Toda semana a Steam recebe uma enxurrada de novos jogos independentes tentando conquistar espaço em um mercado cada vez mais competitivo. Para chamar atenção, alguns apostam em preços baixos, outros em visuais chamativos, mas Fading Echo encontrou um caminho diferente: investir pesado em localização e apresentação.
Produzido pelo estúdio francês Emeteria e publicado pela Critical Leap, braço editorial da Nuuvem, o jogo ganhou destaque ainda antes do lançamento por aparecer em eventos como a Summer Game Fest e, principalmente, por reunir um elenco de peso na dublagem. Enquanto a versão original conta com nomes conhecidos da Critical Role, a adaptação em português brasileiro traz vozes como Guilherme Briggs, Carol Valença, Flávia Saddy e Reginaldo Primo.
Trazendo uma campanha que dura cerca de dez a doze horas, o jogo é uma pequena joia independente que merece atenção. Ao mesmo tempo, também ficou claro que algumas escolhas de design impedem Fading Echo de alcançar todo o potencial que demonstra em seus melhores momentos.
Eu explico melhor como foi minha experiência com Fading Echo na review a seguir!
Uma aventura que funciona mais pelo carisma do que pela história
Fading Echo acompanha One, uma jovem que embarca em uma jornada para impedir que a misteriosa Corrupção do Paradoxo destrua o mundo fragmentado de Corel. A narrativa aposta em fantasia, viagens entre diferentes realidades e personagens excêntricos, utilizando cenas em formato de quadrinhos e diálogos recheados de humor.
A história nunca chegou a me prender completamente, principalmente porque o universo apresentado despeja muitos conceitos em pouco tempo e nem sempre consegue fazer com que eles pareçam realmente importantes. Ainda assim, ela cumpre seu papel de justificar a exploração das diferentes ilhas e criar situações divertidas entre o elenco.
Grande parte desse mérito vem justamente da localização brasileira. Carol Valença dá muita naturalidade à protagonista One, enquanto Guilherme Briggs, Adriana Torres, Flávia Saddy, Léo Rabelo e Reginaldo Primo ajudam a transformar conversas simples em momentos muito mais carismáticos do que provavelmente seriam apenas lendo legendas.

É raro ver um jogo independente desse porte investir tanto na localização para o Brasil – e o dedo da Critical Leap claramente faz diferença na experiência. Não se trata apenas de traduzir menus e legendas, mas de entregar uma dublagem completa que realmente acrescenta personalidade aos personagens.
O elenco faz um trabalho consistente do início ao fim e consegue vender tanto os momentos dramáticos quanto as piadas espalhadas pela campanha. Mesmo quando a narrativa perde um pouco do ritmo, ouvir os personagens conversando continua sendo agradável e ajuda bastante na construção da identidade do jogo.
Elenco de dublagem em português brasileiro
- One — Carol Valença
- Vellum — Adriana Torres
- Maddock — Guilherme Briggs
- Bob — Reginaldo Primo
- Rahne Kelevra — Flávia Saddy
- Cayrn — Léo Rabelo
Um gameplay criativo que faz da água sua maior arma
O grande destaque de Fading Echo está na forma como transforma a água em praticamente todas as mecânicas do jogo. One pode assumir a forma de uma esfera líquida para atravessar fendas, deslizar por canos, alcançar áreas escondidas e até atacar durante o combate.
Na prática, essa habilidade faz com que exploração, movimentação e batalhas conversem o tempo todo. Em vez de existir apenas como um poder específico, a transformação vira a base de praticamente tudo o que acontece durante a aventura.

Os combates também conseguem manter um bom ritmo graças ao cajado utilizado pela protagonista e às habilidades aquáticas. Além dos ataques convencionais, é possível empurrar inimigos para fora das ilhas, congelar adversários, criar explosões de água e combinar elementos para produzir efeitos diferentes.
O sistema fica ainda mais interessante quando entram em cena lava, resíduos tóxicos e a própria Corrupção do Paradoxo. Cada elemento modifica o comportamento da água, criando pequenas reações em cadeia que deixam os confrontos mais estratégicos sem abrir mão da ação rápida.

