O Xiaomi 17 Ultra é o smartphone mais poderoso de todas as linhas da fabricante chinesa lançadas até agora em 2026. Ele tem o melhor e mais potente processador da Qualcomm, as memórias mais rápidas (em grande quantidade), uma bateria de respeito e câmeras que estão facilmente entre as melhores nos celulares atuais – e até renderam a vitória para ele no nosso teste cego com o público entre os smartphones top de linha das principais marcas.
Ele tem o preço esperado de uma máquina dessas – e isso se você estiver disposto a comprar importado, porque oficialmente a Xiaomi nem vende ele no Brasil. Só que agora que eu passei quase um mês usando o aparelho como se fosse meu smartphone pessoal, digo que por mais que ele seja sim uma baita máquina, a grana preta que ele custa nem é seu principal ponto negativo. Neste texto de análise vou dar todos os detalhes da minha experiência com ele.
Design robusto focado em fotografia
Como esperado de um aparelho com Ultra no nome, a Xiaomi não economizou espaço nem materiais nesse aqui. Elé é um celular grande, pesado e robusto.

- Dimensões (L x A x P): 7,76 x 16,29 x 0,83 cm (mais espesso na câmera);
- Peso: de 218,4 a 223,4 gramas (depende do material da traseira).
A frente é de vidro com bordas igualmente fininhas em todos os lados, a lateral do corpo é de alumínio e a traseira é de fibra de vidro, o que é similar a um plástico de boa qualidade. Tem também outra versão com um material sintético que simula o toque de couro, e essa é um pouquinho mais pesada ainda.
- Materiais: frente de vidro, traseira de fibra de vidro ou “couro” ecológico, corpo em alumínio.
Ele tem proteção IP68 e IP69 contra poeira, submersão e jatos-d’água de alta pressão. E a tela é protegida pelo Xiaomi Shield Glass 3.0, que é uma tecnologia da empresa para proteger contra riscos e rachaduras. Mesmo assim, vidro é vidro, então é bom que ele já vem com película na tela e com uma capinha na caixa, pelo menos na versão global.
- Proteções: Xiaomi Shield Glass 3.0 na tela, certificação IP68/IP69 contra poeira e líquidos.
O módulo redondo de câmeras traseiras é bastante grande tanto em largura quanto em altura, mas é centralizado, então o celular só balança na mesa se você fizer pressão nos cantos superiores da tela. A orientação horizontal dos textos Xiaomi, Ultra e Leica na traseira se somam ao módulo redondo e grande, que tem ranhuras como as de um anel de ajuste de foco, para deixar claro que a idéia desse aparelho é que ele seja usado por quem gosta de câmeras.

Isso fica mais óbvio ainda se você usar o “kit de fotografia” que a Xiaomi vende separadamente, que deixa ele mais parecido ainda com uma máquina fotográfica e até adiciona botões físicos extras. Não que você deva comprar esse acessório mesmo que compre o Xiaomi 17 Ultra para bater fotos. Eu digo isso porque esse é um dos opcionais mais estúpidos que eu já testei na minha carreira, com uma bateria própria, mas de recarga chata por meio de um cabo separado, pareamento Bluetooth nada inteligente, botões físicos para captura de fotos e vídeos que não retêm suas funções originais sem exigir voltar manualmente para o modo de fotografia caso você faça uma gravação. Muita firula (e dinheiro gasto) para pouco benefício – mas chega de falar do acessório, já que o review é sobre o celular.
- Oportunidade: compre o Xiaomi 17 Ultra no Mercado Livre
Tela e Áudio: experiência multimídia sem defeitos
Na tela e o áudio a falta de surpresas é uma boa notícia. O painel é AMOLED, o que garante ótimas cores, contraste e tons de pretos. Ela tem enormes 6,9 polegadas com resolução entre Full HD e Quad HD para bom nível de detalhes. A taxa de atualização vai até 120 Hz ajustáveis, e por ser um painel com tecnologia LTPO pode reduzir automaticamente até 1 Hz para economizar energia quando a tela estiver parada.
O display ainda suporte a Dolby Vision e HDR10+ em conteúdos compatíveis e o pico de brilho chega a 3.500 nits nesse tipo de situação. Aliás, o modo de alto brilho chega a 2.000 nits, e mesmo o modo manual passa dos 1.000 quando sob luz solar, então não é nada difícil usar o aparelho mesmo sob luz forte. É simplesmente uma excelente tela, em um nível muito próximo dos melhores concorrentes.

