'Medida prematura': Discord reclama de bloqueio de lives no Brasil

'Medida prematura': Discord reclama de bloqueio de lives no Brasil

A empresa responsável pelo Discord comentou oficialmente a decisão do governo brasileiro de suspender as transmissões ao vivo na plataforma. O bloqueio do recurso foi determinado nesta quarta-feira (12) pela Autoridade Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e gerou descontentamento por parte da companhia.

"Estamos desapontados com o fato de a ANPD ter adotado essa medida de forma prematura, uma vez que recebemos o processo na sexta-feira (7) e ainda estávamos dentro do prazo aplicável para apresentar nossa resposta", diz a companhia no posicionamento enviado ao TecMundo. Ela ainda alega que mantém "um diálogo ativo" com a ANPD e aguardava a oportunidade de se manifestar.

O Discord alega ainda que está "cuidadosamente analisando" a medida. Ela faz parte de uma investigação iniciada após uma manifestação da primeira-dama, Janja da Silva, que chegou a pedir que o serviço saísse totalmente do ar depois de mais um incidente de violência envolvendo o serviço.

O incidente em questão foi revelado após uma operação policial, que descobriu ações de um grupo criminoso em plataformas digitais que causaram a morte de uma adolescente de 13 anos em Mato Grosso do Sul.

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“As lives e outros recursos de compartilhamento de vídeo equivalentes deverão permanecer suspensos até que a empresa comprove a adoção de medidas para proteger crianças e adolescentes”, cita a ANPD na nota que confirma a proibição, listando como motivos "falhas na proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital".

Discord reforça medidas contra crimes

A resposta do Discord ainda diz que a caracterização do serviço pela ANPD "não reflete a plataforma" ou os investimentos feitos na segurança dos usuários. "O Discord não tolera grupos ou indivíduos que promovem ou incentivam a violência", diz.

  • O Discord alega ainda que investigou e removeu o servidor privado envolvido no crime, que era acessível por convite, e cooperou com as autoridades policiais na investigação;
  • A companhia relata que encontrou evidências de que a ação violenta "foi coordenada em outras plataformas antes da criação do servidor no Discord" e continuou nelas depois do banimento, que foi realizado antes da morte da vítima;
  • Ainda segundo o posicionamento, equipes "altamente especializadas" trabalham no combate a indivíduos envolvidos em atividades violentas, seja para detectar essas comunidades, identificar possíveis vítimas, remover conteúdos criminosos e coibir a reincidência desses usuários.

Por fim, a nota reforça que pode "fornecer informações relevantes, quando apropriado" para autoridades policiais e organizações de segurança online. Em vários casos, denúncias da própria plataforma já resultaram na detenção de pessoas que usavam o serviço em crimes.

"Esperamos continuar nossas conversas com formuladores de políticas públicas no Brasil para promover uma experiência online mais segura para todos os usuários, tanto no Discord quanto em toda a internet", finaliza a nota.