Não há como negar que hoje temos acesso a qualquer tipo de informação na palma de nossas mãos. A forma rápida como qualquer conteúdo pode ser encontrado com apenas um clique tem seus pontos positivos — afinal, nunca o conhecimento esteve tão acessível a todos, entretanto, essa facilidade revelou um lado sombrio: a desinformação.
Com milhares de seguidores nas redes sociais, as cientistas Ana Bonassa e Laura Marise, do canal Nunca Vi 1 Cientista, combatem diariamente, de forma didática e bem-humorada, as informações falsas do meio científico que costumam induzir as pessoas ao erro e trazem sérios prejuízos à saúde pública.
O TecMundo conversou com as cientistas e influenciadoras. Além de compartilharem a origem do Nunca Vi 1 Cientista, elas abordaram a preocupação com o avanço global da desinformação, o papel da imprensa e do meio acadêmico, e a necessidade de reformulação do ensino básico no país para que a ciência se conecte melhor à realidade dos estudantes.
Origem do “Nunca Vi 1 Cientista” e a conexão no meio acadêmico
TecMundo: Como vocês se conheceram e quando surgiu a ideia para criarem o “Nunca Vi 1 Cientista”?
Laura Marise: Essa história é sempre longa porque envolve dois backgrounds diferentes. Na pós-graduação, como farmacêutica, eu fazia uma espécie de divulgação científica analógica chamada Atenção Farmacêutica, interagindo com pacientes para explicar diversos aspectos da área. Na época, trabalhava em uma ONG e percebi que o público tinha curiosidade, interesse e muita ânsia de aprender coisas que, para mim, eram básicas, mas faltava muita informação.
Como as redes sociais não eram como são hoje, essa ideia ficou adormecida e restrita ao meu trabalho na ONG. Em 2018, já no último ano do doutorado, me inscrevi em uma competição de comunicação científica. Foi lá que conheci a Ana e as outras pessoas do evento. Durante o concurso, começamos a conversar e eu compartilhei a ideia de pegar tudo o que eu fazia presencialmente e transformar em um projeto para as redes sociais, o que viria a se tornar o “Nunca Vi 1 Cientista”. Foi nesse momento que a Ana entrou na minha história.
Ana Bonassa: Nessa competição, além de nos conhecermos, aprendemos muito. Descobrimos técnicas para traduzir a linguagem científica, já que o cientista aprende, durante toda a carreira acadêmica, a conversar apenas com seus pares, rebuscando o discurso e abusando de jargões — a ponto de parecer que desaprende a falar com o público geral. Essa oportunidade nos trouxe o conhecimento necessário para nos reconectarmos com as pessoas e transmitir a mensagem que queremos.
Lembro que, por volta de 2009, durante a graduação, cursei a disciplina de sistemática de fungos — aí já nascia essa paixão. A professora pediu uma atividade lúdica livre, que podia ser um teatro, uma poesia, uma música ou uma aula com slides bem diferentes. Naquela época, o YouTube estava florescendo e não existia streaming ou consumo de conteúdo online como hoje; nada estava consolidado. Pensei em usar vídeos para achar um formato lúdico e criei um roteiro para explicar o que são fungos.
A história se passava em um passeio na cachoeira: chamávamos os amigos, ligamos para cada um e nos encontrávamos. Pelo caminho, escondi vários fungos impressos para ir mostrando ao longo da jornada. Havia personagens bem definidos: eu fazia a nerd, além de ter a medrosa e a questionadora. Conforme elas perguntavam, as informações eram apresentadas. Fui responsável por roteirizar, dirigir, editar, além de atuar. A professora adorou a apresentação e elogiou a ideia.
Ali percebi como seria legal contar para as pessoas o que estávamos aprendendo na faculdade e fazendo nos laboratórios, já que eu fazia iniciação científica e tinha acesso a coisas incríveis. Contudo, a ideia ficou adormecida, assim como a Laura também tinha a vontade de levar o conhecimento dela para o público, mas nenhuma de nós sabia exatamente como.
Tudo só se tornou possível quando nos conhecemos e aprendemos a traduzir essa linguagem. Em 2018, as redes sociais e o YouTube já estavam consolidados, com gerações de criadores de conteúdo, e o TikTok estava nascendo. Foi nesse momento que nos encontramos: tínhamos a bagagem e uma enorme vontade de fazer acontecer, mas faltava o caminho. Ao nos juntarmos, finalmente descobrimos como.
