Golpe da falsa entrevista de emprego mira celulares para roubar dados

Golpe da falsa entrevista de emprego mira celulares para roubar dados

Cibercriminosos aperfeiçoaram os golpes com falsas ofertas de trabalho e usam páginas falsas de recrutamento para roubar credenciais corporativas de funcionários. A estratégia emprega a técnica Browser-in-the-Browser (BitB), na qual uma janela falsa de login do Google ou Facebook é desenhada dentro do site para enganar o usuário. 

As conclusões fazem parte do relatório "The Growing Threat of Browser-in-the-Browser (BitB) Recruitment Scams", publicado neste mês pela empresa de cibersegurança CTM360.

Em computadores, o golpe simula uma janela pop-up do navegador. Por outro lado, a armadilha se adapta ao formato da tela pequena e exibe uma página de login em tela cheia nos celulares. Como os smartphones não mostram a barra de endereços tradicional durante essa navegação, a vítima perde a referência visual para diferenciar uma página legítima de uma cópia fraudulenta.

De acordo com o especialista digital Esteban Tissot, da empresa Zimperium, a proteção contra essas fraudes exige uma mudança de postura nas organizações. Os pesquisadores da companhia de segurança móvel também produziram análises sobre os dados divulgados pelo relatório.

“Em última análise, a defesa contra essas campanhas direcionadas exige olhar além dos gateways da web focados em computadores e proteger as identidades corporativas diretamente no ambiente móvel”, afirmou Tissot.

Para tornar a abordagem convincente, os criminosos copiam a identidade visual de dezenas de marcas globais. Entre as empresas utilizadas como isca estão nomes como Amazon, Apple, Louis Vuitton, Emirates, Boeing, Deloitte, Heineken, Adidas e Lego.

Levantamento da Zimperium mostra os principais blocos de endereço IP utilizados pelos criminosos para manter os sites falsos de recrutamento em funcionamento (Reprodução/Zimperium)

Além dessa estratégia, dados públicos de recrutadores reais de recursos humanos são coletados para dar veracidade aos convites de reuniões e processos seletivos.

Filtro rejeita e-mails pessoais e mira acessos corporativos

Outro fator que chamou a atenção dos pesquisadores da CTM360 e da Zimperium foi a seleção prévia das vítimas. O sistema dos golpistas rejeita cadastros feitos com provedores gratuitos, como Gmail, Yahoo e Outlook, e exige obrigatoriamente um e-mail profissional. O foco exclusivo em contas corporativas permite que os invasores obtenham acesso direto a sistemas internos, arquivos confidenciais e aplicativos em nuvem das empresas.

Principais provedores de nuvem e hospedagem onde os sites fraudulentos foram registrados; Amazon e SEDO GmbH concentram juntas 60% da infraestrutura do golpe (Reprodução/Zimperium)

O levantamento da Zimperium apontou ainda que os domínios fraudulentos utilizam termos frequentes como "(nome da empresa)-global.com" ou "(nome da empresa)-careers.com" e permanecem ativos por longos períodos. Como as listas tradicionais de bloqueio de segurança demoram dias, meses ou até anos para classificar esses novos endereços como perigosos, os criminosos mantêm a infraestrutura funcionando sem interrupções imediatas.

Por falar em segurança no universo digital, criminosos usam contas do Notion e PDFs com links ocultos para roubar senhas. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.