Golpe do WhatsApp usa imagem de visualização única para extorquir vítimas

Golpe do WhatsApp usa imagem de visualização única para extorquir vítimas

Uma nova modalidade de golpe está circulando pelo WhatsApp. A estratégia, denunciada ao TecMundo pelas redes sociais, combina engenharia social com extorsão e tem como alvo principal o recurso de "visualização única" do aplicativo de mensagens.

O esquema começa quando o criminoso envia uma imagem configurada com visualização única contendo material sensível ou ilícito, como conteúdo de abuso infantil, pornografia ou cenas de violência. Quando a vítima abre a mensagem por curiosidade, o golpista recebe a confirmação de leitura.

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É nesse momento que o ataque entra na segunda fase. Minutos depois, o mesmo número entra em contato se passando por delegado, advogado ou até mesmo integrante de facções criminosas. A ameaça é direta: a vítima será denunciada às autoridades, terá seu nome exposto publicamente ou sofrerá violência física se não pagar uma quantia específica em dinheiro.

Golpe usa phishing para lucrar

O golpe se encaixa em uma categoria de crime cibernético conhecida como phishing com extorsão. Phishing é uma técnica de engenharia social onde criminosos se passam por pessoas ou entidades confiáveis para obter informações confidenciais, dinheiro ou acesso a sistemas.

Nesse caso específico, o golpista não busca roubar dados pessoais diretamente, mas sim criar uma situação comprometedora para a vítima. A simples visualização da mensagem torna-se a "prova" usada pelo criminoso para justificar a extorsão.

O golpista alega que a vítima está sendo investigada por acessar material ilegal ou que suas informações já foram repassadas às autoridades. A pressão psicológica é intensa, e muitas pessoas acabam pagando em silêncio para evitar uma possível exposição, mesmo sendo completamente inocentes.

As penas previstas no Brasil

A legislação brasileira trata esse tipo de crime com rigor. O Código Penal prevê diversas tipificações para as ações dos golpistas, com penas que podem ultrapassar 10 anos de prisão.

O crime de extorsão está previsto no artigo 158 do Código Penal. A pena estabelecida é de reclusão de quatro a dez anos, além de multa, para quem constranger alguém mediante violência ou grave ameaça com o objetivo de obter vantagem econômica indevida. Se o crime é cometido por mais de uma pessoa, a pena pode aumentar de um terço até a metade.

Quando há fraude eletrônica envolvida, o crime pode ser enquadrado como estelionato eletrônico. A Lei 14.155/2021 estabelece reclusão de quatro a oito anos e multa para quem aplica golpes utilizando informações de redes sociais ou mensagens eletrônicas.

Caso os golpistas invadam dispositivos ou manipulem dados para executar o crime, aplica-se também o artigo 154-A do Código Penal, conhecido como Lei Carolina Dieckmann. A invasão de dispositivo informático é punida com reclusão de um a quatro anos e multa.

As penas são ainda mais severas quando as vítimas são idosas ou pessoas vulneráveis. Nesses casos, a legislação determina aumento de um terço ao dobro da pena.

Como se proteger desse golpe

Para evitar cair nesse tipo de armadilha, é possível tomar algumas ações:

  • Nunca abra mensagens de números desconhecidos, especialmente aquelas que contêm imagens ou vídeos com visualização única. Os golpistas contam justamente com a curiosidade das pessoas;
  • Desconfie de qualquer abordagem que crie senso de urgência. Delegados e advogados não fazem cobranças ou ameaças por WhatsApp. Se receber esse tipo de contato, procure confirmar a veracidade da informação por canais oficiais;
  • Não transfira dinheiro sob pressão. Se alguém tentar extorquir você, não ceda ao medo. O pagamento não garante que as ameaças vão parar e pode, inclusive, fazer com que os criminosos continuem exigindo mais;
  • Desative as confirmações de leitura nas configurações de privacidade do WhatsApp. Vá em Configurações > Conta > Privacidade e desmarque a opção "Confirmações de leitura". Isso impede que os golpistas saibam quando você visualizou uma mensagem;
  • Restrinja quem pode ver sua foto de perfil e outras informações pessoais. Nas configurações de privacidade, limite a visualização desses dados apenas para seus contatos conhecidos;
  • Denuncie perfis suspeitos diretamente no WhatsApp. Ao receber mensagens estranhas, bloqueie o contato e faça a denúncia na plataforma. Isso ajuda o aplicativo a identificar e banir perfis fraudulentos.

Exploração da imagem de crianças é crime

Golpes como esse frequentemente exploram materiais ilícitos envolvendo crianças e adolescentes. A produção, armazenamento e compartilhamento de conteúdo de abuso sexual infantil são crimes gravíssimos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), com penas que podem chegar a 8 anos de reclusão.

Para entender melhor como funcionam as redes criminosas por trás desse tipo de conteúdo, a terceira edição da série Realidade Violada investiga as operações de produção, armazenamento e comercialização de material de abuso sexual infantil. 

Com depoimentos de sobreviventes, autoridades policiais e especialistas em segurança digital, Realidade Violada 3: Predadores Sexuais está disponível gratuitamente no YouTube do TecMundo.

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