Desafios da desinformação na era das Inteligências Artificiais
TecMundo: Com a ascensão de IAs generativas e a velocidade do TikTok/Reels, ficou mais difícil desmentir fakes de saúde ou a comunicação de vocês teve que se reinventar?
Laura Marise: Acho que não houve uma adaptação de linguagem, mas sim uma evolução do nosso conteúdo, fruto do aprendizado de técnicas de comunicação, escrita e gravação. Se o nosso conteúdo evoluiu, foi porque nos aprimoramos, mantendo sempre a sua essência.
O que realmente mudou foi a velocidade. O ritmo de 2018 já não funciona hoje, pois, naquela época, a desinformação demorava um pouco mais para se multiplicar e se disseminar. Atualmente, quando alguém publica uma desinformação em um idioma, várias pessoas a traduzem rapidamente para diversas outras línguas. A mensagem se espalha pelo mundo inteiro em questão de segundos, revelando um cenário muito pior do que imaginávamos.
No “top surto” que publico todo mês, já vi um caso emblemático envolvendo uma marca de cosméticos: era uma imagem chapada com texto sobreposto, um clássico dos textos gerados por inteligência artificial. O post era rigorosamente o mesmo — foto, layout, fonte e cores —, mudando apenas o idioma. Encontrei a publicação em inglês, espanhol e português, e possivelmente circulou em outras línguas, atingindo milhares de pessoas simultaneamente.
Além disso, notei uma mudança importante no comportamento do usuário: a memória das pessoas está cada vez mais curta. Elas não se lembram do que foi disseminado no mês ou na semana anterior e continuam repassando conteúdos que já viram. Com frequência, alguém nos envia algo que já desmentimos; ao enviarmos o link da nossa checagem, a pessoa percebe que já havia curtido e comentado o post recente, mas simplesmente não se lembrava de ter assistido. Acredito que essa falta de retenção é uma tendência que só deve piorar.
Ana Bonassa: É, a tendência é piorar, o que inclusive se encaixa perfeitamente com o funcionamento dos algoritmos. Eles adoram esse tipo de conteúdo: quando você faz uma alegação estratégica e fantástica, as pessoas gostam de acreditar naquilo. Quanto mais gente assiste, mais o algoritmo entende que o material deve ser recomendado, e isso acontece em qualquer idioma. Por isso, está cada vez mais difícil combater a desinformação, já que o volume gerado é gigantesco.
Laura Marise: Eu consumo bastante conteúdo nas línguas que estudo e percebo que a desinformação sobre protetores solares se tornou um fenômeno global, e não uma exclusividade brasileira. Recentemente, acompanhei o perfil de uma médica italiana desmentindo outro profissional que atacava o uso do produto utilizando, inclusive, o mesmo estudo citado por médicos aqui no Brasil. Realmente é um negócio mundial e não uma exclusividade brasileira.
TecMundo: E nós percebemos que, infelizmente, a desinformação às vezes vem do próprio corpo médico. Quem deveria combatê-la, muitas vezes ajuda a proliferar-la, como ocorre nos casos sobre o filtro solar ou sobre o uso de perfume no pescoço causar problemas na tireoide. É algo que realmente vemos crescer não só no Brasil, mas em nível mundial.
Laura Marise: Sim, são realmente os mesmos tópicos. Acompanho muitos conteúdos de outros países e vejo isso claramente. Por exemplo, sigo um farmacêutico da Espanha que, assim como fazemos aqui, vive desmentindo pessoas que falam mal da vacina de Covid ou de protetor solar. Isso acontece em todos os lugares: é exatamente o mesmo discurso e o mesmo grau de desinformação, apenas adaptado para cada país, utilizando as mesmas falácias.
Você entra em plataformas de inteligência artificial, como o Chat GPT, o Claude ou o Gemini, e pede um roteiro para falar, por exemplo, sobre protetor solar. Em menos de um minuto, o roteiro está pronto e basta gravar. Com o tempo, já aprendemos a identificar esse tipo de conteúdo, pois a inteligência artificial possui vícios de linguagem, uma estrutura de texto específica e um modo de falar bem característico. Por mais que a pessoa tente parecer natural ao falar, é fácil perceber quando o roteiro foi gerado por IA.
