Novo vírus para celulares Android rouba dados bancários mesmo com aparelho fora da internet

Novo vírus para celulares Android rouba dados bancários mesmo com aparelho fora da internet

Pesquisadores de segurança digital da empresa ThreatFabric identificaram uma nova ameaça ativa para celulares com o sistema operacional Android. Batizado de “Manic”, o programa malicioso combina recursos avançados de espionagem e controle remoto com ferramentas de fraude financeira, com foco direcionado a bancos, serviços estatais de identidade, corretoras de criptomoedas e aplicativos de mensagens.

Uma das principais particularidades do Manic está na capacidade de enviar os dados roubados mesmo se a vítima desconectar o aparelho da internet. O vírus utiliza conexões locais, como Wi-Fi Direct e Bluetooth, para encontrar outros aparelhos infectados nas proximidades e transmitir as informações em cadeia até alcançar um celular que possua conexão de rede ativa.

“Manic fica na interseção entre vírus bancários para Android e programas de espionagem móvel, combinando capacidades de fraude financeira com recursos amplos de vigilância e controle do dispositivo”, explicou a ThreatFabric, em relatório técnico divulgado nesta quinta-feira (20.

Segundo a investigação da empresa, a operação teve os primeiros registros de infraestrutura detectados em fevereiro deste ano. Entre maio e julho, os criminosos atualizaram a estrutura do vírus para incluir defesas contra ferramentas de análise de segurança e mecanismos mais refinados para capturar senhas da tela de bloqueio.

“A evolução observada entre maio e julho de 2026, com medidas mais fortes contra análises e roubo de segredos de bloqueio, indica que o Manic segue em desenvolvimento ativo e continua a expandir suas funções”, destacaram os pesquisadores.

Atuação do vírus e alvos

O Manic monitora uma lista com 169 identificadores de aplicativos, segundo o estudo. O foco prioritário das campanhas está concentrado na Ucrânia, porém a lista de alvos inclui instituições financeiras e ferramentas de identidade digital de países como Polônia, Alemanha, França, Espanha, República Tcheca, Eslováquia, Áustria, Estônia, Lituânia, Reino Unido e Rússia, além de plataformas globais de pagamentos e criptoativos.

“O conjunto de alvos sugere uma mistura de vírus bancário e programa de espionagem. A fraude financeira parece ser o objetivo principal, com cobertura que vai de bancos e serviços de pagamento a corretoras de criptomoedas, carteiras digitais, aplicativos estatais de identidade e autenticadores”, detalhou a empresa de segurança.

A disseminação do vírus ocorre por meio de páginas falsas na internet e de aplicativos que se passam por utilitários de sistema. Ao ser instalado, o programa induz o usuário a conceder permissões nos serviços de acessibilidade e de leitura de notificações do Android. Com esses privilégios concedidos, os criminosos assumem o controle do aparelho sem que a pessoa perceba.

Captura invisível de senhas e transmissão em cadeia

Comparativo do vírus Manic (Reprodução/Threat Fabric)

Diferentemente das telas falsas idênticas às dos bancos para enganar a vítima dos vírus bancários tradicionais, o Manic adota um método transparente. Quando o usuário abre um aplicativo bancário e digita a senha numérica, o vírus sobrepõe uma camada invisível sobre o teclado original, registra a posição exata de cada toque e replica o toque no teclado real no mesmo instante. Assim, o aplicativo funciona normalmente, mas os invasores guardam o código de acesso.

Além do roubo de senhas, o programa conta com funções para gravar a tela em tempo real, coletar mensagens de texto recebidas com códigos de confirmação, extrair listas de contatos, acessar a localização geográfica exata e desativar recursos de proteção do aparelho, como o Google Play Protect.

Os arquivos coletados ficam guardados e criptografados em uma fila interna caso o celular infectado não tem acesso direto à rede. O vírus procura, então, celulares vizinhos por sinal de rádio para fazer a ponte de comunicação.

“Cada item colocado na fila recebe um limite padrão de quatro saltos de retransmissão”, afirmou a ThreatFabric, ao portal The Hacker News. Segundo a equipe de pesquisa, esse mecanismo faz com que o corte do sinal de internet de um celular infectado não impeça a saída dos dados, pois outro aparelho comprometido ao alcance do sinal pode servir como rota de saída para os servidores dos criminosos.

Por falar em universo digital, a Microsoft revelou como um vírus camuflado para Mac engana segurança e rouba dados em segundos. Siga o TecMundo no X, Instagram, Facebook e YouTube e assine a nossa newsletter para receber as principais notícias e análises diretamente no seu e-mail.