The Blood of Dawnwalker valoriza seu tempo e coloca peso nas consequências

The Blood of Dawnwalker valoriza seu tempo e coloca peso nas consequências

The Blood of Dawnwalker fez sua primeira aparição no comecinho de 2025 e, desde então, tem chamado muita atenção de fãs de RPGs, especialmente aqueles que adoram os jogos da CD Projekt Red. Afinal, uma parte da equipe do estúdio Rebel Wolves é formada por ex-funcionários da empresa que trabalharam tanto na série The Witcher como em Cyberpunk 2077, incluindo um dos diretores de The Witcher 3, que agora atua como o principal diretor de Dawnwalker. 

Conhecido por se tratar de uma história de vampiro um pouco diferente e repleto de mecânicas interessantes e únicas, o game definitivamente parece promissor, então é claro que não perdemos a oportunidade de testá-lo com antecedência para contar tudo o que achamos na análise a seguir!

O caminhante da alvorada

O jogo não demora a nos colocar direto na história de Coen, um rapaz bonzinho que faz tudo por seus pais e irmãos, mesmo diante da praga que está tomando conta do reino de Vale Sangora. Enquanto tenta salvar sua irmã mais nova dos guardas que estão matando todos os infectados, nosso protagonista é surpreendido por Brencis, um vampiro antigo, e seus aliados. A criatura mata os guardas e dá seu sangue à menina, curando-a da doença sem a transformar em vampira, ou Vrakhir, como eles chamam essa espécie no game. Com isso, Brencis toma posse do reinado, espalhando seus próprios soldados pelas cidades e acampamentos, pedindo a lealdade dos cidadãos em troca de proteção e a cura de qualquer enfermidade.

É claro que Brencis não faz isso pela bondade no coração. Uma vez por semana, uma missa bem sombria ocorre nas cidades e todos os adultos precisam participar para doar uma parte de seu sangue, que obviamente é usado para alimentar os Vrakhiri. Ninguém realmente gosta da imposição dos vampiros no reino, especialmente por estarem sendo usados como alimento indefinidamente. 

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Além disso, Brencis é muito rígido com quem ele considera fraco e indigno de viver, o que se torna um problema para a mãe de Coen, já que ela passa a sofrer com alguns problemas que o sangue do vampiro não é capaz de resolver. Para impedir que Brencis a mate na próxima missa, Coen, seu pai e outros aldeões fazem um plano de ataque, mas as coisas não funcionam como esperado. 

No fim, Brencis captura a família de Coen e o transforma em um Vrakhir, mas ele se recusa a ser submisso ao vilão, que o deixa para morrer no nascer do sol. Só que isso não acontece e tudo parece ter voltado ao normal para o nosso protagonista, que não sofre nada na luz solar e nem tem seus poderes sobrenaturais durante o dia. 

Logo descobrimos que ele é um Dawnwalker, um ser que é metade humano e metade vampiro, dependendo unicamente do período do dia. Sua intenção a partir desse momento é resgatar sua família, que será usada como sacrifício em um evento em exatos 30 dias. 

Cada segundo importa

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Isso define totalmente a nossa aventura, já que temos um único objetivo direto e uma data específica para cumprir essa missão. O resto fica totalmente ao seu cargo, já que não há uma estrutura linear certa ou errada a se seguir desse momento em diante. 

Com isso em mente, é importante destacar que o tempo no game é dividido da seguinte forma: são oito frações de tempo para o dia e oito frações para a noite. O tempo não passa quando você está explorando o mundo à sua volta, apenas quando decide realizar certas ações ou participar de missões. Tudo isso é indicado de forma bem direta na tela antes de você tomar sua decisão, então é possível recusar ou aceitar algo baseado puramente no tempo que isso levaria para ser concluído.

Também há certas missões ou tarefas que só podem ser realizadas de dia ou de noite, o que é indicado no seu mapa com símbolo de lua ou sol. O mesmo ocorre com suas habilidades, já que as relacionadas à skills humanas ou de bruxaria (algo com o qual Coen se envolve ainda no começo da aventura) são predominantemente usadas durante o dia, e as relacionadas ao vampirismo são exclusivas ao anoitecer. Isso pode variar para mais frente, mas sempre há uma divisão bem interessante que ocorre nesse estilo de gameplay duplo.

Isso também pode te influenciar bastante nas suas decisões de como abordar missões, já que é fácil se pegar pensando se vale mais a pena fazer certas coisas como humano ou se seria mais fácil usando habilidades de Vrakhir, como escalar paredes, se teletransportar, usar sua mordida e muito mais. Fora isso, você realmente precisa levar os 30 dias em conta quando escolhe o que priorizar durante sua jornada. Você pode tentar realizar sua missão sozinho, tentar encontrar aliados, se rebelar abertamente contra Brenci, revelando que você ainda está vivo e colocando um alvo nas próprias costas, etc.

Há realmente muitas decisões e finais diferentes que você pode seguir por causa disso, então é um título perfeito para rejogar e para experimentar caminhos variados. É claro que por ser tão aberto, você pode fazer sua missão principal bem cedo, antes dos 30 dias ou esperar o máximo de tempo para isso. Ainda vale dizer que você não ficará impedido de continuar jogando depois que os 30 dias passarem, então dá para encurtar ou esticar sua aventura de acordo com o que preferir. 