A questão é que, para desmentir uma informação falsa, levamos muitas horas ou até dias, enquanto a outra pessoa cria um conteúdo novo em apenas 30 segundos. É uma competição desleal. Se alguém afirma que protetor solar causa câncer, não basta eu apenas dizer que não causa. Para quem está assistindo, principalmente se viu um profissional ou um médico falando o oposto, eu preciso construir um argumento sólido e apresentar todas as evidências científicas que provam o contrário. Isso demanda muito mais tempo do que simplesmente ligar a câmera e ler um texto gerado em segundos.
Apesar dessa desvantagem, é uma disputa na qual precisamos nos envolver. A informação verdadeira precisa estar onde a desinformação está; precisamos ocupar esses espaços. Se não estivermos presentes para combater esses mitos, a desinformação tomará conta de tudo, deixando a situação ainda mais grave do que já está.
Falhas da imprensa e da academia na comunicação científica
TecMundo: Qual é a maior falha que a imprensa e a academia cometem ao tentar traduzir a ciência para o público geral?
Ana Bonassa: Eu acho que o erro da imprensa é dar palco para artigos que não deveriam ter visibilidade. Por mais que exista algo sendo analisado, é preciso deixar muito claro quando um estudo ainda está em andamento, reforçando que aquilo não é uma cura ou um tratamento definitivo. Da mesma forma, pesquisas com animais não deveriam receber a atenção que recebem, pois as pessoas simplesmente não entendem que não dá para extrapolar esses resultados. É apenas o começo e ainda falta muito para que aquilo seja aplicável em humanos, então esse tipo de cobertura acaba mais atrapalhando do que ajudando.
Por outro lado, também existe uma falha da academia em não conseguir conversar com os jornalistas. Muitos cientistas não dão a devida importância a essa comunicação para garantir que o repórter entenda exatamente o que está sendo dito, evitando que ele precise buscar interpretações sozinho — afinal, a pessoa que mais entende da pesquisa é o próprio pesquisador que a conduz. Por falta de tempo ou desinteresse, o cientista muitas vezes não tira todas as dúvidas nem ajuda a fixar a mensagem correta. Com isso, na hora em que o jornalista vai traduzir a informação para o público, comete erros, não pergunta o suficiente e transmite o conteúdo de forma desvirtuada. No fim das contas, é uma via de duas mãos e ambos os lados precisam assumir a sua parcela de responsabilidade.
Laura Marise: Acho que, para os dois lados, o maior erro é presumir que as pessoas entendam como a ciência funciona. Como a Ana falou, as pessoas não compreendem que algo funcionar em animais não significa muita coisa. Pegando o exemplo da oncologia, apenas cerca de 3% do que funciona em animais traz resultados em humanos. Ou seja, ter eficácia em modelos animais significa uma chance de 97% de não funcionar na gente.
Além disso, é preciso entender que os estudos clínicos possuem muitas etapas, processos, restrições e regras cruciais para determinar se algo funciona de fato, sem colocar a vida das pessoas em risco. São muitos parâmetros diferentes. Não compreender como a ciência da saúde funciona é o ponto principal, pois outras áreas talvez gerem menos ruído por terem impactos menos diretos na vida de todo mundo.
Na área da saúde, quando se presume que o público entende o processo e se divulga algo sem esse cuidado, criam-se problemas sérios. Um caso clássico é o da fosfoetanolamina: quando saiu na imprensa, foi de uma forma em que as pessoas não entenderam o que estava acontecendo. Não perceberam que se tratava de charlatanismo e algo perigoso, levando pacientes a abandonarem tratamentos comprovados para tomar cápsulas fabricadas praticamente em fundo de quintal, sem condições sanitárias, sem estudo clínico e sem provas. Quando finalmente foi para o ensaio clínico, provou-se que não funcionava. Mesmo assim, até hoje muitos acham que foi um complô da “Big Pharma” para esconder a cura do câncer.
Recentemente, vimos uma situação parecida com o caso do Lito. Para quem entende a doença, é doloroso ver alguém passar por isso, mas as pessoas entram em desespero achando que não o incluem nos estudos clínicos por puro capricho. Na verdade, existem critérios rígidos de inclusão: um deles é não ter câncer, e o Lito foi diagnosticado com um tumor antes da doença de Krabbe.
Se nós, como cientistas e comunicadores, presumirmos que o público entende tudo e falarmos dessa forma, mais atrapalhamos do que ajudamos. Abre-se margem para teorias da conspiração. Se você dá palco para um estudo em animais que sumiu com o melanoma em ratos e depois diz “pessoal, foi mal, não funcionou em humanos”, as pessoas acham que é armação, porque a imprensa mostrou o resultado inicial.
