Escalar uma montanha nunca é só sobre chegar ao topo. Envolve confiança, trabalho em equipe e, em muitos casos, decisões difíceis quando algo dá errado. Nos últimos dias, o Brasil acompanhou de perto a história de Roberto Farias Tomaz, jovem que ficou quatro dias perdido no Pico Paraná após se separar da amiga durante a trilha.
O caso reacendeu debates sobre responsabilidade, companheirismo e até regras não escritas do montanhismo. Enquanto a situação real teve desfechos dramáticos e riscos extremos, um jogo indie lançado em 2025 vem explorando justamente esse tipo de dilema, mas sem te fazer pular de uma cachoeira de 20 metros na vida real.
Um dos maiores sucessos dos games do ano passado, Peak coloca jogadores para escalar montanhas cooperativamente, testando não só habilidade, mas também lealdade entre amigos. A diferença é que, no game, errar pode render boas risadas… ou situações moralmente questionáveis, como deixar um colega para trás — ou pior.
Caso do Pico Paraná expõe o peso de decisões em grupo
Roberto, de 19 anos, subiu o Pico Paraná com uma amiga na virada do ano para ver o nascer do sol. Durante a descida, eles se separaram, e o jovem acabou seguindo uma sinalização errada, saindo da trilha principal. Sem conseguir retornar, desceu pela encosta, entrou em mata fechada e acabou seguindo o leito de um rio.
O momento mais crítico foi o salto de uma cachoeira de cerca de 20 metros, considerada intransponível até mesmo por equipes de resgate. Contra todas as expectativas, Roberto sobreviveu, caminhou por dias e conseguiu ajuda ao chegar a uma fazenda no litoral do Paraná.
A Polícia Civil concluiu o inquérito e recomendou o arquivamento do caso, entendendo que não houve crime, embora o episódio tenha gerado forte repercussão e críticas nas redes sociais por causa da atitude de sua amiga.
- Veja também - ‘Não abandonei’: amiga de jovem que desapareceu no Pico Paraná diz que esperou e buscou ajuda - Estadão
Em Peak, a montanha também vira teste de amizade
É justamente essa linha tênue entre cooperação e abandono que Peak transforma em diversão, e sem ninguém correr risco de vida. Desenvolvido pela Team PEAK e publicado pela Aggro Crab, o jogo é um cooperativo de escalada em que até quatro jogadores precisam chegar ao topo de uma montanha que muda a cada dia.
Enquanto é possível jogar tudo sozinho, a mágica está em aproveitar a aventura em grupo. Segurar cordas, puxar colegas, dividir recursos e decidir quem vai arriscar primeiro torna a experiência bem divertida.
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Mas, como qualquer jogo caótico entre amigos, as coisas frequentemente desandam. Há situações em que um erro condena o time inteiro, ou em que alguém decide seguir sozinho, ignorando quem ficou para trás.
Tudo fica ainda melhor com os gráficos caricatos do game, que possui diversas rostos engraçados e chat de proximidade por voz, tornando os avatares bem expressivos.
Sobreviver nem sempre é bonito (nem ético)
Além da interação convencional que testa a amizade, Peak também adiciona elementos de sobrevivência que forçam escolhas complexas. Falta de comida, ferimentos e condições adversas afetam o desempenho dos personagens, e a escassez pode levar a atitudes extremas.
O jogo ficou conhecido nas redes por clipes em que amizades virtuais acabam em discussões, quedas “acidentais” e até canibalismo improvisado para continuar a escalada. Pois é, quando o nível de fome chega a níveis extremos, seu personagem começa a ver os companheiros como frangos assados, o que gera questões sobre o que é mais importante: seguir a trilha ou manter uma boa relação com os amigos.
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Tudo isso é tratado com um tom cartunesco e absurdo, mas a provocação está presente. Afinal, até onde você vai para chegar ao topo?
Preço baixo e sucesso no Steam
Se você ficou interessado em testar suas amizades na montanha, a boa notícia é que você não precisa ir até Curitiba e escalar o Pico Paraná. Disponível exclusivamente no PC via Steam, Peak custa R$ 23,99 no preço cheio, mas está saindo por R$ 14,87 até o dia 19 de janeiro, com 33% de desconto.
Além disso, o jogo também não é tão pesado no computador. Os requisitos mínimos para rodá-lo incluem 8 GB De rAM e uma placa de vídeo GTX 1060. No entanto, eu já consegui rodá-lo em qualidade boa até mesmo em um notebook com a GTX 1050 Ti.
Desde o lançamento, em 16 de junho de 2025, o jogo acumula mais de 15 mil análises recentes “Muito positivas”, com destaque para a recepção extremamente positiva entre jogadores brasileiros. Ou seja, o passeio nas montanhas virtuais claramente vale muito a pena, mesmo que seus amigos te deixem para trás.
No fim das contas, Peak é só um jogo, bem diferente da dureza de uma situação real como a vivida no Pico Paraná. Ainda assim, ele provoca uma pergunta desconfortável: quando tudo começa a dar errado, você puxa seu amigo para cima… ou solta a corda?