péssimo de jogos sem tanto refino.
A IO Interactive soube bem como construir esse game para deixá-lo atrativo. Em ambientes internos e externos há NPCs muito bem povoados, incluindo inimigos, com inteligência razoável. No PC, isso cria um consumo de carga mais pesada para processadores, já que exige um cálculo maior dessas intervenções.

Para as sequências de ação, a IO criou uma tecnologia inédita de efeitos de fumaça e explosões. Esses efeitos de bombas e explosões são muito bem detalhados e vívidos. Já a fumaça expõe bem a tecnologia de volumetria da empresa e confere peso às cenas, mas gerou alguns artefatos inconsistentes - que devem ser corrigidos via patches.

No meu uso e com um setup inferior, eu jogaria esse game com tudo no Alto e até faria uma mescla com o Médio para melhorar a performance, caso necessário. Eu recomendo até mesmo que os jogadores testem esse game com tudo no Baixo, se a máquina não aguentar o tranco.
Iluminação polida
Um ponto que preciso mencionar é a iluminação desse jogo. Sim, há camadas de Ray Tracing, mas a luz do título é muito bonita. Os efeitos de reflexão dessa luz não são necessariamente perfeitos, mas a sensação de preenchimento é bem interessante, principalmente em espaços abertos.

Algo que me cativou foi a forma como a luz consegue interagir bem com roupas e o cabelo dos personagens. Luzes e até mesmo sol criam uma bela aura no cabelo de James Bond e outros coadjuvantes, trazendo uma aura para esses modelos.
Ao dar zoom no rosto do 007, é muito legal ver como essa luz se comporta ao moldar o rosto do protagonista. A IO teve um cuidado especial com as faces e a maneira como a luz bate nas bochechas e destaca os pelos faciais de Bond, por exemplo. É um detalhe simples, mas marcante.

A performance de 007: First Light no PC
Como eu gosto de dizer, nossos testes de performance são apenas um norteador teórico para medir a otimização do game. Nosso setup usa uma GeForce RTX 5080 FE e um Ryzen 7 9850X3D, então é fácil rodar basicamente qualquer jogo sem grandes problemas. Mas como First Light se comporta?
Antes disso, confira o setup usado nos testes:
- Processador: AMD Ryzen 7 9850X3D
- Placa de vídeo: GeForce RTX 5080 FE
- Placa-mãe: B650M AORUS Elite AX
- RAM: 16 GB Kingston Renegade (1x16) 6.400 MT/s
- SSD: XPG S70 Blade 1 TB
- Fonte: GIGABYTE P1000GM 1.000W
- Cooler: TYRX Panorama SE
- Gabinete: Corsair 5000D
É possível dizer que o jogo do James Bond é bem otimizado, porém pesado ao mesmo tempo. Com tudo no máximo, o game luta para manter a estabilidade perto dos 60 FPS e embora esse cenário possa parecer alarmante, eu vi poucas quedas de frames bruscas. Em geral o game se comporta de maneira estável.
De maneira geral, o título é bem equilibrado e sofre pouco de frame drops, exceto em algumas sequências mais longas. Isso pode ocorrer pela falta de VRAM na GPU ou até mesmo pela falta de RAM no sistema, já que o game por vezes fica perto de consumir 15 GB do sistema.
007: First Light tem Ray Tracing?
Ao começar a jogar 007: First Light eu me perguntei se este game teria as inúmeras funcionalidades do Ray Tracing. No menu de configurações, essa opção fica em Reflexos, que conforme o usuário ativa e sobe a especificação, ativa a tecnologia. Infelizmente não há nenhum botão dedicado ao traçamento de raios.
Como já expliquei há alguns parágrafos, o game tem uma excelente qualidade de iluminação. Assumindo que tudo no Ultra habilita o Ray Tracing e tudo que o game tem a oferecer, eu fiz os testes para conferir o impacto. Obviamente, por estar em 4K, recorri ao uso do DLSS 4.5 presente no game - que também tem o gerador de quadros de até 6x.
Com o DLSS 4.5 em modo Qualidade o game já dá um salto bem expressivo de performance. A situação melhora drasticamente com o Multi Frame Generator da Nvidia em 2x e 3x, que alavancam mais de 60 quadros adicionais ao título. A partir disso, a taxa de quadros melhora bastante, mas já não se faz tão necessária.
007: First Light é um game com muito foco narrativo, então jogar cravado a 60 FPS será o ideal para a maioria. Com relação ao Multi Frame Generator de 5x e 6x, que é a novidade recente da Nvidia, o resultado é bom. O jogo fica bem fluido, mas consigo sentir um borrão ao mexer com a câmera, por conta do uso de IA mais avançado para criar esses quadros artificiais extras.
Também vale notar que há um modo de geração de quadros Dinâmico, relativamente similar ao upscaling automático do DLSS, no sentido que ele se ajusta conforme o game. Eu testei no 007 e esperava uma taxa de frames mais alta, mas ficou muito similar à que eu usei com o DLSS Qualidade.
Também é válido notar que o DLSS 4.5 em modo Qualidade oferece um leve salto de qualidade em relação aos anti-serrilhados padrão. As arestas ficam melhor definidas, embora esse seja um detalhe mínimo.
Nos próximos meses, 007: First Light receberá um patch que adiciona a iluminação por Path Tracing ao jogo. Complexa, essa tecnologia calcula os raios luminosos de todas as direções e essa será uma adição interessante. A data oficial para essa atualização ainda será revelada.
007: First Light é bom no PC?
Com muita aura e peso, 007: First Light é uma aula de storytelling e construção de personagem em um jogo divertido e frenético. Aos jogadores de PC, o game apresenta pouquíssimas falhas contundentes e entrega uma qualidade gráfica democrática para todos os computadores.

Claro, o jogo não é o mais leve lançado em 2026 e exige máquinas compatíveis, mas isso não tira o mérito do bom trabalho realizado pela IO Interactive. 007: First Light é belo e bem feito nos computadores, além de suporte um amplo leque de tecnologias que prolongam a performance do título, mesmo em altas resoluções.
Por falar em jogos bonitos, nós também analisamos Resident Evil Requiem e sua camada extensa de Path Tracing, que entrega um dos melhores gráficos recentes. Siga o Voxel no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.
A análise do desempenho de 007: First Light foi feita graças a uma chave cedida de maneira antecipada pela Nvidia Brasil.