The Legend of Zelda: Ocarina of Time é um dos jogos mais importantes não só na definição da própria franquia, mas para os games tridimensionais como um todo. Não só ele mantém até hoje a melhor nota para um jogo de videogame no Metacritic, mas também serviu de base para que, anos mais tarde, a Nintendo tentasse conectar histórias que antes pareciam isoladas, sem conexões claras uma com a outra, por mais que repetissem temas, locais e itens.
Como uma cronologia oficial dos jogos da franquia demorou para ser divulgada, essa falta de consistência entre os diferentes jogos dificultava as teorias dos fãs. Até que, com a sua temática envolvendo viagem no tempo e os acontecimentos do final do jogo, Ocarina of Time deu o pretexto perfeito para a Nintendo explicar as coisas, e ao mesmo tempo criou o maior furo de toda a série: três linhas do tempo distintas, com jogos espalhados entre elas em ordens bem diferentes da de lançamento, e uma dessas linhas existe por um motivo que não faz o menor sentido.
Para piorar as coisas, em Breath of The Wild e Tears of The Kingdom, a Nintendo diz que eles se passam tão no futuro que os acontecimentos dos jogos anteriores teoricamente aconteceram todos antes deles, como se as linhas do tempo tivessem se juntado novamente e misturado realidades francamente incompatíveis em uma só.
Agora que a Nintendo confirmou que o remake de Ocarina of Time para Switch 2 vai ter diálogos e histórias mais aprofundadas, o jogo é a chance perfeita para resolver de vez, ou pelo menos abrir terreno para a resolução desses que são os maiores furos da franquia: a linha do tempo que surge da morte do Herói do Tempo em Ocarina of Time, e como três linhas do tempo com acontecimentos que mudaram o mundo de formas tão diferentes podem ter se juntado antes dos jogos mais recentes.
Eu não estou dizendo que eu sei alguma informação secreta revelada por um informante na Nintendo, mas a chance existe e eu tenho algumas ideias de como, na minha opinião, a Nintendo poderia usar o remake de Ocarina of Time para remendar esses furos da melhor forma possível. Deixa o like no vídeo e vem comigo que lá vem história e teoria.
Os problemas da linha do tempo de Zelda
Antes de tudo, um resumo rápido para explicar o problema da linha do tempo de Zelda para quem nunca ouviu falar sobre isso ou não lembra dos detalhes. Ou seja, o texto a seguir está repleto de spoilers sobre a franquia.
Até Ocarina of Time e Majora’s Mask, os jogos da série pareciam seguir uma linha do tempo comum, com algumas idas e vindas, mas ainda assim direta e reta. O primeiro The Legend of Zelda não tinha muitos detalhes do lore, mas o segundo, The Adventure of Link, dá uma explicada na trama básica sobre como o grande mal Ganon destruiu o reino de Hyrule e causou todos os eventos dos dois primeiros jogos. Depois disso, em A Link to the Past, a gente vê uma história que se passa antes disso tudo, mas ainda faz sentido na mesma linha. Lançado em seguida, Link’s Awakening fica entre A Link to the Past e os dois primeiros jogos, então tudo continuou fazendo sentido.
Então Ocarina of Time é lançado para o Nintendo 64 com a promessa de explicar a origem do grande vilão Ganon, e portanto se passa antes de todos os outros jogos lançados até então. No fim do jogo, a princesa Zelda manda o Herói do Tempo de volta para seu tempo original para poder viver a infância perdida e tudo parece seguir direto e reto.
O Link criança avisa a princesa Zelda do passado sobre os planos de Ganondorf e ele é preso antes de poder se tornar o grande vilão Ganon. Não faz muito sentido se você pensar que no futuro da linha o Ganon existia, mas não soava absurdo teorizar que a transformação acabou acontecendo de qualquer forma, em algum momento entre Ocarina of Time e A Link to the Past.
Só que, alguns anos e muitos jogos depois, os acontecimentos de títulos como Twilight Princess e Wind Waker começaram a dificultar o encaixe das coisas nessa mesma linha cronológica. Afinal, em uma das histórias o vilão Ganon dominou o mundo, aparentemente desimpedido. Em outra, ele morre e ressuscita, mas não antes de o mundo inteiro ser inundado, o que aparentemente nunca aconteceu em outros jogos que teoricamente se passariam depois.
As três linhas do tempo de Legend of Zelda
A explicação oficial veio quando a Nintendo divulgou a linha do tempo oficial de Zelda, com Ocarina of Time sendo o momento em que a linha única se divide em três:
- Uma linha do tempo segue a realidade em que o Herói do Tempo adulto simplesmente deixou de existir, o que é consistente com histórias de viagem no tempo.
- Na segunda linha do tempo, o Herói voltou a ser criança, mudou o futuro e continuou vivendo e se aventurando, o que também faz sentido.
- Só que a terceira linha, que pela explicação oficial existe porque nela o Herói do Tempo foi derrotado, também existe, o que não faz sentido.