É extremamente difícil fazer as pessoas compreenderem esse processo, mas toda vez que formos comunicar algo, precisamos partir do pressuposto de que ninguém sabe como funciona e construir a explicação a partir dali: “vamos entender em que fase estamos e como as coisas funcionam a partir de agora”.
Autoridade científica e preconceito na academia
TecMundo: Como lidam com a resistência em aceitar autoridade científica vinda de duas pesquisadoras e como usam o canal para inspirar novas cientistas?
Laura Marise: É muito difícil fazer com que todos ouçam o que temos a dizer, pois existem muitas barreiras. Uma delas pode ser o fato de sermos duas mulheres jovens, que aparentam não ter muitos anos de carreira, o que leva as pessoas a questionarem quem somos para dizer o que devem fazer ou para contestar um médico de confiança. Além disso, há a barreira das crenças pessoais: as pessoas tendem a acreditar naquilo que faz sentido para o que já pensam. Se alguém acredita em curas naturais e consome um conteúdo afirmando que uma cápsula de produto natural vai resolver todos os seus problemas, e eu chego dizendo que não é bem assim e que aquilo pode até fazer mal ao fígado, a pessoa terá muita dificuldade em acreditar em mim. Ela já possui um viés prévio a favor de métodos naturais e ouviu isso de alguém em quem confia, então não vê razão para me dar crédito.
Existem muitas variáveis que definem se alguém vai nos ter como fonte de credibilidade ou não. Por isso, fiz um acordo de paz comigo mesma ao aceitar que não vou conseguir atingir todo mundo. Se eu alcançar algumas pessoas e elas disseminarem a informação à sua maneira, o nosso papel já terá sido cumprido. Um dos maiores erros ao produzir conteúdo científico é nutrir a utopia de que atingiremos a todos, mudaremos o mundo para sempre e faremos com que todos vivam em harmonia acreditando na ciência sem questionar. Não dá para seguir por esse caminho.
Decidi que farei o meu trabalho bem-feito, da melhor forma possível e para o maior número de pessoas que conseguir. No entanto, sei que haverá quem não goste da minha voz, do meu rosto, da minha vestimenta, das minhas tatuagens ou do simples fato de eu ser mulher. E está tudo bem. É preciso aceitar isso para não surtar nem ficar maluca.
Ana Bonassa: Tem uma segunda vertente que é a parte da academia, que não recebe muito bem as nossas mensagens. Já aconteceu de um homem mais velho, acostumado a ter o mundo e a credibilidade só para ele, chegar publicamente para a gente e perguntar: “Quem são vocês para falar isso daí?”. O que aconteceu foi que nós fomos delicadamente no inbox dele e falamos: “Olha, esse tipo de coisa a gente não vai aceitar. Se você quiser apontar o que estamos falando de errado, pode apontar, mas não vai atacar a nossa pessoa, porque isso nós não vamos aceitar”. Depois disso, essa pessoa viu que realmente errou e pediu milhares de desculpas, inclusive pessoalmente. Então, ainda existe essa resistência por parte da academia. Tem melhorado, mas a gente sempre acha que pode melhorar mais.
Laura Marise: Existem setores na academia que não gostam da existência da divulgação científica, especialmente em redes sociais como o TikTok e o Instagram, por acreditarem que isso diminui a ciência. Essas pessoas realmente existem. Recentemente, li uma matéria em uma revista de prestígio em que o autor se orgulhava de dizer que era um absurdo haver divulgação científica no TikTok, justamente o local onde conseguimos alcançar e atrair o público.
Ana Bonassa: Exato! Se não tiver divulgação científica ali, só terá pseudociência.
A necessidade de reformular o ensino básico e punir as fake news
TecMundo: Se pudessem mudar uma única coisa na forma como o Brasil consome ciência hoje, qual seria?
Laura Marise: Eu mudaria o ensino básico, pois ele é a porta de entrada. Uma das coisas que gera um sentimento mais ambíguo para mim, quando recebemos um comentário, é quando a pessoa diz: “Se o meu professor tivesse explicado como você explicou, eu teria aprendido”. Do ponto de vista do nosso trabalho, isso é muito bom, pois significa que tanto eu quanto a Ana estamos sendo didáticas o suficiente para as pessoas entenderem o que temos a dizer. Por outro lado, isso diz muito sobre o ensino básico e sobre como os nossos professores são tratados e formados.
