Novo vírus para Android troca aplicativos de bancos para roubar senhas

Novo vírus para Android troca aplicativos de bancos para roubar senhas

Um novo vírus voltado para celulares Android passou a usar uma tática avançada para roubar dados bancários: o programa malicioso remove os aplicativos legítimos das instituições financeiras e instala versões modificadas no lugar. Batizado de “Hirudo”, o malware atua para desativar os mecanismos internos de proteção dos bancos e garantir acesso total ao aparelho das vítimas.

O alerta foi emitido pela empresa de segurança cibernética ThreatFabric, em relatório publicado nesta quarta-feira (14). O ataque começa quando o usuário baixa aplicativos aparentemente inofensivos de compras, vídeos ou entretenimento, descobriram os pesquisadores. Escondido nesses programas, o vírus exibe uma falsa notificação de atualização para induzir a vítima a conceder permissões do sistema. Com o acesso liberado, ele baixa a versão alterada do app bancário, abre a tela de desinstalação da plataforma verdadeira e usa os privilégios obtidos para concluir a substituição sem levantar suspeitas.

As versões modificadas mantêm visual e funcionamento quase idênticos aos originais, mas carregam um código interno capaz de enganar o sistema operacional. Esse mecanismo substitui os certificados digitais de validação, oculta serviços suspeitos em execução e remove a proteção que impede capturas de tela. Assim, os criminosos conseguem monitorar o celular em tempo real, registrar senhas, capturar códigos PIN de pagamento, ler mensagens SMS e até transmitir imagens das câmeras do aparelho.

Reprodução/Threat Fabric
A cadeia de fraudes Hirudo. Um conta-gotas de marca instala uma carga útil separada atrás de uma atualização falsa; uma vez em execução, a carga útil impulsiona várias superfícies de roubo e controle que são reportadas ao backend do operador. Foto: Reprodução/Threat Fabric

Alvo principal e alcance global

Apesar de o código do vírus conter registros com alvos em países como China, Índia, México, Marrocos e Tailândia, a estrutura de substituição direta de aplicativos foi direcionada para instituições da Indonésia. No entanto, os especialistas da ThreatFabric ressaltam que o modelo de ataque pode ser adaptado rapidamente para atingir organizações financeiras em qualquer outra região.

De acordo com o relatório técnico, a estratégia representa um avanço perigoso nas táticas de criminosos virtuais ao focar em falhas no próprio processo dos aplicativos:


Reprodução/Threat Fabric
A página de checkout falso, aqui com a marca Maybank e detalhes de ordem de exemplo. O fundo transparente coloca o bloco PIN sobre a própria página de pedido do conta-gota. Foto: Reprodução/Threat Fabric

A análise da infraestrutura utilizada pelos cibercriminosos revelou um painel de controle desprotegido que armazenava milhares de credenciais roubadas, dados de dispositivos e perfis financeiros de vítimas. Os estudiosos descobriram que a distribuição do malware ocorria por meio de redes de anúncios e servidores de entrega de conteúdo que mantinham links ativos até o momento da publicação das descobertas.

Recomendação para usuários e bancos

O relatório destaca que as defesas locais do aparelho deixam de ser confiáveis quando o aplicativo bancário é adulterado por completo. “Com o mecanismo rodando dentro do próprio processo do aplicativo bancário, as defesas do app são voltadas contra ele mesmo”, alertaram os analistas.

Reprodução/Threat Fabric
O caminho de substituição. O RAT detecta o aplicativo do banco, remove a cópia genuína, baixa o APK corrigido e dirige o instalador através da Acessibilidade. Foto: Reprodução/Threat Fabric

Para mitigar os riscos, eles recomendam que as instituições financeiras realizem as checagens de segurança e integridade diretamente dos servidores. Em contrapartida, para os usuários de dispositivos Android, a orientação principal é manter o sistema operacional atualizado, utilizar a verificação contínua do Google Play Protect e jamais baixar ou instalar arquivos de aplicativos vindos de fontes não oficiais.

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