Equinix mira a inferência de IA no boom bilionário dos data centers globais

Equinix mira a inferência de IA no boom bilionário dos data centers globais

A Equinix está tentando se beneficiar do avanço da inteligência artificial (IA) sem disputar diretamente com as grandes empresas de tecnologia que concentram bilhões de dólares na construção de data centers de larga escala. A companhia, tradicional no setor de colocation, modelo em que empresas alugam espaço, energia, refrigeração e segurança para manter seus próprios servidores, fechou na quarta-feira, 2, um acordo com a Nvidia para oferecer aos clientes uma forma mais flexível de executar modelos de IA por meio da plataforma de nuvem aberta Together AI. Segundo informações da CNBC, a estratégia mira principalmente o crescimento da chamada inferência de IA.

Criada em 1998, durante o boom da internet, a Equinix atende atualmente mais de 10,5 mil clientes e possui 281 instalações de colocation em 77 áreas metropolitanas de seis continentes, segundo Maryam Zand, vice-presidente da companhia responsável pela estratégia de ecossistema de IA.

A experiência acumulada no setor ajudou a empresa a encontrar um espaço no mercado de IA, que deve receber mais de US$ 5 trilhões em investimentos de empresas de hiperescala até 2030, de acordo com a Goldman Sachs Research. As ações da Equinix acumulam alta de 33% em 2026, levando o valor de mercado da companhia a cerca de US$ 100 bilhões, segundo a CNBC.

A aposta na inferência de IA

A diferença está no tipo de infraestrutura que a Equinix oferece. Enquanto empresas de hiperescala, como Amazon e Google, e as chamadas neoclouds, como a CoreWeave, concentram investimentos em grandes instalações voltadas a cargas de computação intensivas, a Equinix mantém uma rede mais distribuída e próxima aos centros urbanos.

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Em evento realizado em São Francisco nesta quarta-feira, o CEO da Nvidia, Jensen Huang, afirmou, em conversa com a CEO da Equinix, Adaire Fox-Martin, que a localização das instalações permite estar “perto de onde a ação acontece, onde estão todos os sensores”. Segundo Huang, como a arquitetura é distribuída, “você pode estar perto e longe ao mesmo tempo”.

A companhia também está direcionando sua estratégia para a inferência, etapa em que um modelo de IA utiliza novas informações para produzir respostas ou tomar decisões. De acordo com a CNBC, essa atividade tende a ganhar importância à medida que a IA avança de chatbots simples para sistemas capazes de executar tarefas mais complexas.

Nesse cenário, os serviços podem precisar operar com diferentes tipos de processadores, incluindo CPUs, e não apenas com GPUs de uso geral. A Equinix afirma que suas instalações são preparadas para GPUs B300 Blackwell Ultra, da Nvidia, e que algumas unidades já contam com refrigeração líquida para receber chips Vera Rubin.

O acordo anunciado na quarta-feira com a Nvidia e a Together AI dará origem ao Equinix Inference Exchange, previsto para começar a operar no primeiro trimestre de 2027. A Together AI, que oferece acesso a 200 modelos de código aberto, será a vendedora oficial do serviço e fará a cobrança aos clientes finais, segundo Zand.

A executiva descreveu a iniciativa como uma “plataforma de inferência como serviço”, que permitirá conectar diferentes nuvens e provedores, executar modelos de código aberto e “otimizar sua tokenomics”, isto é, reduzir os custos associados ao processamento dos modelos. A Equinix também anunciou o Equinix Fabric One, serviço de conectividade criado para simplificar redes que utilizam múltiplas nuvens e modelos de IA.

Apesar da oportunidade, a empresa enfrenta uma limitação diante da escala dos novos projetos de IA. Segundo a CNBC, a maior parte dos data centers da divisão xScale, voltada aos clientes de hiperescala, tem menos de 100 megawatts de capacidade, enquanto algumas estruturas construídas especificamente para IA chegam à escala de gigawatts.

Para Vlad Galabov, analista de data centers e apresentador do podcast AIDC Debate, a Equinix foi “muito lenta” para reagir à demanda nessa escala. “Chegaram novos empreendedores, mais ambiciosos, que começaram a construir data centers para alguns desses projetos emergenciais que surgiram rapidamente”, disse Galabov, segundo a CNBC. “A Equinix, a Digital Realty, todas as empresas de colocation agora estão percebendo a necessidade de um planejamento mais estratégico.”

O desempenho financeiro, por outro lado, mostra uma diferença importante entre a Equinix e as neoclouds. No último trimestre, a Equinix registrou receita de US$ 2,63 bilhões, alta de 16% em relação ao mesmo período do ano anterior, e lucro líquido de US$ 477 milhões. A CoreWeave, que atua no segmento de neoclouds, teve receita de US$ 2,58 bilhões, mais que o dobro em um ano, mas registrou prejuízo líquido de US$ 626 milhões.

O investidor Jim Chanos, que já apostou contra empresas tradicionais de data centers, afirmou à CNBC em maio que esses negócios “não são grandes empresas” e “não são muito lucrativas”. Para Galabov, porém, a diversificação pode ser justamente uma proteção: “Eles não estão expostos ao risco de uma bolha de IA”, disse. “Isso significa que você está perdendo parte do crescimento. É inevitável. Alto risco, alto retorno”.