EUA afirmam ter armas no espaço; alegação inédita

EUA afirmam ter armas no espaço; alegação inédita

Os Estados Unidos possuem armas no espaço que podem ser acionadas para defender tropas do país das “ações hostis de adversários. A confirmação veio do Secretário da Força Aérea dos EUA, Troy Meink, durante conferência militar realizada em Maryland, na segunda-feira (14).

Trata-se do primeiro reconhecimento público a respeito da existência desses armamentos em órbita por parte das autoridades americanas. Um porta-voz da Força Espacial dos EUA também confirmou que esses sistemas de defesa já foram lançados, embora não tenha revelado maiores detalhes.

Neutralizando satélites inimigos

De acordo com Meink, as armas espaciais permitem que os EUA estejam “prontos para enfrentar os desafios das ameaças em constante evolução, onde quer que elas existam”. Porém, o Secretário não disse quais são esses armamentos nem revelou como eles funcionam.

  • O representante da Força Aérea também se recusou a comentar a quantidade de equipamentos e quando houve o lançamento;
  • Apesar da falta de informações de Meink, um funcionário do governo disse ao The Washington Post que a tecnologia é capaz de neutralizar ou destruir satélites inimigos;
  • Esse sistema pode ser acionado se os satélites rivais estiverem em uso tendo como alvo espaçonaves ou tropas americanas;
  • Já a Força Espacial destacou que as capacidades em órbita funcionam tanto para fins ofensivos quanto defensivos.

“O controle espacial engloba as áreas de missão necessárias para contestar e controlar o domínio espacial — empregando meios cinéticos e não cinéticos para afetar as capacidades do adversário”, informou o órgão. Vale lembrar que a Força Espacial dos EUA foi criada em 2019 por Donald Trump.

Na ocasião, o republicano justificou o lançamento como necessário para melhorar os sistemas de defesa do país em meio à corrida armamentista que desafia o domínio espacial americano. O site do órgão cita Rússia e China como países que também operam e desenvolvem capacidades espaciais.

China e Rússia se opõem à militarização do espaço

Apontadas como principais rivais dos EUA na corrida espacial, as duas nações se manifestaram logo após a confirmação de Washington. Em ambos os casos, houve críticas ao anúncio das autoridades americanas e pedidos para que o espaço seja mantido livre de armas.

Em declaração nesta terça-feira (15), o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Guo Jiakun, pediu à Casa Branca que “interrompa a expansão de sua presença militar no espaço sideral”. Ele também reforçou a necessidade de “medidas concretas para manter a estabilidade estratégica global”.

Seguindo o mesmo caminho, a Rússia disse apoiar uma ampla consolidação internacional com o objetivo de trabalhar “em direção à completa desmilitarização do espaço”. A declaração foi do porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

Cabe ressaltar que o Tratado do Espaço Exterior de 1967 proíbe armas nucleares ou de destruição em massa na órbita da Terra, mas deixa margem de interpretação quanto ao uso de armas convencionais no espaço ou de armas terrestres contra alvos espaciais. Saiba mais detalhes sobre o acordo nesta matéria.

Com informações de The Washington Post, CNN, DW, CNA e China Daily.