Já jogou Pokémon GO? Você treinou robôs de delivery sem saber, explicamos

Já jogou Pokémon GO? Você treinou robôs de delivery sem saber, explicamos

A Niantic Spatial, divisão de inteligência artificial e mapeamento da Niantic Inc., anunciou em março deste ano que está utilizando um banco com cerca de 30 bilhões de imagens capturadas por jogadores de Pokémon Go para treinar robôs e sistemas de navegação autônoma. As imagens foram coletadas ao longo de anos por usuários do jogo que fotografavam pontos turísticos, ruas, fachadas e estabelecimentos enquanto jogavam, sem imaginar que esse material se tornaria base para um projeto de mapeamento global.

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Esse enorme conjunto de dados foi transformado em um modelo fotorrealista do mundo físico, atualizado constantemente e projetado especificamente para inteligência artificial e robótica. O sistema já está sendo utilizado para orientar cerca de mil robôs de entrega da empresa Coco Robotics, que operam em cidades como Los Angeles, Chicago, Miami, Jersey City e Helsinque, acumulando milhões de quilômetros em entregas.

Como o jogo virou um mapa para robôs de delivery?

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Jogo passou anos convertendo acervo em modelo fotorrealista do mundo (Imagem: Reprodução)

Segundo a empresa, as imagens enviadas pelos jogadores ajudaram a treinar um sistema chamado Visual Positioning System, que funciona como uma alternativa ao GPS tradicional. Em áreas urbanas com prédios altos, o sinal de satélite pode falhar ou perder precisão, o que é um problema para robôs de entrega que precisam parar exatamente no endereço correto.

O sistema resolve isso comparando, em tempo real, as imagens captadas pelas câmeras do robô com o banco de dados de fotos do mundo real. Dessa forma, o robô consegue identificar com precisão onde está e para onde deve ir, mesmo quando o GPS não funciona corretamente.

Uma nova forma de mapear o mundo?

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Jogo garantiu recompensas para jogadores que enviassem fotos e vídeos curtos de pontos turísticos (Imagem: Reprodução)


Executivos da empresa afirmam que o objetivo é criar um mapa vivo e dinâmico do planeta, pensado não apenas para humanos, mas para máquinas e inteligência artificial. Na prática, isso significa construir uma camada digital do mundo físico que possa ser usada por robôs, carros autônomos e sistemas de realidade aumentada.

O projeto mostra como dados coletados por usuários comuns podem acabar sendo usados em aplicações muito maiores do que o objetivo original. O que começou como um jogo de celular acabou se transformando em uma das maiores iniciativas de mapeamento visual do mundo.

Tecnologia, dados e o futuro da automação

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Estratégia posiciona a Niantic Spatial menos como empresa de jogos e mais como operação de mapeamento (Imagem: Reprodução)


O caso também ilustra uma tendência importante da tecnologia moderna, em que empresas utilizam grandes volumes de dados do mundo real para treinar inteligência artificial e sistemas autônomos. Quanto mais imagens, ruas e objetos diferentes o sistema aprende a reconhecer, mais eficiente ele se torna para navegação e tomada de decisão.

É uma delícia e super divertido jogar Pokémon Go. Mas o que era apenas uma caça virtual a criaturas digitais acabou ajudando a construir uma infraestrutura que pode influenciar o futuro de entregas autônomas, robótica e realidade aumentada. Vai continuar jogando Pokémon GO mesmo assim? Coloca nos comentário e acompanhe mais notícias no TecMundo.