CEO da Microsoft diz que empresas podem falir ao terceirizar IA demais

CEO da Microsoft diz que empresas podem falir ao terceirizar IA demais

O CEO da Microsoft, Satya Nadella, afirmou no domingo, 26, que empresas que entregam informações estratégicas e o contexto de trabalho a modelos de inteligência artificial (IA) de terceiros correm o risco de perder competitividade e até deixar de existir. Em entrevista ao programa Fareed Zakaria GPS, da CNN, o executivo defendeu que as organizações mantenham o controle dos dados gerados no uso dessas ferramentas e invistam em plataformas próprias de IA.

Segundo Nadella, companhias que dependem integralmente de modelos externos acabam abrindo mão de um ativo considerado essencial para os negócios: o conhecimento produzido internamente. "Qualquer empresa que não tenha esse controle, eu diria, não permanecerá uma empresa, porque essencialmente terceirizou seu pensamento", afirmou o executivo durante a entrevista, segundo informações publicadas pelo TechCrunch.

Modelos próprios e controle dos dados

Na avaliação do CEO da Microsoft, uma alternativa é que as empresas armazenem os dados sobre a forma como seus funcionários utilizam ferramentas de IA para, futuramente, treinar ou aprimorar modelos próprios de código aberto. Para isso, ele recomenda o uso de gateways de IA, sistemas que funcionam como intermediários entre os usuários e os modelos, ajudando a proteger informações consideradas estratégicas.

Nadella também defendeu uma arquitetura em que o sistema utilizado pela empresa seja separado do modelo de IA. Segundo ele, essa estratégia permite combinar diferentes modelos de IA de acordo com a tarefa executada e reduz a dependência de um único fornecedor. "Ao manter o sistema separado do modelo, e o contexto e a memória separados do modelo, você pode usar vários modelos para aquilo em que são excelentes. Ao mesmo tempo, qualquer modelo pode ser descartado, e você ainda pode continuar no controle do seu próprio destino", disse.

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As declarações ocorrem em um momento de crescimento do interesse por modelos de código aberto, cujos chamados "pesos", valores numéricos responsáveis pelo funcionamento do sistema, podem ser baixados e utilizados livremente pelas empresas. A alternativa tem ganhado espaço como opção mais barata e flexível em relação aos modelos proprietários desenvolvidos por grandes empresas de tecnologia.

Embora defenda cautela das empresas ao compartilhar dados com sistemas de IA, Nadella adotou um discurso diferente para o mercado de consumidores. Segundo ele, é aceitável que usuários troquem dados pessoais por serviços gratuitos. "De certa forma, deve haver alguma troca de valor no espaço do consumidor, onde você recebe algo de graça, talvez pelos seus dados. É mais ou menos assim que o modelo de negócios da publicidade funciona", afirmou na entrevista.