IA eleva salários e vagas, mas exige criatividade e liderança no início

IA eleva salários e vagas, mas exige criatividade e liderança no início

A inteligência artificial (IA) está transformando o mercado de trabalho global e criando uma divisão cada vez mais clara entre os profissionais que conseguem combinar conhecimento técnico com habilidades humanas. É o que aponta o Barômetro Global de Empregos em IA 2026, da PwC, que analisou mais de um bilhão de anúncios de emprego em 27 países e territórios.

Segundo o levantamento, empresas mais preparadas para utilizar a tecnologia estão contratando mais, pagando salários maiores e registrando ganhos de produtividade significativamente superiores aos de seus concorrentes.

O estudo identifica o surgimento de um mercado de trabalho de “duas vias”. De um lado estão as funções chamadas de “profissionalizadas”, nas quais a IA automatiza tarefas repetitivas e amplia a capacidade de especialistas humanos. De outro, aparecem as funções “democratizadas”, em que a tecnologia facilita a execução das atividades por pessoas com menos experiência. As primeiras estão avançando mais rápido tanto em geração de empregos quanto em remuneração.

De acordo com a pesquisa, cargos profissionalizados, como radiologistas e recrutadores, registram crescimento de vagas duas vezes maior e aumento salarial 42% superior ao observado em funções democratizadas, como secretários médicos e gerentes de serviços de TI. A conclusão sugere que, em vez de substituir especialistas, a IA tem aumentado o valor de profissionais capazes de interpretar informações, tomar decisões complexas e aplicar julgamento humano.

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A mudança também está alterando as exigências para quem está começando a carreira. A análise de 2,4 milhões de vagas de nível inicial nos EUA mostrou que funções mais expostas à IA têm sete vezes mais probabilidade de exigir competências tradicionalmente associadas a profissionais seniores, como liderança, criatividade, discernimento e interação presencial. Desde 2019, as vagas desse grupo cresceram 35%, enquanto outras posições de entrada recuaram 10%.

Segundo Joe Atkinson, diretor global de IA da PwC, os resultados indicam o surgimento de novos modelos de geração de valor nas empresas. Para o executivo, organizações que utilizam IA para ampliar a expertise humana e acelerar a inovação estão obtendo resultados superiores às que concentram seus esforços apenas na automação de processos.

O levantamento também aponta uma forte aceleração da produtividade. Empresas dos setores mais expostos à IA registraram crescimento de produtividade de 34% entre 2018 e 2025, ante 24% das menos expostas à tecnologia.

Dentro desse grupo, destacou-se uma elite de organizações classificadas como “superestrelas”: os 20% de negócios mais avançados no uso de IA alcançaram ganho médio de produtividade de 163% no período, quase cinco vezes acima da média das empresas mais expostas à tecnologia.

Ao contrário dos temores de que a IA levaria à redução de postos de trabalho, os dados mostram expansão do emprego. As empresas mais capacitadas para utilizar IA registraram crescimento de 52% no número de funcionários desde 2018, enquanto aquelas menos expostas à tecnologia avançaram 36%. Além disso, o crescimento salarial também foi maior entre as organizações mais preparadas para explorar a ferramenta: 24%, contra 17%.

O relatório revela ainda que a procura por profissionais com habilidades específicas em IA continua acelerando. As vagas que exigem conhecimentos em áreas como aprendizado de máquina e engenharia de IA cresceram 69%, quase oito vezes acima da expansão do mercado de trabalho total, que avançou 9%. 

O prêmio salarial médio para esses profissionais chegou a 62% em 2025, ante 57% no ano anterior. Para Pete Brown, líder global de força de trabalho da PwC, a tecnologia está reduzindo a importância das tarefas rotineiras como etapa de aprendizagem e aumentando a necessidade de liderança, adaptabilidade e capacidade de julgamento desde os primeiros anos da carreira.