A Meta não vai mais implementar uma taxa mensal de uso de uma das funcionalidades dos óculos inteligentes da companhia. A informação foi confirmada por um porta-voz da marca ao site The Verge.
No começo deste mês, a empresa de tecnologia anunciou um plano de assinatura para os dispositivos que incluía entre os benefícios o aumento de limite no recurso "foco na conversa" — estabelecendo 3 horas de uso mensal para usuários gratuitos e 15 horas de acesso aos membros pagos.
Porém, a recepção desse anúncio foi a pior possível em termos de crítica e fez a Meta rever a ação. O público reclamou especialmente dos limites mensais baixos nas duas categorias e no próprio estabelecimento da barreira.
O principal argumento contrário é que o recurso roda dentro do próprio dispositivo, ou seja, localmente, offline e sem precisar dos servidores da Meta, ação que costuma justificar algum tipo de cobrança.
O foco na conversa é um isolamento sonoro que ajuda você a ouvir melhor uma pessoa em lugares barulhentos, usando os alto-falantes do aparelho e um tratamento com inteligência artificial (IA).
O que diz a empresa
"Os óculos da Meta AI entregam muito valor de graça e algumas funções premium serão baseadas em uma assinatura com o passar do tempo — e o foco na conversa é um dos que nós queremos ter certeza de que vamos acertar", diz o comunicado da empresa, confirmando que outras funcionalidades ainda serão premium e terão cobranças futuras, sem detalhar quais.
A Meta ainda confirma que "pausou o teste de assinatura" dele por enquanto e que o recurso continuará gratuito por meio do programa de acesso antecipado "enquanto nós trabalhamos em uma melhor abordagem". Ela também argumenta que o aparelho tem um custo-benefício apropriado e que justifica a cobrança adicional.
"Vendemos hardware a preços acessíveis para levar óculos com IA ao maior número possível de pessoas e oferecemos muito valor gratuitamente; por isso, alguns recursos premium passarão a ser oferecidos por assinatura com o tempo. Cobrar de usuários avançados pelo uso expandido de recursos premium é a forma como sustentamos essa estratégia e continuamos investindo em funcionalidades inovadoras", diz o comunicado.
Nos últimos meses, a Meta voltou atrás em outras políticas e estratégias, muitas delas por má repercussão na imprensa e com o público:
- Tirou o recurso de mapa em tempo real que exibia localização de usuários do Instagram no Brasil;
- Suspendeu o programa para treinamento de IA que monitorava as atividades no computador dos funcionários após um vazamento;
- Decidiu manter no ar o metaverso Horizons Worlds para Realidade Virtual, em vez de deixá-lo apenas para smartphones;
- Apagou qualquer traço do código de reconhecimento facial nos óculos inteligentes depois de uma denúncia e disse se tratar apenas de um experimento.
Como a Meta vai barrar gravações ‘escondidas’ dos óculos inteligentes? Saiba mais sobre as políticas da empresa nesta matéria.