A morte do Link em qualquer momento do jogo nunca é tratada como um final possível, com consequências, mas sim como um simples game over, e o único final canônico é aquele que criaria as outras duas linhas do tempo. Se a simples morte do herói pode causar esse tipo de divisão temporal e ele pode morrer em qualquer jogo da série, por que então a linha do tempo se divide apenas em 3, e não vira uma verdadeira árvore multiversal ao estilo da Marvel cada vez que um Link morre em um dos vários jogos de The Legend of Zelda? Por que só a derrota do Herói do Tempo tem esse poder?
Essas perguntas nunca foram respondidas de forma satisfatória nem pelo Ocarina original ou outros jogos da série, nem nas entrevistas e materiais divulgados pela Nintendo. Mas eu tenho uma teoria que acredito que explicaria isso com perfeição: a linha do tempo em que o Herói de Ocarina of Time é derrotado é a linha do tempo original, que aconteceu naturalmente, e o final que nós criamos no jogo só seria possível por causa de uma coisa que acontece anos depois, em outro jogo mais antigo da franquia.
Teoria sobre a terceira linha do tempo de Zelda
Nessa realidade, o começo de Ocarina of Time acontece igual até o momento em que Link, de posse das três jóias dos Kokiri, Goron e Zora, recebe a Ocarina do Tempo da princesa e entra no Templo do Tempo. Lá, ele abre a porta, retira a Master Sword e, sem querer, permite que Ganondorf entre e tome a Triforce do Poder para si. Nessa realidade, o sábio Rauru até tenta ajudar Link a derrotar o vilão, mas o Herói ainda é uma criança e é facilmente morto, o que deixa Ganon desimpedido para dominar o mundo.
A linha do tempo então segue naturalmente até os acontecimentos de A Link to the Past, em que um novo Link finalmente consegue derrotar Ganon, reúne todas as partes da Triforce e faz um desejo para que todo o mal causado pelo vilão seja desfeito. E essa é a palavra chave: não é eliminado ou esquecido, é desfeito. Por mais que o jogo não diga isso explicitamente, sabemos que é o caso porque, nas cenas finais do jogo, personagens que haviam sido mortos como o rei de Hyrule e o tio do Herói aparecem vivos.
Esse mesmo desejo do Link futuro para a TriForce teria permitido que Rauru tivesse uma visão de que o Herói do Tempo não seria forte o suficiente em sua forma infantil para derrotar Ganondorf. E por isso ele teria então decidido que, ao retirar a Master Sword de seu pedestal, ele seria protegido por tempo o suficiente para que pudesse amadurecer e adquirir o poder necessário para vencer, criando então as duas novas linhas do tempo.
Eu certamente não fui o único a chegar nessa teoria até hoje, mas acredito que ela faz sentido o suficiente para remover essa furo, e tudo o que a Nintendo precisa fazer no remake de Ocarina of Time para que isso se concretize é adicionar mais algumas linhas de diálogo do sábio no Templo do Tempo explicando como ele teve a visão do futuro de ruína que aconteceria se o Herói não fosse protegido. Simples assim!
Como lidar com a fusão das linhas do tempo?
Agora, o segundo furo, que é a junção das linhas do tempo antes de Breath of The Wild, é um pouco mais complicado de arrumar sem expandir bastante o que já aconteceu em jogos passados. Eu vejo duas formas como a Nintendo poderia fazer isso a partir desse remake.
O caminho que eu acho menos provável seria que, depois dos créditos do Remake, a história fosse expandida de forma inédita, seja nativamente ou por meio de um DLC. Isso se passaria na linha do tempo em que Link voltou a ser criança, mas alguns anos depois dos acontecimentos de Majora’s Mask.
Nela, uma nova ameaça de Ganon forçaria o Herói do Tempo a viajar pelas diferentes realidades criadas para ajudar os vários heróis. Até que, em uma grande batalha final contra as várias versões de Ganon, ele conseguisse unir todas as realidades em uma só, permitindo os 10 mil anos de prosperidade que antecedem Breath of the Wild.
Eu só acho essa opção menos provável porque seria sinceramente conteúdo demais e com um potencial grande demais para ser apenas uma expansão de pós-game ou um DLC. Revisitar os vários mundos, personagens e acontecimentos de diversos outros jogos da franquia? Coletar armas e acessórios usados pelos outros Links? Tudo isso renderia um jogo totalmente novo, e com um conceito que sinceramente me empolgaria bastante.
Rumores recentes indicam que a Nintendo já tem planos de lançar no futuro próximo uma remasterização de Majora’s Mask. Por enquanto, isso não passa de boatos, mas com o provável sucesso deste remake, o remaster da sequência seria um próximo passo óbvio, por mais que um remake completo também fosse mais desejável.
De qualquer forma, essa seria uma ponte perfeita entre o remake de Ocarina of Time e um novo jogo que fecharia de vez os buracos na linha do tempo. Eu já pensei até no título, The Legend of Zelda: a Link to the Future. De nada, Nintendo.
Mas diz aí, o que voce achou dessas teorias todas? Você está botando fé de que a Nintendo vai aproveitar a deixar e fazer algo realmente épico com esse jogo, ou acha que é só o amor de fã saudosista falando? Vamos conversar e teorizar mais aqui nos comentários!