Aqui entre nós, a Nintendo sempre soube tirar leite de pedra com hardwares modestos, mas a limitação sempre ficou evidente nos jogos third-party. Quantas vezes adaptações de jogos da atual geração foram assombradas por resoluções baixas, texturas de péssima qualidade e taxas de frames que beiravam o “injogável”. Eu mesmo perdi a conta.
De uns tempos para cá, porém, esse cenário começou a mudar, sobretudo com a chegada do Nintendo Switch 2 e de sua capacidade de processamento muito superior à do antecessor, um verdadeiro respiro para a Big N. De Cyberpunk 2077 a Pragmata, não faltam exemplos positivos para demonstrar o poder de fogo do Switão 2 da massa.
Jogando na casa de Pokémon, Digimon Story Time Stranger parece tão natural em um console da Nintendo que chamá-lo de port pode até soar como um insulto. Time Stranger parece ter sido um game pensado para o formato híbrido desde o início, seja pelo ciclo de gameplay que se beneficia de sessões rápidas de jogatina, seja por apresentar um desempenho equiparável ao dos consoles parrudos.
A seguir, confira nossa review completa com a versão de Digimon Story Time Stranger para o Nintendo Switch 2.
Digimon Story Time Stranger é mais um exemplo positivo para o Switch 2
Antes de tudo, é importante destacar que todos os aspectos de performance mencionados nesta análise se referem à versão de Nintendo Switch 2, que foi a única que pudemos testar. Vou comentar também sobre alguns detalhes técnicos divulgados pela Bandai Namco a respeito de Digimon Story Time Stranger no primeiro Switch, mas que eu mesmo não pude ver com os próprios olhos.

Para começar, a versão de Switch 2, tal qual a dos consoles e PC, traz dois modos gráficos: Qualidade e Performance. A opção Qualidade, como era de se esperar, prioriza a fidelidade visual, com resolução 4K por meio de upscaling e suporte à tecnologia HDR. Já no portátil, a imagem é exibida em 1080p, a resolução máxima da tela pequena. Em ambos os casos, a taxa de quadros é limitada a 30 fps.
No modo Performance, por sua vez, a resolução se mantém em 1080p, tanto na TV quanto no portátil, com o principal ganho sendo a taxa de 60 fps. A versão do primeiro Switch, segundo dados oficiais da Bandai Namco, opera em 1080p e 30 fps, sem oferecer ao jogador a possibilidade de escolher entre dois modos, como acontece no Switch 2.
Tão bom quanto nos demais consoles
Por ser um jogo com combate por turnos, isto é, que não exige reflexos rápidos e movimentos precisos, o modo Qualidade me atendeu melhor enquanto jogava na TV. Ao menos para mim, os 60 fps não fizeram tanta diferença pelo ritmo que é proposto à jogatina. O salto para o 4K faz bem aos olhos e nos dá uma visibilidade maior para apreciar o ótimo trabalho de adaptação da Bandai Namco.
Há renúncias, naturalmente, para que Digimon Story Time Stranger rode bem no Switch 2 e preserve sua estética de anime. No entanto, a qualidade das sombras, os reflexos, a distância de renderização e, principalmente, a densidade da vegetação e da população de Tóquio estão à altura do PS5 e do Xbox Series X.

Antes, nos tempos do Switch original, existia uma disparidade muito evidente entre o híbrido e seus rivais de mesa. Hoje, graças à potência do novo hardware, as diferenças entre as versões de Switch 2, PS5 e Xbox Series X ficam restritas a meros detalhes. Em alguns casos, são minúcias apenas detectáveis com uma lupa, o tipo de coisa que só um Digital Foundry da vida gosta de esmiuçar.
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O melhor RPG de Digimon desde Dawn e Dusk
Sobre o jogo em si, Digimon Story Time Stranger continua sendo um dos melhores RPGs atuais, uma mistura entre Pokémon e Persona que dá continuidade ao legado da franquia construído em Cyber Sleuth. Time Stranger é um jogo para quem gosta de uma boa história, aqui repleta de mistérios, cliffhangers e estruturada como uma série de televisão, mas principalmente para quem ama colecionar e capturar monstrinhos.
Apesar da lentidão no início e da linearidade excessiva em certos trechos, a aventura se abre de vez quando alcançamos o Digimundo. A partir daí, somos apresentados a uma batelada de Digimons (sim, Digimon tem plural, diferentemente de uma outra franquia aí) e suas muitas Digievoluções. Capturar novos monstrinhos exige que você os encontre em combate e eleve a taxa de análise deles, numa dinâmica bastante autoral de incentivar o colecionismo.

Para quem quiser saber mais, recomendo fortemente acessar a análise da versão original aqui no Voxel, produzida pelo grande Mateus Mognon. A Bandai Namco não poupou esforços para servir à nostalgia, que bate forte ao explorar o Digimundo e nos remete aos bons tempos em que a nossa maior preocupação era ficar de olho no relógio para não perder o horário da TV Globinho.
Vale a pena?
Se Digimon fez parte da sua infância e você não teve a oportunidade de jogar nas demais plataformas, Digimon Story Time Stranger é mais do que obrigatório para compor a sua ainda modesta coleção do Switch 2. Além de resgatar ótimas lembranças dos anos 2000, Time Stranger é, até o momento e por mais irônico que seja, o melhor jogo de colecionar monstrinhos disponível na nova casa de Pokémon.
Nota: 85
Pontos positivos (Prós):
- Visual e desempenho equiparáveis às demais plataformas;
- O ritmo do jogo se beneficia muito de um modo portátil;
- O melhor game de Digimon desde os tempos de Dawn e Dusk no Nintendo DS;
- Aventura de grande escala;
- Textos bem adaptados ao português brasileiro.
Pontos negativos (Contras):
Sem ressalvas quanto à adaptação, mas o jogo ainda é excessivamente linear;
Menus um tanto confusos.
Digimon Story Time Stranger foi gentilmente fornecido pela Bandai Namco para o propósito de análise no Nintendo Switch 2. O jogo também está disponível para Nintendo Switch, PS5, Xbox Series X|S e PC.