O Departamento de Justiça dos Estados Unidos (DoJ) anunciou na última semana uma operação coordenada para combater cidadãos norte-coreanos que agem ilegalmente no país. O caso envolve a infiltração silenciosa de pessoas em empresas.
Segundo as autoridades, a Coreia do Norte conseguiu posicionar pessoas trabalhando como funcionários de TI em mais de 70 empresas dos EUA dos mais variados setores, em um esquema que pode trazer prejuízos financeiros e de segurança nacional.
Ainda de acordo com o comunicado oficial, as primeiras ações resultaram na apreensão de 187 computadores usados pelos suspeitos, acusações contra 14 pessoas e prisão de outras duas, além de mandatos cumpridos em 40 locais do Texas suspeitos de abrigar equipamentos para uso ilícito.
O esquema do ‘falso TI’
O caso denunciado pelo DoJ remete a notícias anteriores sobre candidatos à vagas de emprego no setor de TI que supostamente estariam usando documentos falsos ou roubados para conseguir posições em empresas de diversos setores.
- A investigação alega que essas práticas começaram ainda em 2019 e duraram pelo menos até 2025;
- Esses funcionários, ao serem contratados, recebem das empresas um notebook corporativo para uso durante o período de trabalho em residências falsas mantidas em algum endereço nos EUA;
- Conhecidos como ‘fazendas de notebooks’, esses locais abrigam dezenas de computadores de uma só vez, conectados com softwares de controle remoto e VPNs — já que os funcionários de verdade trabalham da própria Coreia do Norte;
- Em uma tática mais recente, cidadãos estadunidenses são recrutados para ajudar com várias etapas burocráticas da manutenção do emprego ou até facilitar a terceirização de algumas tarefas.
O esquema teria sido montado principalmente para gerar receita para o país: de acordo com a investigação, ao menos US$ 3 milhões em salários foram desviados por esses falsos funcionários e enviados para contas no país asiático.
Além disso, esse tipo de acesso a companhias de áreas como saúde e energia podem resultar no roubo de segredos corporativos, além de ser um risco para redes de TI dos EUA como um todo.
A empresa CrowdStrike ajudou o FBI na operação contra o grupo, batizado de FAMOUS CHOLLIMA, e seguirá monitorando formas de desmantelar infraestruturas consideradas criminosas contra o país.
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