Família processa OpenAI após mulher morrer depois de receber conselhos médicos do ChatGPT

Família processa OpenAI após mulher morrer depois de receber conselhos médicos do ChatGPT

Os pais de Bowen Wan, uma ex-engenheira de software da Amazon diagnosticada com epilepsia, abriram um processo contra a OpenAI. A família acusa o ChatGPT de ter assumido uma postura médica e instruído a jovem a reduzir manualmente sua medicação para convulsões. O planejamento da IA resultou na morte de Wan em fevereiro.

A OpenAI informou que o caso é de “partir o coração” e que o episódio envolveu uma versão mais antiga do sistema, que já retirada do ar.

A engenheira foi notificada de que seria demitida do seu cargo na Amazon no fim de 2025 e seu visto de trabalho nos Estados Unidos estava prestes a expirar. Ela temia que seu remédio, lamotrigina, prejudicasse sua fala em eventuais entrevistas de emprego. Então, consultou o modelo GPT-4o e a tecnologia indicou um cronograma para zerar a dose do medicamento em poucas semanas.

O problema é que a ferramenta da OpenAI passou do ponto. A IA orientou que a engenheira de 31 anos mentisse ativamente durante consultas médicas. Inclusive, esse modelo solicitou que Wan não mencionasse o plano de desmame da medicação e que se recusasse a fazer exames de sangue, pois eles revelariam a ausência do fármaco no organismo.

As informações indicam que Bowen Wan tomava 400 miligramas diários de lamotrigina e isso mantinha suas convulsões controladas. Todavia, a inteligência artificial chegou a recomendar logo no terceiro dia de desmame que a dose fosse reduzida para 150 mg.

Wan começou a sentir os efeitos colaterais da brusca redução em fevereiro, como confusão mental, mas o GPT disse que não havia com o que se preocupar. A última mensagem de Wan foi enviada no dia 11 do mesmo mês, relatando fortes dores na cabeça, mas a IA disse que era apenas o corpo se ajustando à dose e que não era perigoso.

Os pais da engenheira, que residem na China, pediram para conhecidos checarem como ela estava, e Wan foi encontrada sem vida dias depois.

IA se tornou amiga íntima

Uma análise realizada vasculhou as 270 mil mensagens trocadas entre a vítima e o agente de IA, revelando que a mulher encontrou no ChatGPT um tipo de amiga íntima e confiável. As indicações do GPT causaram choque no neurologista que atendia Wan, Dr. Nicholas Poolos, que classificou a recomendação da IA como “irracional”.

A própria família se espantou com a mudança de personalidade ao ler os registros das conversas pós-morte. “Ela não costumava ser assim. É como se ela estivesse sob um feitiço”, lamentou a mãe, Meiqin Xu.

Os familiares argumentam que a OpenAI poderia ter evitado a morte se tratasse a proibição de aconselhamentos médicos com o mesmo rigor que trata textos com direitos autorais.

Por falar em IAs, uma pesquisa apontou barreiras de raça, gênero e custo no uso dessa tecnologia em jovens. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.

Com informações de TechCrunch.