Por que o Brasil abandonou os trens e deixou sua malha ferroviária morrer?

Por que o Brasil abandonou os trens e deixou sua malha ferroviária morrer?

O Brasil já contou com quase 40 mil quilômetros de ferrovias espalhadas pelo território, uma estrutura fundamental para o crescimento econômico do país a partir da segunda metade do século XIX. A primeira linha foi inaugurada em 1854, idealizada pelo Barão de Mauá, e rapidamente os trens se tornaram o principal meio de transporte de cargas, especialmente do café, que sustentava a economia nacional na época.

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Esse cenário começou a mudar a partir dos anos 1950, durante o governo de Juscelino Kubitschek. A estratégia de desenvolvimento passou a priorizar rodovias e a atração de montadoras estrangeiras, apostando no transporte rodoviário como motor do crescimento. Com isso, investimentos em ferrovias foram deixados de lado, linhas foram desativadas e boa parte da malha ferroviária entrou em decadência.

Além da mudança de política, problemas técnicos também contribuíram para o colapso do sistema. O Brasil adotou ao longo do tempo pelo menos oito tipos diferentes de bitolas, que são as medidas de distância entre os trilhos. Isso fez com que trens de uma região não pudessem circular em outras, criando gargalos logísticos, encarecendo o transporte e fragmentando a rede ferroviária nacional.

Agora, décadas depois, o tema volta ao debate. Em janeiro de 2026, a TAV Brasil, empresa com apoio do governo federal, divulgou detalhes do projeto do Trem de Alta Velocidade entre Rio de Janeiro e São Paulo, com previsão de início das obras em 2028, investimento estimado em R$ 60 bilhões e viagens de cerca de 105 minutos a até 320 km/h. Também há planos de integração com a China para a chamada Ferrovia Transoceânica, ligando o Brasil ao Oceano Pacífico. 

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