- Tela: AMOLED LTPO com 6,9” 19.5:9, resolução 2608x1200 pixels (densidade de 416 ppp), 120 Hz, Dolby Vision, HDR10+, pico de brilho de 3.500 nits (2.000 HBM e 1.060 nits máximo manual em ambientes externos).
Para somar, os alto-falantes estéreo têm ótima qualidade sonora, enriquecendo bastante a experiência multimídia sem grandes distorções mesmo nos volumes mais fortes. Eu tenho um total de zero reclamações no que diz respeito à tela e áudio do Xiaomi 17 Ultra. É ótimo nisso.
Desempenho bruto com o Snapdragon 8 Elite Gen 5 e memórias rápidas
A Xiaomi também não economizou no hardware interno, incluindo tudo do bom e do melhor. O processador é o mais poderoso da Qualcomm até agora, o Snapdragon 8 Elite Gen 5, o que inclui a GPU Adreno 840 para oferecer uma das melhores performances gráficas nos smartphones atuais. No quesito memórias, ele vem com nada menos do que 16 GB de RAM no padrão LPDDR5X – ou seja, não só é bastante, mas também das mais rápidas. E no armazenamento as opções são 512 GB ou 1 TB de espaço, e isso com memória UFS 4.1, que também proporciona muita velocidade.
- Hardware
- CPU: Qualcomm Snapdragon 8 Elite Gen 5 (3 nm, octa-core 2x4,6 GHz + 6x3,62 GHz);
- GPU: Adreno 840;
- RAM: 16 GB LPDDR5X;
- Armazenamento: 512 GB ou 1 TB UFS 4.1.
Com no mínimo meio TB de espaço, até dá para perdoar que não tem espaço para cartão microSD na bandeja, onde podem ser inseridos apenas dois chips de operadora. Você pode ativar um eSIM também, se quiser, mas nesse caso o sistema só vai permitir usar um chip físico. De qualquer forma, você vai ter acesso a 5G, WiFi 7, Bluetooth 6.0 e NFC.

