O governo dos Estados Unidos firmou acordos com grandes empresas de inteligência artificial (IA) para avaliar os modelos dessas companhias antes que eles cheguem ao público. As parcerias foram anunciadas pelo Departamento de Comércio americano e envolvem Google, Microsoft, xAI, OpenAI e Anthropic.
Os testes serão conduzidos pelo Centro para Padrões e Inovação em IA, conhecido pela sigla CAISI. O objetivo é identificar riscos ligados ao uso dessas ferramentas, especialmente em áreas sensíveis como segurança cibernética, armas biológicas e armas químicas.
O que o CAISI faz?
O CAISI é um órgão ligado ao Instituto Nacional de Padrões e Tecnologia dos EUA, o NIST. Basicamente, ele funciona como uma espécie de laboratório independente que testa sistemas de IA para entender o que eles são capazes de fazer e quais riscos podem representar.

O diretor do centro, Chris Fall, afirmou que avaliações rigorosas e independentes são essenciais para compreender a IA de ponta e suas implicações para a segurança nacional. O órgão já conduziu 40 avaliações de outros modelos, incluindo alguns que ainda não foram lançados publicamente.
O que muda para cada empresa
A Microsoft anunciou que vai colaborar com o CAISI no desenvolvimento de métodos para testar sistemas de IA em situações adversas. Isso significa simular tentativas de uso indevido ou comportamentos inesperados do modelo. A empresa também firmou um acordo semelhante com o equivalente britânico do CAISI, o AISI.
A OpenAI entregou ao governo americano o modelo ChatGPT 5.5 antes do lançamento público para testes de segurança nacional. A empresa também está desenvolvendo um modelo específico para defesa cibernética, o GPT-5.5-Cyber, disponível inicialmente para um grupo restrito de usuários.

OpenAI e Anthropic já tinham acordos desse tipo desde 2024, firmados durante o governo Biden. O CAISI confirmou que esses contratos foram renegociados, sem detalhar o que mudou.
Por que isso é uma virada para Trump
O anúncio representa uma mudança de postura do governo Trump. O presidente sempre defendeu menos regulação para o setor de IA, argumentando que regras excessivas prejudicam a inovação americana e abrem espaço para a China ganhar vantagem tecnológica.
Em março, Trump lançou um framework nacional de política de IA focado em remover barreiras e acelerar o uso da tecnologia. A decisão de submeter modelos a avaliações governamentais indica que o governo encontrou um caminho para fiscalizar o setor sem criar novas agências reguladoras.
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