Lula diz que desenvolvedores de games brasileiros não serão inferiores aos estrangeiros

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu que o Brasil deixe de ser apenas um dos maiores mercados consumidores de jogos eletrônicos do mundo e passe a ganhar espaço como produtor e exportador de games. Durante a cerimônia de regulamentação do Marco Legal dos Jogos Eletrônicos, realizada nesta quarta-feira (14), no Palácio do Planalto, o presidente afirmou que o país tem capacidade para competir internacionalmente e destacou o potencial de histórias brasileiras como inspiração para novos títulos.

“Se for preciso financiar curso lá fora, nós vamos financiar, porque nós não queremos ser inferiores, nem a coreano, nem a japonês, nem a chinês e nem americano. Nós queremos ser brasileiro”, declarou Lula ao defender a formação de profissionais para a indústria. O discurso também abordou a necessidade de criar oportunidades para jovens, ampliar o acesso a recursos e aproximar o setor privado das políticas públicas.

Em outro momento, o presidente criticou a concentração de riqueza e poder na indústria digital e afirmou que as pessoas estão se tornando “vítimas de algoritmos”. Lula também relacionou essa preocupação às apostas on-line, conhecidas como bets, que, segundo ele, incentivavam consumidores a comprometer dinheiro destinado a despesas básicas.

Lula quer jogos brasileiros contando histórias do país

Um dos pontos centrais do discurso do presidente foi a defesa de jogos que explorem personagens, acontecimentos e elementos da história brasileira. Lula comentou ter visto um game sobre Canudos durante o evento e usou o exemplo para questionar por que o país deveria depender de narrativas estrangeiras para conquistar jogadores.

“Eu acho extraordinário a gente fazer um game com as histórias brasileiras. Nós temos histórias extraordinárias, gente. Que a gente pode fazer com que o mundo conheça essas histórias do Brasil via game”, afirmou o presidente.

Na sequência, Lula reforçou a intenção de ampliar a presença internacional da produção nacional. “Por que que eu tenho que contar uma história chinesa, uma história americana, uma história francesa? Se eu posso contar uma história brasileira”, questionou.

Durante o evento, o presidente apareceu ao lado de influenciadores jogando Arida 2, game brasileiro que será lançado em 2027. O primeiro título da franquia, que claramente estava fora do radar do candidato à reeleição, foi lançado em 2019.

Presidente critica algoritmos e fala sobre apostas on-line

Ao abordar o avanço da indústria digital, Lula manifestou preocupação com a concentração de riqueza e influência nas mãos de poucas empresas. Para o presidente, o crescimento desse mercado exige atenção ao impacto das plataformas sobre o comportamento das pessoas.

“Nesse mundo digital que não tem mais volta, a chamada indústria digital ganha cada vez mais corpo, ela cresce cada vez mais”, ressaltou. “Me assusta que cada vez menos gente é dono de mais dinheiro, de mais riqueza e de poder”, declarou.

Lula também mencionou as bets e criticou a influência das apostas sobre o orçamento das famílias, dizendo que muitas pessoas se tornaram reféns de algoritmos. “Porque as bets estavam induzindo as pessoas a gastarem o dinheiro do leite, do dinheiro do pão da criança para jogar na perspectiva de ficar rico”, disse.

Segundo Lula, o incentivo aos games trazido pelo Marco Legal traz oportunidades para evitar que mais pessoas sigam esse caminho. De acordo com o presidente, o papel do governo é trazer cursos e oportunidades para que os brasileiros consigam trabalhar com sua criatividade.

Lula reconhece que regulamentação levou quase dois anos

Durante a cerimônia, o presidente também comentou o intervalo entre a aprovação do Marco Legal dos Jogos Eletrônicos. A proposta nasceu como projeto do deputado federal Kim Kataguiri (Missão-SP) e foi sancionado em 2024, com a regulamentação assinada nesta quarta-feira. Segundo Lula, o processo exigiu negociações entre diferentes áreas do governo e representantes envolvidos na construção da política para o setor.

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Lula assinou o decreto do Marco Legal dos Games nesta quarta-feira (14) Foto: YouTube/Minc

“Essa lei levou quase 2 anos para ser regulamentada. Porque é um produto novo de pouco conhecimento entre muitas pessoas e que, portanto, foi preciso criar uma base interministerial, ouvir todos os segmentos do governo e da sociedade para que a gente pudesse fazer a regulamentação”, declarou.

Lula reconheceu que as medidas não vão resolver todos os problemas da indústria de uma só vez, mas defendeu a continuidade do diálogo entre governo, empresas, desenvolvedores e comunidade. Ao encerrar sua fala, também alertou para a importância de o setor se organizar para preservar as políticas conquistadas. “Fazer é difícil, destruir é apenas um passo”, afirmou o presidente.

A fala envolvendo continuidade possui ligação com as eleições 2026, onde Lula disputa o cargo de presidente com Flávio Bolsonaro (PL). A votação do segundo turno ocorre em 25 de outubro, último domingo do mês.