- Conectividade: 5G, WiFi 802.11 a/b/g/n/ac/6e/7, dual-band, Bluetooth 6.0, NFC e navegação (GPS, BDS, Glonass, Galileo, QZSS e NavIC).
Com tudo isso, o Xiaomi 17 Ultra é um absoluto monstro de desempenho e consegue tirar de letra qualquer coisa que tentei fazer com ele. Mesmo os jogos mais pesados que eu conheço para smartphones, com todas as configurações no máximo, para ele não são sequer um desafio.
Câmeras Leica: o campeão do nosso teste cego
Mesmo considerando todos esses pontos brilhantes, as estrelas do show aqui são mesmo as câmeras, desenvolvidas em parceria com a Leica – até uma versão do Xiaomi 17 Ultra que é chamada de Leica Phone, para você ter uma ideia do nível da parceria.
Começando pela câmera principal, ela tem 50 MP com abertura de f/1.7 na lente e sensor tipo-1 polegada, o que não quer dizer que ele tem fisicamente uma polegada, mas é um termo da indústria fotográfica com uma explicação chata e que basicamente quer dizer que é sim um sensor grande, o que traz vantagens enormes para a captura de luz, naturalidade dos desfoques e clareza das imagens, entre outras coisas. E essa lente tem estabilização óptica e autofoco dual-pixel por detecção de fase.
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Como esperado, as fotos com essa lente são excelentes tanto de dia quanto de noite, mesmo em situações desafiadoras de iluminação. Detalhes claros sem exagero ou falta de exposição em áreas claras ou escuras, cores vivas, mas realistas, desfoques naturais e suaves. Merece todos os elogios.
- Câmeras traseiras:
- Principal: 50 MP, f/1.7, 23 mm, sensor tipo-1”, OIS e PDAF dual-pixel;
- Teleobjetiva periscópica: 200 MP com zoom óptico contínuo de 3,2-4,3x, f/2.4-3.0, 75-100 mm, sensor 1/1.4”, OIS e PDAF multidirecional;
- Ultrawide: 50 MP com ângulo de 115º, f/2.2, 14 mm, sensor 1/2.76” e PDAF dual-pixel;
- Profundidade: sensor ToF 3D;
- Câmera frontal: 50 MP, f/2.2, 21 mm, sensor 1/2.7” e AF
O zoom fica com a lente teleobjetiva periscópica, que oferece zoom óptico contínuo entre os níveis de 3,2x e 4,3x. Isso em um sensor de 200 MP com estabilização ótica e autofoco multidirecional por detecção de fase, o que também contribui para um bom zoom digital. Quer dizer que as fotos no zoom máximo de 120x são realmente boas? Não. Nenhum celular é realmente bom dos 60x para cima sem usar acessórios dedicados, mas a teleobjetiva do 17 Ultra ajuda um pouco nisso e muito mais em níveis de aproximação não tão exagerados.
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Na traseira tem ainda uma câmera ultrawide de 50 MP com ângulo de 115º e abertura de f/2.2 para boas fotos de ângulo aberto e um sensor Time of Flight 3D para ajudar na detecção de profundidade. A câmera frontal também tem sensor de 50 MP, abertura de f/2.2 e autofoco, e faz ótimas selfies também de dia ou de noite, por mais que aqui ela ainda não mande tão bem quanto a principal traseira em fotos escuras que também tenham cores desafiadoras. Com a tela servindo de flash fica melhor, com o bônus de que o fundo das imagens não escurece tanto quando normalmente acontece nesse tipo de situação.
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O resultado desse conjunto é sinceramente excelente. Não à toa rendeu vitória fácil para o Xiaomi 17 Ultra no teste cego que nós fizemos com os seguidores do Instagram do TecMundo, além de um digníssimo segundo lugar no teste cego só entre os analistas aqui da redação – ficando nesse caso atrás só do excelente Oppo Find X9 Pro e empatado com o também ótimo Motorola Signature. E isso tudo só usando os modos automáticos. Imagine essa máquina na mão de alguém que entenda bem de fotografia e use o modo Pro.
Na gravação de vídeos, ele consegue gravar em até 8K a 30 quadros por segundo ou 4K a até 120 fps usando a câmera traseira, com estabilização excelente mesmo sem ativar o recurso ShootSteady, que limita a resolução a um máximo de 2,8K para momentos com mais movimento. Na frontal, o limite é 4k a 60 fps, e a estabilização também é boa.
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- Vídeo: 8k@30fps na traseira, 4k@120fps na traseira, 4k@60fps na frontal e até 1080p@1920fps em câmera lenta.
E pausa para eu ter percebido nesse aqui os avanços no modo de câmera lenta. Muitos anos atrás, eu lembro de ficar impressionado com celulares que conseguiam filmar em 720p a 240 frames por segundo, o que ficava bom de você estivesse ao ar livre. Bom, o Xiaomi 17 Ultra consegue gravar slow motion em 1080p a chocantes 1920 fps, e eu sinceramente achei o resultado bom mesmo em um ambiente com luz 100% artificial. Não sei se isso é exatamente novidade desse aqui e não é algo realmente útil a maior parte do tempo, mas eu não esperava por essa surpresa.
Bateria de Si-C e carregamento de 90W, mas com ressalvas
Com tudo isso que o celular entregou, eu admito que talvez eu estivesse esperando um pouco mais da bateria. Não me entendam mal, tá? Os 6.000 mAh da bateria de silício-carbono dele são sim melhores que os principais concorrentes disponíveis aqui no Brasil e a média de pouco mais de 8 horas de tela ligada durante os dias de uso normal do aparelho é sim um bom resultado em geral. Isso com certeza é mais que o suficiente para mais de um dia inteiro para a grande maioria da pessoas, mas nos meus dias de uso mais intensivo eu mais de uma vez consegui acabar com a bateria dele um ou duas horas antes de ter que ir para a cama.
- Bateria: 6.000 mAh Si-C;
- Carregamento: suporte a recarga até 90W com cabo (carregador não incluso) e até 50W sem cabo.