Vida dupla

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Além da trama e das principais mecânicas do jogo, é claro que o combate de Blood of Dawnwalker é outro elemento muito importante. Ele funciona de forma meio parecida com os jogos da franquia Kingdom Come: Deliverance, já que você pode atacar e defender direcionalmente, dependendo da posição que seu inimigo está atacando ou bloqueando. Também é possível realizar ataques e bloqueios universais, sem escolher uma direção. Enquanto o combate direcional é bem mais lento, exige movimentos mais precisos e não gasta vigor ao acertar a direção dos bloqueios, o combate livre é mais rápido e dinâmico, mas gasta muito vigor tanto com ataques como com bloqueios.

Isso te incentiva a usar o combate direcional bem mais vezes ou, pelo menos, a usar os dois tipos de luta de forma meio mista. No começo da aventura, eu achei esse combate meio tedioso e punitivo, especialmente porque algumas lutas em que eu acertava todos os meus bloqueios perfeitos e conseguia atacar com consistência, ainda levava um bom tempo para tirar a vida dos inimigos e era punida com morte ao cometer poucos erros (às vezes só dois ou três). Ao aprimorar suas habilidades, isso vai naturalmente melhorando e você vai ficando mais forte e encontrando maneiras melhores de lidar com os soldados ou criaturas que encontra pelo caminho.

Já algo que incomodou e atrapalhou bastante é o sistema de trava nos inimigos. Quando uma batalha se inicia, o game automaticamente foca em um inimigo para te mostrar suas intenções de ataques direcionais e você pode mudar o foco com o controle da câmera. 

Você sempre atacará o personagem no qual esse foco está. O problema é que o jogo constantemente muda esse foco sozinho dependendo de quem está te atacando no momento ou simplesmente pelo jogo de câmera que vai ocorrendo naturalmente, mesmo que aquele não seja o personagem no qual você quer focar. Em muitas situações, o foco não vai para quem você está olhando ou muda de forma extremamente inconveniente, o que atrapalha muito e nos faz atacar o NPC errado ou alguém totalmente fora do nosso alcance.

É claro que dá para travar a mira em um personagem específico, mas ao mexer a câmera, você também muda essa mira fixa para outro NPC, o que também acaba atrapalhando o combate, já que mudar o ângulo é muito importante quando se está enfrentando um grupo de inimigos. Além disso, ainda acho que vale mencionar que quando alguém começa te atacar e você não quer participar do combate, não é fácil escapar. 

O game meio que prende Coen a um modo de luta e a câmera e seus movimentos se comportam de maneira específica, o que dificulta sua fuga em diversos cenários, te levando a correr de forma esquisita enquanto todo mundo começa a te atacar. Acredito que são coisas que poderiam ser melhoradas mais à frente ou em futuros games da desenvolvedora, que já revelou o desejo de fzer outros títulos no mesmo universo de Dawnwalker.

Um mundo bonito e levemente antiquado

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Logo que iniciamos a jornada com Coen, dá para notar que o mundo à nossa volta é muito bem construído, conta com missões muito divertidas, te permite fazer investigações e encontrar criaturas super interessantes. Como falamos inicialmente, para fãs de The Witcher, esse será um prato cheio, mas não dá para deixar de notar que alguns aspectos do jogo parecem levemente antiquados. Isso acontece com algumas mecânicas, com o ritmo e estilo de certas quests, com o combate sobre o qual falei antes, etc. Não é nada super negativo, mas às vezes você tem aquela leve sensação de estar jogando um RPG que poderia ter saído há alguns anos.

Ainda assim, o visual é belíssimo, a trilha sonora é marcante e ainda temos todo o texto traduzido para o nosso idioma, o que facilita muito a vida dos jogadores por se tratar de um game que exige que você preste atenção nos diálogos em muitas ocasiões. Em questão de performance, tenho que dizer que não tenho o PC mais potente para os jogos atuais, mas ainda consegui jogar o título na configuração “Alta” em Full HD com 60 fps na maior parte do tempo sem quedas de frames, o que ocorria mais em algumas cidades mais populosas.

Vale a pena?

Honestamente, Blood of Dawnwalker é um daqueles jogos que daria para continuar falando sobre por longo tempo e eu ainda não teria contado tudo que é possível. Não há dúvidas de que a equipe por trás desse game é extremamente talentosa e cheia de boas ideias, o que é refletido diretamente no mundo que exploramos. Mesmo que ele tropece em alguns momentos, no geral, é um jogo muito divertido, carismático e vale bastante a nossa atenção.

Fiquei ainda mais curiosa para ver como a Rebel Wolves planeja expandir esse universo futuramente e, espero, que a experiência nesse primeiro título sirva para ter ideias ainda melhores nessas possíveis sequências. Seja você um fã de The Witcher ou apenas de RPGs ocidentais, The Blood of Dawnwalker é um dos jogos que não dá para deixar passar em branco. 

Nota do Voxel: 88

Pontos positivos:

  • Sistema de frações de tempo dá mais peso ao que você decide fazer
  • Divisão interessante de gameplay no ciclo noite e dia
  • Há inúmeras missões cativantes pelo caminho
  • Possibilidade de forjar a história de Coen da maneira que você quiser
  • Múltiplas possibilidades de alianças, traições e finais que você pode seguir

Pontos negativos:

  • Combate pode ser meio lento, especialmente na parte inicial da aventura
  • Há alguns elementos de RPG mais antiquados
  • O sistema de mira/foco durante lutas é meio atrapalhado

Uma cópia de The Blood of Dawnwalker foi cedida pela desenvolvedora para PC. O jogo também chega ao  PS5 e Xbox Series S e X.