A árvore de habilidades amplia essas possibilidades conforme a campanha avança e incentiva experimentar novas combinações. O jogo nunca chega à complexidade de um RPG de ação, mas oferece ferramentas suficientes para manter as batalhas variadas durante praticamente toda a campanha.
Quando o design trabalha contra o próprio jogo
Se o combate quase sempre diverte, o mesmo não pode ser dito da exploração. Fading Echo aposta em mapas relativamente abertos e pouca sinalização de objetivos, o que poderia estimular a curiosidade do jogador, mas frequentemente acaba apenas causando confusão.
O problema se agrava porque diversas áreas possuem identidade visual muito parecida entre si. Em vários momentos eu simplesmente não sabia se estava avançando corretamente ou voltando para um lugar que já havia visitado alguns minutos antes.

Essa sensação de estar perdido começa como um pequeno incômodo, mas cresce conforme a campanha avança. Em vez de recompensar a exploração, alguns trechos acabam quebrando completamente o ritmo da aventura enquanto você tenta descobrir qual caminho seguir.
É uma pena, porque os quebra-cabeças espalhados pelos cenários costumam ser bastante divertidos e fazem bom uso das habilidades da protagonista. Com uma orientação um pouco melhor, provavelmente a campanha seria muito mais fluida sem comprometer a liberdade de exploração.
Visual bonito, mas desempenho ainda precisa de ajustes
Visualmente, Fading Echo também é um jogo muito bonito para seu orçamento. A direção de arte aposta em cores vibrantes, ilhas flutuantes e efeitos de água extremamente chamativos, criando cenários que conseguem chamar atenção mesmo quando a geometria é relativamente simples.

Infelizmente, o desempenho não acompanha esse mesmo nível de qualidade. Mesmo jogando em um PC equipado com uma RTX 5080, encontrei pequenas inconsistências de performance e quedas ocasionais que destoam da experiência.
Também testei o jogo no Steam Deck e os resultados ficaram abaixo do esperado. O portátil conseguiu manter aproximadamente 30 quadros por segundo com qualidade gráfica bastante reduzida, mas ainda apresentou travamentos ocasionais que mostram que o título ainda pode receber um pouco mais de polimento.
Vale a pena?
Fading Echo é exatamente o tipo de jogo independente que merece ser descoberto. Seu combate criativo, a excelente direção de arte e, principalmente, a fantástica dublagem brasileira conseguem criar uma identidade muito própria em um mercado repleto de lançamentos parecidos.
Ao mesmo tempo, o design de exploração pouco intuitivo, a narrativa apenas funcional e alguns problemas técnicos impedem que a experiência alcance um patamar ainda mais alto. Felizmente, o preço de cerca de R$ 50 e a demonstração gratuita tornam a recomendação muito mais fácil para quem gosta de jogos de ação criativos.
Se você procura uma aventura cheia de personalidade e não se importa em eventualmente ficar perdido pelo mapa, Fading Echo certamente merece entrar no seu radar. Já quem prefere campanhas guiadas ou desempenho impecável, é melhor esperar algumas atualizações e uma promoção antes de embarcar na jornada de One.
Nota do Voxel: 78/100
Pontos positivos (prós):
- Excelente dublagem em português brasileiro.
- Gameplay criativo baseado na manipulação da água.
- Combate divertido e cheio de possibilidades.
- Direção de arte muito bonita.
- Preço acessível e demonstração gratuita.
Pontos negativos (contras):
- Exploração confusa por falta de direcionamento.
- Áreas visualmente parecidas dificultam a navegação.
- História pouco marcante.
- Problemas de desempenho no PC e Steam Deck.
Uma cópia de Fading Echo para PC foi cedida pela Critical Leap para realização da review. Além do computador, o jogo também chega ao PS5, Xbox Series S/X e PC.