IA ameaça a ufologia? Peritos revelam como detectam alterações em vídeos de OVNIs

IA ameaça a ufologia? Peritos revelam como detectam alterações em vídeos de OVNIs

A inteligência artificial avança na criação de imagens e vídeos cada vez mais realistas, ficando difícil saber o que é real e o que não é. Com isso, como fica a pesquisa sobre fenômenos aéreos não identificados neste cenário? Durante um evento do programa Esquadrão UFO, que estreia em 25 de abril no History Channel, o TecMundo perguntou para ufólogos sobre o uso de IA no ramo de objetos e fenômenos voadores não identificados.

Rafael Amorim, ufólogo e designer, e Toni Irajar Kurowski, ufólogo e perito criminal, explicaram que, embora a IA complique o trabalho, não os impede de investigar. Usando técnicas de perícia criminal, pode ser até mais fácil saber se uma imagem é manipulada ou não.

“A IA deixa rastro”

Rafael Amorim, líder do Esquadrão UFO, trouxe sua experiência como designer para a conversa. Segundo ele, mesmo diante de imagens geradas por inteligência artificial com alto nível de realismo, há formas de identificar a manipulação, desde que o material original esteja disponível para análise.

Elenco do Esquadrão UFO durante evento em São Paulo. Foto: Derek Keller 

“Tendo o material original, uma fotografia, um vídeo que venha criar para ele vai deixar o rastro dos metadados. E ali a gente já identifica de cara que aquilo não é uma coisa falsa”, afirmou Amorim. Ele ressaltou, porém, que a opinião técnica isolada, mesmo vindo de um profissional experiente, não é suficiente. “Não posso ir pela minha opinião de técnico, de artista ou de designer. Precisamos da parte técnica".

Do negativo à era digital

Toni Irajar Kurowski, perito criminal e ufólogo, trouxe uma perspectiva mais técnica sobre o tema. Na época das fotografias em película, a análise pericial examinava o negativo para confirmar a autenticidade de uma imagem. Com a chegada do digital, os tribunais brasileiros chegaram a rejeitar fotografias como prova justamente pela facilidade de manipulação.

O que virou o jogo foi a descoberta dos dados EXIF –  um conjunto de informações técnicas embutidas em qualquer arquivo de imagem ou vídeo que registra, entre outras coisas, o equipamento usado, data e hora da captura, e eventuais edições realizadas. “A partir daí, os tribunais passaram a aceitar a fotografia digital”, explicou Kurowski.

Kurowski deu uma dica prática para quem quiser colaborar com pesquisas: ao enviar uma foto pelo celular, o ideal é encaminhá-la como documento e não como arquivo de imagem convencional. Isso preserva os dados originais do arquivo, que costumam ser comprimidos ou perdidos quando a imagem passa por aplicativos de mensagem.

“Eu vou analisar não só a imagem que se apresenta. Ela pode estar muito bem feita. Mas eu quero ver os metadados. Os metadados já vão indicar o nome do editor de imagem ou da inteligência artificial que tenha produzido aquilo”, disse o perito.

A IA engana os olhos, mas os dados ficam

A conclusão dos dois especialistas é que, embora a inteligência artificial tenha criado um novo desafio para a ufologia, ela não chega a ser um obstáculo. A análise visual isolada pode ser enganosa, há imagens geradas por IA que dariam dificuldade até para um olho treinado. Mas quando o arquivo original é colocado na mesa e os metadados são verificados, a história muda de figura.

A priori, você olhando só a imagem, realmente têm imagens que nos dariam dificuldade. Mas quando você examinar os metadados, fica eliminada qualquer dificuldade”, garantiu Kurowski.

O programa Esquadrão UFO estreia em 25 de abril no History Channel. E aí, você ficou sabendo que o ex-presidente Barack Obama chegou a dizer que acreditava na existência na alienígenas?