Césio-137: A história real que inspirou Emergência Radioativa, nova série da Netflix

Césio-137: A história real que inspirou Emergência Radioativa, nova série da Netflix

Lançada na Netflix na última quarta-feira (18), a série brasileira Emergência Radioativa usa a ficção para relembrar os eventos de uma tragédia real que marcou a história nacional. Em 1987, diversas pessoas em Goiânia foram mortas após serem expostas acidentalmente ao Césio-137, resultado do descarte inadequado de um aparelho de radioterapia.

A produção do streaming mostra o momento do início do desastre, suas consequências e as histórias anônimas das pessoas que ajudaram a pará-lo. Em cinco episódios, ela mostra que o maior acidente radiológico do mundo fora de uma usina nuclear só chegou ao fim depois de deixar várias vítimas inocentes pelo caminho — muito disso fruto do desconhecimento e do descaso de agentes públicos e privados.

Qual é a história real que inspirou Emergência Radioativa?

A tragédia retratada em Emergência Radioativa começou no dia 13 de setembro de 1987, na cidade de Goiânia, capital de Goiás. Um aparelho de radioterapia descartado incorretamente foi encontrado por catadores de um ferro-velho local, que viram nele uma fonte valiosa de sucata.

  • O dispositivo havia pertencido ao Instituto Goiano de Radioterapia (IGR) e foi usado entre 1971 e 1985, sendo abandonado nas antigas instalações da empresa;
  • Embora a sede tenha sido demolida e ficado em ruínas, algumas de suas salas permaneceram intactas — incluindo aquela no qual a máquina estava;
  • Quando o aparelho começou a ser separado em peças, deixou cair dele um misterioso pó brilhante quando uma cápsula de chumbo foi violada;
  • O dono do ferro-velho, Devair Ferreira, ficou encantado com o material, que foi mostrado para sua esposa, Maria Gabriela, e distribuído para vários familiares e amigos;
  • Poucas horas após a exposição ao material, muitas pessoas começaram a desenvolver náuseas, seguidas de tontura, vômitos e diarreia;
  • O caso só chamou a atenção das autoridades após muitos dos afetados começarem a procurar por atendimento médico — inicialmente, os sintomas foram ligados a uma doença contagiosa desconhecida.

Foi somente dois dias após Marília Gabriela levar a cápsula de chumbo para a Vigilância Sanitária que a verdade do caso retratado em Emergência Radioativa veio à tona. O físico Walter Mendes Ferreira, desconfiado de que um acidente radiológico estava em andamento, usou dois detectores que denunciaram altos níveis de radiação para confirmar suas suspeitas.

Sobreviventes criticam decisões de Emergência Radioativa

Conforme bem retrata a série da Netflix, a tragédia humana foi a principal marca deixada pelo acidente com o Césio-137. Um exemplo disso é o caso da menina Celeste, que em Emergência Radioativa representa a história de Leide das Neves Ferreira. Aos 6 anos de idade, a criança morreu poucos dias após ingerir o material, que também passou em sua pele.

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Nem todas as decisões da Netflix agradaram aos sobreviventes. Imagem: Divulgação/Netflix

Apesar de a série da Netflix ser fiel aos fatos retratados, ela ainda gerou críticas entre os sobreviventes. Muitos ficaram insatisfeitos com o fato de que a produção foi gravada em cidades da grande São Paulo, o que fez com que cenários típicos de Goiânia ficassem de fora.

Emergência Radioativa também é criticada por não se aprofundar nas consequências a longo prazo que o desastre deixou. Embora uma pensão vitalícia fornecida pelo governo de Goiás tenha sido garantidas às vítimas mais graves, os valores fornecidos a 603 pessoas estão congelados desde 2018 — e propostas de reajustes foram vetadas diversas vezes.

Também houve críticas mais brandas quanto à reordenação de alguns eventos e ao fato de que as equipes médicas mostradas pela série são mais compactas do que as que trabalharam na realidade. No entanto, a produção da Netflix é eficiente em sua mensagem e se mostra bem-sucedida em fazer o resgate histórico desse evento trágico.

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