EUA suspendem restrições do Pentágono contra a Alibaba

EUA suspendem restrições do Pentágono contra a Alibaba

A Alibaba Group Holding conseguiu a suspensão temporária a respeito das restrições de lobby impostas à empresa por supostas ligações com o exército chinês. A sentença foi proferida por uma juíza federal dos Estados Unidos, Eumi K. Lee, que determinou essa suspensão ao Pentágono recentemente.

Com a nova decisão, o Pentágono está impedido de tratar a Alibaba como uma empresa militar no que diz respeito às restrições de lobby. Isso deve perdurar até que uma nova manifestação seja julgada ou até 60 dias após a realização de uma audiência judicial sobre o tema.

Nas últimas semanas, os norte-americanos criaram uma regra que restringe relações de empresas do país com companhias em listas sensíveis. Uma dessas empresas é o Alibaba, vista aos olhos do governo como uma empresa que possui vínculos com o militarismo chinês, e que passou a ser tratada com muito mais cautela.

Fachada do Alibaba em um estande numa feira de tecnologia
Juíza acatou o pedido do Alibaba em caráter de urgência para garantir uma trégua entre ambos os lados (Imagem: David Becker/GettyImages)

Esse movimento restritivo fez com que o Alibaba perdesse sua articulação política no país, dificultando o diálogo com o governo para tratar de políticas, regulações e legislações de interesse mútuo. A empresa chinesa levou o assunto aos tribunais, citando que essas proibições violam a própria Constituição dos Estados Unidos.

Um efeito dominó

Para entender o contexto dessa queda de braço, é importante conhecer a Lista 1260H. Essa é uma lista criada pelo Departamento de Defesa que cataloga “empresas militares chinesas operando nos Estados Unidos”. Companhias como Alibaba, BYD e Baidu foram inseridas nesta lista em junho deste ano.

Como a nova legislação endureceu o caminho das empresas presentes na lista, isso criou um ultimato ao mercado. Se lobistas de empresas norte-americanas não abandonassem seus clientes chineses, eles perderiam seus contratos com o governo, e isso seria um cenário catastrófico.

Segundo documentos do processo, mais de duas dezenas de lobistas registrados da Alibaba retiraram suas credenciais em questão de semanas. Apesar da aceitação temporária dessa trégua, o Pentágono entende que a restrição cumpre integralmente a Constituição americana.

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A lista de empresas chinesas sancionadas saltou de apenas 20 nomes para 188 (Imagem: Douglas Rissing/Getty Images)

Em Washington, o pensamento é outro. Congressistas usam o argumento de que prestadores de serviços do governo, como os militares, não podem firmar parcerias com empresas que tenham algum tipo de ligação com o Partido Comunista Chinês. Há uma pressão para que o Secretário de Defesa, Pete Hegseth, deixe essa lei bem amarrada.

Será necessário aguardar para entender como o governo e a Justiça irão lidar com esse tema, mas o caso do Alibaba pode abrir grandes precedentes para a lei. No outro caminho, o cenário mais complexo é que a restrição seja mantida e as relações com essas empresas chinesas fiquem cada vez mais distantes.

Por falar nos Estados Unidos, o sistema de segurança do país sofreu um novo e massivo vazamento de dados por meio de um ataque malicioso. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.