Escassez de chips de memória deve seguir até 2030, prevê SK Hynix

Escassez de chips de memória deve seguir até 2030, prevê SK Hynix

A atual crise de chips de memória na indústria, que afeta a fabricação de novos eletrônicos e eleva os preços para o consumidor, deve durar ao menos até 2030. Essa é a conclusão da SK Hynix, companhia que está diretamente envolvida com esse desequilíbrio.

O aviso veio durante a revelação do relatório fiscal da sul-coreana, que é ao lado da Samsung uma das líderes na produção desse tipo de componente. As notícias são positivas para ela e os acionistas, mas trazem preocupações para o mercado.

Segundo o documento, um “ciclo virtuoso” se formou no setor de inteligência artificial (IA), com novas fontes de renda e interesse em software, serviços ao consumidor e pesquisas. Isso aumentou a busca por infraestrutura por parte das empresas do setor, o que significa a compra de mais chips para servidores.

Apesar do mercado de memórias manter o ritmo de crescimento, em especial na IA para empresas, a oferta — que é a quantidade de componentes fabricados e comercializados — ainda não consegue acompanhar o crescimento do mercado. A rival Micron também aposta que o cenário “vai piorar bastante” antes de se estabilizar.

“Diante da complexidade técnica dos processos de fabricação de ponta e do longo prazo necessário para construir novas instalações produtivas, a expectativa é que o cenário em que a demanda supera a oferta persista até 2030”, alerta a SK Hynix. Ela mesma já tinha feito uma previsão parecida anteriormente.

No olho do furacão

Como a demanda por empresas de IA segue elevada e as encomendas desses clientes são mais lucrativas do que outros chips, a tendência é de que a escassez de memórias para eletrônicos de consumo siga alta, assim como os preços desses produtos para o público final.

A memória top de linha para data centers HBM4 deve até se tornar o produto mais importante da marca no próximo trimestre. Só que a SK Hynix não lamenta a situação, já que o efeito é justamente o oposto para ela.

Só no terceiro trimestre de 2026, ela apresentou números como:

  • um aumento de 32% na receita em comparação com o mesmo período do ano anterior, com o recorde de 104,6 trilhões de wons sul-coreanos — ou R$ 417,67 bilhões, em conversão direta de moeda;
  • um lucro operacional também inédito de 83,3 trilhões de wons (R$ 332 bilhões), que representa uma alta de 632% em um ano, e 39,7 trilhões de wons (R$ 158 bilhões) de lucro líquido;
  • a devolução de aproximadamente 100 trilhões de wons (quase R$ 400 bilhões) para acionistas na forma de lucros e dividendos;

A fabricante confirmou ainda que mais da 50% da capacidade produção dela para o período de 2027 e 2028 já está vendida sob encomenda.

Ela vai “expandir drasticamente” os investimentos em capacidade de produção no próximo ano, em busca de mais fábricas para atender a ainda mais contratos.

Como a crise de memórias afetou o mercado de PCs? Entenda nesta matéria!