O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou que pretende ampliar os investimentos em economia digital, atrair data centers para o Brasil e desenvolver uma inteligência artificial brasileira durante seu quarto mandato. Reeleito neste domingo (25), após vencer Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno das eleições de 2026, o petista apresentou as propostas envolvendo tecnologia em seu primeiro discurso após a vitória.
Segundo o presidente, a ideia é aproveitar o potencial de geração de energia renovável do país para atrair empresas de tecnologia e ampliar a infraestrutura nacional de armazenamento e processamento de dados. Lula também defendeu o desenvolvimento de tecnologias próprias para reduzir a dependência de soluções estrangeiras, especialmente de empresas dos Estados Unidos e da China.
As promessas estão alinhadas às diretrizes do plano de governo do presidente reeleito, que prevê investimentos em infraestrutura digital, inteligência artificial, formação de profissionais e fortalecimento da indústria nacional de tecnologia. O documento também defende contrapartidas para empresas que instalarem data centers no país, incluindo capacidade computacional disponível para o mercado brasileiro.
Lula quer atrair data centers para o Brasil
Durante o discurso de vitória, Lula afirmou que o país deve aproveitar sua capacidade de geração de energia renovável para atrair investimentos em centros de dados, estruturas utilizadas para armazenar, processar e distribuir informações. A infraestrutura é fundamental para serviços de computação em nuvem, plataformas digitais e sistemas de inteligência artificial.
“Temos que aproveitar o potencial energético de um país que talvez seja o que tenha mais capacidade de energia renovável para trazer os datacenters necessários para acumular dados no Brasil. E essa gente vai ter que deixar uma parte dos datacenters para as informações brasileiras”, declarou.
Segundo o plano de governo, disponível para download no TSE, a proposta envolve não apenas receber empresas estrangeiras, mas também garantir que a infraestrutura instalada em território nacional beneficie o mercado brasileiro. A proposta também prevê o fortalecimento da cadeia de data centers e dos serviços de nuvem, além de investimentos em supercomputadores desenvolvidos e operados por instituições nacionais.
O documento também estabelece que a expansão dessas estruturas seja acompanhada de exigências socioambientais, com foco em eficiência energética, uso progressivo de fontes 100% renováveis e avaliação dos impactos sobre o abastecimento de água, o sistema elétrico e as comunidades locais. A instalação de data centers também deverá prever contrapartidas de conteúdo local e capacidade computacional para atender à demanda interna.
Presidente promete criar inteligência artificial brasileira
Outra proposta mencionada por Lula é o desenvolvimento de uma inteligência artificial brasileira. Para isso, o presidente defendeu ampliar o ensino de disciplinas ligadas à ciência e à tecnologia, com destaque para matemática e engenharia.
“Queremos ensinar mais matemática, mais engenharia porque não quero ficar dependendo de inteligência artificial chinesa e americana. Quero criar uma [inteligência artificial] brasileira”, afirmou.
O plano de governo detalha a intenção de desenvolver e manter modelos de linguagem em português e em outras línguas, direcionados a problemas e necessidades do país. A proposta também prevê a criação de uma plataforma nacional de dados para treinamento e avaliação desses sistemas.
Além disso, o documento aponta a necessidade de fortalecer instituições públicas de pesquisa e desenvolvimento, incentivar empresas brasileiras de hardware e software de alto desempenho e aproximar universidades, centros de pesquisa e setor produtivo. Entre as áreas que poderão receber aplicações de inteligência artificial estão o agronegócio, a saúde e os serviços financeiros.
Lula também promete regulamentar big techs
Além dos investimentos em infraestrutura e inteligência artificial, Lula voltou a defender a regulamentação das grandes empresas de tecnologia. O presidente relacionou a proposta à influência de plataformas digitais durante o processo eleitoral e afirmou que pretende discutir regras para a atuação dessas companhias no Brasil.
“Vamos ter que regulá-las. Não é possível que a gente não tenha consciência de que um crime no mundo digital tem que ser tratado igual a um crime da vida real”, declarou.
O presidente também criticou empresas que, segundo ele, lucram no país sem pagar impostos e tentam influenciar os resultados eleitorais. As propostas para regulamentar as big techs e as possíveis consequências para as plataformas digitais serão abordadas em uma reportagem separada.
Lula vence eleições após virada
O quarto mandato de Luiz Inácio Lula da Silva começa em janeiro de 2027, após uma disputa acirrada contra Flávio Bolsonaro (PL), marcada por uma virada em relação ao primeiro turno. O petista foi eleito com 51,74% dos votos válidos, contra 48,26% do adversário, segundo a apuração divulgada pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE).
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