Novo padrão para indicar o uso de IA no cinema estreia no Festival de Cannes

Diante do fato de que a inteligência artificial (IA) já foi abraçada por muitas produções cinematográficas, a Companhia Mise En Scene aproveitou o Festival de Cannes para divulgar um novo padrão que indica quando a tecnologia foi usada — e como isso aconteceu. Conhecido como Human Provenance in Film (HPF), ele tem como objetivo facilitar a vida de produtores, de distribuidores e do em geral público.

Totalmente aberto e gratuito, o padrão já pode ser usado por distribuidores e vendedores em documentos legais e em outras áreas de interesse. Oferecido sob a licença CC BY 4.0, ele também pode ser modificado livremente, contanto que aqueles que desejem usá-lo identifiquem sua fonte.

Como funciona o novo padrão de IA para o cinema mundial?

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O padrão HPF quer estabelecer avisos claros sobre o uso da IA. Imagem: Divulgação/Mise En Scenev

Segundo a Mise En Scene, o novo padrão proposto em Cannes vai funcionar a partir de três categorias distintas. A partir delas, qualquer pessoa vai saber imediatamente qual foi a maneira como uma equipe de criação usou as soluções oferecidas pela inteligência artificial.

  • Sem uso de IA – descreve projetos feitos da maneira tradicional, nos quais a tecnologia não foi aplicada;
  • IA assistiva – filmes nos quais a tecnologia foi usada como um auxílio para atividades humanas;
  • IA generativa – obras nas quais elementos como visuais e roteiros foram gerados pela tecnologia, mesmo que depois tenham sido modificados por humanos.
  • O padrão foi apresentado em Cannes para ser objeto de discussões e ajustes, algo que pode ocorrer até o dia 31 de outubro deste ano;
  • A governança sobre o padrão vai ser transferida futuramente para um órgão independente, que vai cuidar de sua aplicação e controle.

O novo padrão surgiu como uma evolução de uma iniciativa que a Mise en Scene já havia apresentado durante o festival de Berlin. Na época, a companhia usou um selo em obras como Forelock e Billy Knight para indicar que ambos os longas não usam qualquer espécie de IA em seus processos criativos.

Criação de um novo padrão de IA cumpre demanda urgente

Segundo Paul Yates, CEO da Mise En Scene e porta-voz do padrão Human Provenence in Film, a criação de uma linguagem comum para falar sobre o uso de IA no cinema era urgente. À Variety, ele afirmou que a criação do grupo atende à essa demanda e garante um acordo coletivo que pode ser usado de maneira bastante simples.

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A Mise En Scene defende produções cinematográficas que não usam IA. Imagem: Divulgação/Mise En Scene

Já Angelina Lamke explica que o novo padrão dá à indústria do cinema uma chance de se proteger contra os conteúdos de baixa qualidade que já tomaram conta do YouTube, TikTok, Instagram e outras plataformas digitais. Ela explica que a novidade oferece ao público a chance de passar uma mensagem clara sobre qual tipo de tecnologia está disposto a apoiar.

De forma semelhante, ela explica que o formato garante proteção a criadores que podem assinar acordos com companhias de IA cujos produtos sequer podem existir em alguns anos. De forma semelhante, Lamke alerta sobre um aumento iminente de preços praticados na indústria, conforme empresas especialistas na tecnologia tentam corresponder às grandes expectativas de seus investidores.

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