Há histórias em Hollywood que parecem roteiro de filme. A de Coyote vs ACME é exatamente isso: um longa-metragem que foi cancelado, virou assunto nacional nos Estados Unidos, ganhou hashtags de protesto, mobilizou fãs e cineastas e, depois de anos de batalha, conseguiu o que parecia impossível: chegar aos cinemas.
No Brasil, a estreia está marcada para 27 de agosto, e a expectativa não poderia ser maior.
Mas antes de entrar nessa odisseia de bastidores, vale entender do que se trata o filme. Para quem cresceu assistindo aos clássicos desenhos dos Looney Tunes, vale a pena saber!
O que é Coyote vs ACME?
O filme mistura live-action com animação e acompanha Wile E. Coyote em uma jornada diferente de tudo que vimos antes: cansado de anos levando tombo atrás de tombo com produtos defeituosos da Acme Corporation durante sua busca infrutífera pelo Papa-Léguas, o coiote decide entrar com uma ação judicial contra a empresa.
Para isso, contrata Kevin Avery, um advogado falido especializado em outdoors, interpretado por Will Forte. O problema é que o adversário no tribunal é Buddy Crane, vivido por John Cena, ex-chefe de Kevin e defensor implacável da Acme.
A produção é dirigida por Dave Green, tem roteiro de Samy Burch e contou com James Gunn como produtor e coautor da história.
O elenco ainda traz Lana Condor, Luis Guzmán e Martha Kelly, além das vozes de personagens icônicos como Pernalonga, Patolino, Piu-Piu, Hortelino Troca-Letras e Papagaio Gaguinho, todos dublados por Eric Bauza. O filme foi rodado em Albuquerque, no Novo México, com um orçamento de cerca de US$ 70 milhões.
A inspiração para o roteiro vem de um artigo satírico publicado na New Yorker em 1990, escrito por Ian Frazier, que imaginava Wile E. Coyote entrando com um processo real contra a Acme pelos produtos que nunca funcionavam. Simples, genial e com muito potencial para o grande cinema.
Coyote vs ACME: cancelado, quase deletado e ressuscitado
O caminho até as telas foi longo e turbulento. Em novembro de 2023, pouco após as filmagens serem concluídas, a Warner Bros. Discovery anunciou que não iria lançar o filme.
A decisão fazia parte de uma estratégia de abatimento fiscal, transformando Coyote vs ACME em um prejuízo contábil declarado, ao lado de outros projetos cancelados como Batgirl e Scoob! Holiday Haunt.
O agravante: a equipe do filme só ficou sabendo após a produção já estar finalizada.
A reação foi imediata. Will Forte admitiu ter chegado a escrever posts "incendiários" nas redes sociais, mas foi convencido por agentes a não publicar. Mesmo assim, em entrevistas, ele não escondeu a "raiva branca e ardente" que sentiu.
Dave Green, diretor do longa, descreveu o momento como um velório. O compositor Steven Price, vencedor do Oscar por Gravidade, compartilhou nas redes um trecho do trabalho gravado com orquestra e coral no Abbey Road Studios, dizendo que "ninguém vai ver isso". O post alcançou 6,8 milhões de visualizações.
A pressão dos fãs e da indústria foi tão grande que a Warner deu uma guinada: permitiu que os realizadores procurassem outros distribuidores.
Netflix, Amazon, Paramount e Sony chegaram a ser cogitadas, mas nenhuma oferta agradou ao estúdio, que pedia entre US$ 75 e US$ 80 milhões. Por meses, o filme ficou em um limbo, com rumores de que poderia ser definitivamente deletado dos arquivos.

A virada que ninguém esperava em Coyote vs ACME
Foi em março de 2025 que a história mudou de vez. A distribuidora independente Ketchup Entertainment adquiriu todos os direitos do filme por cerca de US$ 50 milhões e garantiu um lançamento global.
Em julho de 2025, a data foi confirmada na San Diego Comic-Con, com Will Forte presente e muito aplausos da plateia. Em julho de 2026, o longa foi exibido pela primeira vez ao público no mesmo evento, encerrando um ciclo que parecia não ter fim.
O resultado? Coyote vs ACME estreou com 100% de aprovação no Rotten Tomatoes, nota que se estabilizou em 97% com mais avaliações, e um Metacritic de 75.
Críticos elogiaram o humor físico, a criatividade e o equilíbrio entre o universo animado e o live-action, com comparações a clássicos como Uma Cilada para Roger Rabbit. Para Dave Green, é mais do que um lançamento: é uma prova de que o barulho da internet pode, sim, mudar o destino de uma obra.
Coyote vs ACME: um azarão que virou símbolo
Não deixa de ser poético. Coyote vs ACME é, em essência, a história de um perdedor que decide lutar por justiça. E o próprio filme viveu exatamente isso na vida real: foi ignorado, quase destruído por uma grande corporação e salvo graças à teimosia de quem acreditou nele. Se isso não é roteiro de Looney Tunes, o que é?
O longa chega ao Brasil em 27 de agosto, com distribuição da Paris Filmes, exclusivamente nos cinemas. Vale cada minuto de espera para quem cresceu com a narrativa.
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