Acredito que é ali que começa o consumo de ciência e onde se desperta o interesse das pessoas, até porque o ensino básico é muito descontextualizado. O que fazemos é justamente o oposto: contextualizamos todo o nosso conteúdo a partir de algo que a pessoa já conhece, pois se ela está inserida no contexto e enxerga aquilo acontecendo, entende muito mais fácil.
Lembro-me muito da época da escola e da faculdade, de coisas que os professores ensinavam. Eu sempre fui muito questionadora porque queria entender as coisas e perguntava onde e como aquilo era usado, além de qual era a sua utilidade. No entanto, ouvia respostas extremamente grosseiras de que eu não tinha que questionar, apenas aprender e decorar.
Acho isso muito problemático, pois cria nas pessoas uma aversão ao conteúdo científico por não entenderem como aplicá-lo, surgindo o famoso questionamento: “Para que eu vou aprender isso?”. Depois, na vida adulta, aquela aula de biologia ou de química à qual a pessoa não prestou atenção acaba virando um golpe em que ela cai, como o de um protocolo de desparasitação, justamente porque ela achou que aprender biologia e química na escola não era importante.
TecMundo: Quando a gente fala de ensino básico, entra muito naquela questão de por que aprender álgebra se não vai usar na vida, e a educação científica entra um pouco nessa mesma seara.
Ana Bonassa: Concordo com a ideia de que é preciso melhorar o ensino básico para contextualizar melhor os conhecimentos. Além disso, pensando nas pessoas que já concluíram os estudos, se eu tivesse o poder de legislar, buscaria criar leis mais punitivas para quem espalha desinformação flagrante.
Existe uma diferença entre assuntos que ainda estão em estudo ou em consolidação de conhecimento e temas sobre os quais já existe um claro consenso científico. Quem quiser contestar esse consenso deve apresentar provas, entrar para a academia e debater com dados rigorosos.
Um exemplo disso são pessoas na internet afirmando que ter colesterol alto não é um problema ou sugerindo o consumo de água com sal para melhorar a saúde. A aterosclerose e as doenças cardiovasculares estão entre as principais causas de morte no mundo, e incentivar o aumento do colesterol ou do consumo de sódio em uma população que já consome sal em excesso eleva a pressão arterial e traz graves consequências. Quando o dano à saúde for irreversível, quem segue essas recomendações falsas não terá a quem recorrer.
Portanto, a desinformação afeta diretamente a saúde das pessoas, sobrecarrega os cofres públicos e gera demandas evitáveis para o SUS. Além de aprimorar a educação básica no longo prazo, deveríamos proibir e punir a desinformação de forma imediata nas redes sociais.
Representatividade feminina na Ciência e nova coluna no TecMundo
Laura Marise: Eu lembrei que você perguntou sobre a gente servir de inspiração para outras coisas. Isso acaba sendo meio indireto, porque não é algo que transformamos especificamente em pauta; tentamos simplesmente ser quem somos e fazer o nosso trabalho ali. Acho que isso, por si só, é uma inspiração, pois outras pessoas veem que é possível e se identificam. Ao contrário de mim e da Ana quando éramos crianças, não tínhamos modelos para nos espelhar porque eram todos masculinos.
Hoje em dia, temos uma variedade muito maior de pessoas divulgando ciência, não só nós, mas pessoas de todas as cores, tipos e gêneros mostrando que são cientistas. Quanto mais diversidade tivermos, mais inspirações conseguimos deixar para as próximas gerações. Então, acho que acaba sendo um impacto indireto do nosso trabalho.
A partir do mês de setembro, além de encontrar os conteúdos da Ana e da Laura nas redes sociais do Nunca Vi 1 Cientista, você vai poder ler artigos exclusivos delas aqui na página do TecMundo. Confira abaixo a mensagem que elas deixaram para você!
Laura Marise: Sejam gentis, a gente está chegando agora, está aprendendo esse negócio de ser colunista e espera não decepcionar.
Ana Bonassa: Espero que tenhamos muitas coisas legais para falar sobre o avanço da ciência, mas também esperem que a gente combata a desinformação. Descobrimos durante esse tempo que divulgar ciência não é apenas divulgar novas descobertas, mas sim combater ativamente a desinformação que circula nas redes. Portanto, isso também terá que acontecer bastante na coluna de jornal.
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