Um grupo de funcionários da empresa taiwanesa TSMC está cogitando a sindicalização e até entrar em greve por insatisfação salarial. Segundo a informação do site DigiTimes, a insatisfação é grande e crescente entre várias divisões da maior fabricante de semicondutores do mundo.
O problema estaria em uma informação que circulou entre os colaboradores sobre o bônus de desempenho pagos à equipe, que é calculado nos ganhos da empresa. Esse valor extra teria sido cortado em cerca de 13% no pagamento sobre os ganhos de 2025.
Procurada pela reportagem original, a TSMC afirma que está "plenamente ciente de sua crescente responsabilidade social corporativa em Taiwan". Ela ainda alega que os bônus de participação nos lucros para os funcionários devem "crescer mais rapidamente em 2026", sem detalhar o que isso significa exatamente.
A insatisfação nos corredores da TSMC
Embora o motivo não tenha sido oficializado pela companhia, parte da explicação estaria no aumento do capex da empresa. Esse é o termo financeiro para investimentos em equipamentos e estrutura, ou seja, gastos planejados e voltados para expansão — como a abertura de novas fábricas ou modernização de linhas de montagem, por exemplo.
O corte do bônus gerou ainda mais insatisfação pelos números apresentados pela TSMC, que são bastante positivos e não deveriam resultar no corte do bônus:
- No primeiro trimestre de 2026, ela registrou US$ 17,9 bilhões (ou R$ 89,5 bilhões em conversão direta de moeda) em lucro, um aumento de 58% em relação ao ano anterior, e uma receita 35% superior ao começo de 2025.
- A TSMC é uma das companhias que mais agarrou a oportunidade de ampliação de mercado em meio ao momento aquecido da inteligência artificial (IA). Ela é a principal responsável hoje por produzir chips em geral para esse setor, com clientes que incluem a própria Nvidia.
- Para além de uma greve, os funcionários articulam até a possibilidade de estabelecimento de um sindicato ou outro mecanismo de negociação coletiva mais informal. Mensagens trocadas em grupos de redes sociais indicam que essa é uma possibilidade crescente e mais aceita do que a greve.
Uma paralisação nas linhas de produção, mesmo que mínima, deve apresentar resultado por chamar atenção a um nível global e talvez até prejudicar entregas aos parceiros comerciais. Uma das inspirações estaria na ação de sindicatos ligados à Samsung, que conseguiram abrir negociações com a companhia por causa de bônus inferiores aos pagos pela rival local SK Hynix.
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