Novo malware 'invisível' cria área de trabalho oculta para assumir controle do PC

Novo malware 'invisível' cria área de trabalho oculta para assumir controle do PC

Pesquisadores da empresa de cibersegurança BlackFog identificaram uma nova amostra do “MedusaHVNC”. O programa é um vírus de acesso remoto vendido sob o modelo de malware como serviço. Ele utiliza um módulo oculto de rede virtual e abre um navegador em uma área de trabalho do Windows paralela, totalmente fora do alcance visual da vítima.

O levantamento, publicado pelo especialista em cibersegurança e CEO da BlackFog, Darren Williams, mostra que a ferramenta permite operar de maneira silenciosa no computador infectado. Ao rodar dentro da máquina real, o navegador sequestrado carrega automaticamente o perfil do usuário, com cookies e sessões de login ativas. Assim, o tráfego gerado parece legítimo e consegue burlar sistemas de detecção de fraude bancária que checam localização e dispositivo.

Anúncios em canais do Telegram e em um site voltado exclusivamente ao cibercrime promovem o vírus com recursos avançados de evasão. De acordo com os analistas, o painel do operador permite escolher o aplicativo alvo, ajustar a taxa de quadros e monitorar a navegação em tempo real.

“Encontramos um módulo de computação em rede virtual oculto (HVNC) que abre um navegador em uma área de trabalho Windows separada, fora da vista da vítima. O navegador continua a rodar no dispositivo da vítima, de modo que pode carregar um perfil existente, incluindo cookies e estado da sessão. Isso dá ao operador acesso a sessões ao vivo e conectadas enquanto a atividade continua a vir da máquina habitual da vítima”, destacou Williams, no relatório oficial.

Infecção em cinco etapas e camuflagem no sistema

A investigação revelou que o ataque se desenrola em uma cadeia de cinco estágios para evitar a detecção por antivírus tradicionais. A invasão começa com um script disfarçado que cria arquivos temporários e se fixa na pasta de inicialização do Windows, o que garante que o programa continue ativo mesmo após o computador ser reiniciado.

Na sequência, o malware usa o AutoIt, uma ferramenta legítima de automação do Windows, para descriptografar o primeiro executável. Para se esconder dos sistemas de defesa, o código injeta a carga útil dentro do utilitário Mapa de Caracteres do software (charmap.exe), um processo nativo e confiável do sistema operacional.

O arquivo final ainda passa por mais duas camadas de criptografia antes de estabelecer comunicação com o servidor dos criminosos. Uma vez ativo na área de trabalho secreta, o invasor passa a capturar telas, interceptar a área de transferência (copiar e colar) e simular comandos de teclado e mouse.

Diante do cenário, Darren Williams orienta que as equipes de TI monitorem a execução atípica do utilitário de Mapa de Caracteres e fiquem atentas a conexões não autorizadas de rede.

“Bloquear o tráfego para infraestruturas conhecidas de comando e controle e emitir alertas para conexões de saída inesperadas funciona independentemente de como a sessão foi ocultada. Se a sessão sequestrada não conseguir se comunicar com o exterior, o operador não terá nada a receber”, concluiu.

Falando sobre malwares e segurança digital, uma falha em extensão do Chrome também expôs conversas do WhatsApp. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.