Bill Gates se diz alarmado sobre riscos da IA e quer discutir regras com a China

Bill Gates se diz alarmado sobre riscos da IA e quer discutir regras com a China

Bill Gates disse que está cada vez mais alarmado com os perigos associados aos avanços da inteligência artificial generativa, especialmente em relação à cibersegurança, e quer propor aos países que monitorem a tecnologia. Os temas foram abordados em entrevista à Reuters nesta quarta-feira (26).

O cofundador da Microsoft também revelou que pretende se encontrar com o presidente da China, Xi Jinping, em novembro. A ideia é debater a criação de esforços globais para mitigar os riscos crescentes da IA, incluindo a restrição à divulgação de modelos potencialmente perigosos, medida que seria tomada em conjunto pelo país asiático e os Estados Unidos.

Mudança de postura

Se mostrando otimista com a IA no início de 2026, o bilionário afirmou ter mudado de postura a partir de eventos ocorridos ao longo dos últimos meses. Ele destacou, por exemplo, os ataques cibernéticos realizados por modelos da OpenAI, Anthropic e Meta que escaparam de ambientes de testes.

  • Esses incidentes de segurança são chocantes e deveriam deixar as pessoas perplexas”, opinou Gates;
  • Ele também apontou o uso da IA para a criação de moléculas, proporcionando a organização de ataques biológicos, como outro grande perigo;
  • Diante disso, o filantropo destacou ser essencial monitorar esse tipo de capacidade da tecnologia, o que não interferiria em outras áreas;
  • O vício em assistentes virtuais de inteligência artificial e a substituição de empregos foram outros problemas apontados por ele durante a entrevista.
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Incidentes envolvendo IAs fizeram Gates mudar de tom sobre a tecnologia. (Imagem: Thai Liang Lim/Getty Images)

Em relação à saúde mental, o magnata da tecnologia comentou que a China realiza um trabalho de destaque na proteção das crianças. Para ele, poucos países têm a mesma preocupação, o que impede um esforço maior para se antecipar aos potenciais danos causados pela IA.

“Sim, no passado, a tecnologia nunca fez isso. Desta vez é diferente. Isto é como um marco evolutivo que exige uma gestão política incrível por parte da sociedade como um todo”, ressaltou, comentando sobre os perigos do vício na tecnologia.

Organização internacional para gerir a IA

Ainda de acordo com Gates, criar uma entidade com participação de vários países para gerenciar a IA deveria estar entre as prioridades. Essa organização seria semelhante às que realizam inspeções nucleares, elaboram regulamentos internacionais de aviação e acordos relacionados às mudanças climáticas.

O primeiro CEO da Microsoft também defendeu a criação de regras para evitar que a IA não agrave a desigualdade nem prejudique os mais vulneráveis. A reserva de até 40% dos empregos atuais para humanos é outra estratégia apoiada por ele.

Além do encontro com o presidente chinês, ele deve se reunir, ainda este ano, com o primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, para discussões sobre a tecnologia.

Recentemente, a China anunciou planos para liderar uma cooperação internacional que auxilie no desenvolvimento da IA e evite o monopólio. Confira os detalhes nesta matéria.