CEO do SoftBank rejeita bolha da IA e defende gastos de US$ 5 trilhões

CEO do SoftBank rejeita bolha da IA e defende gastos de US$ 5 trilhões

O CEO do SoftBank, Masayoshi Son, voltou a rejeitar as críticas sobre uma possível bolha em torno da inteligência artificial (IA) e afirmou que o volume de investimentos previsto para o setor será necessário para consolidar a tecnologia. Durante a conferência anual da companhia, em Tóquio, o executivo classificou como "absurda" a discussão sobre uma bolha e disse que os gastos podem chegar a US$ 5 trilhões por ano nas próximas décadas.

"Perguntar se a IA é uma bolha é absurdo. Acho que quem faz essa pergunta não sabe o que é IA", afirmou Son, segundo a agência Reuters. Na apresentação, ele acrescentou que um investimento anual de "US$ 5 trilhões por ano, ou 800 trilhões de ienes", pode parecer exagerado, mas que está convencido de que esse será o custo necessário para desenvolver a tecnologia.

SoftBank amplia aposta apesar de alertas

A defesa da IA ocorre em um momento em que cresce o debate sobre a sustentabilidade financeira do setor. Nos EUA, centenas de bilhões de dólares continuam sendo direcionados às empresas de tecnologia, enquanto pesquisas apontam que parte da população considera que o mercado vive uma bolha relacionada à IA.

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Apesar desse cenário, Son mantém a estratégia de ampliar os investimentos. O SoftBank já destinou cerca de US$ 65 bilhões à OpenAI, desenvolvedora do ChatGPT. O volume de recursos investidos levou agências de classificação de risco a rebaixarem a perspectiva de crédito da companhia nos últimos meses.

Em março, a S&P Global alterou a perspectiva do SoftBank de "neutra" para "negativa", afirmando que a liquidez da carteira de investimentos da empresa tende a piorar porque a OpenAI passou a representar uma fatia maior de seus ativos. Em relatório, a agência também alertou que novos aportes podem reduzir ainda mais a capacidade financeira do grupo e enfraquecer indicadores considerados essenciais para avaliar sua saúde financeira.

Mesmo diante das preocupações do mercado, Son reafirmou sua visão de longo prazo para a IA. O executivo, que anteriormente havia previsto a chegada da superinteligência artificial até 2035, agora projeta esse cenário para 2040.

Segundo ele, quando a receita gerada pela IA representar 20% do Produto Interno Bruto (PIB) global, investir 800 trilhões de ienes por ano "será um erro de arredondamento". Além disso, Son já declarou em outras ocasiões que considerar a IA uma bolha é "uma blasfêmia contra a IA", por acreditar que o potencial econômico da tecnologia ainda será plenamente desbloqueado.