Novamente, eu não estou dizendo que a bateria desse aqui é ruim. Ela é boa. No entanto, considerando que a própria Xiaomi lançou o Xiaomi 17 Pro Max com 7.500 mAh e depois o Xiaomi 17 Max com 8.000 mAh, eu esperava que o Ultra desta versão global estivesse pelo menos um pouco mais perto dos 6.800 mAh que ele tem na versão chinesa.
Já que estou chorando de barriga cheia, o Xiaomi 17 Ultra oferece suporte a carregadores cabeados de até 90W, o que promete recarga de zero a 100% em cerca de 45 minutos. E aqui só posso confiar, porque a versão global não inclui o carregador na caixa – só vem com um cabo USB-C para USB-A. Além disso, quem tiver uma base compatível da Xiaomi pode contar com recarga wireless de até 50W, mas quem também funciona com potência menor em carregadores no padrão Qi.
Software: a polêmica do HyperOS 3.0
Para mim, o único ponto fraco real do Xiaomi 17 Ultra é no software. Ele vem de fábrica com o HyperOS 3.0, que é a versão da Xiaomi para o Android 16, e a promessa da marca para a versão global é de 5 atualizações do sistema e 6 anos de updates de segurança, o que não é péssimo, mas está atrás da média de 7 versões do Android prometida pelos principais rivais premium.
- Software: HyperOS 3.0 (Android 16).
No funcionamento geral, o sistema da Xiaomi não é muito diferente para quem já está acostumado com a plataforma da Google. Dá para usar bem sem grandes bugs ou engasgos, a maioria das propagandas embutidas no sistema podem ser desativadas já durante a configuração inicial e nesse modelo Ultra até os apps pré-instalados não são tantos assim.

Só que quanto mais eu uso aparelhos recentes da Xiaomi, mais vou notando que a experiência do sistema está devendo um pouco em comparação com o Android das outras marcas. Por exemplo, você pode customizar vários elementos do sistema, mas tente trocar o fundo de tela direto pela home (algo bastante direto e simples em qualquer outra marca) e verá que isso envolve tentar lutar contra a loja de temas que a Xiaomi enfia na sua cara até perceber que só vai dar certo escolher a imagem que você quer se fechar o app de temas, abrir a galeria e ir por lá até a imagem que quer para definir como papel de parede. E aquele recurso do Material Design do Android que muda as cores de destaque do sistema inteiro para combinar com o seu fundo de tela? Não existe aqui.
Mas esses são só exemplos pequenos de incômodos da HyperOS. A parte realmente feia para mim é quando você está em um app ou jogo com propagandas, e aí o GetApps (a loja de aplicativos da Xiaomi que vem pré instalada) resolve baixar os jogos das propagandas sem que você toque em algo, sem pedir confirmação e sem dar a mínima se você pelo menos está em uma rede WiFi ou se vai comer os dados do seu plano móvel.

Se você é usuário da Xiaomi e nunca percebeu isso acontecer, então preste mais atenção, porque há até um FAQ admitindo no site da Xiaomi, só que a “solução” proposta ali não impede que os downloads automático continuem. E você não pode desinstalar ou desativar o GetApps sem usar um aplicativo debloater de terceiros, o que pode causar outros problemas se você não entender muito e não tiver fontes confiáveis.
Mesmo que a fonte dos apps seja uma loja oficial da Xiaomi, downloads automáticos são sim uma inconveniência grande e uma potencial brecha grave de segurança no seu aparelho. Eu sinceramente não sei o que a Xiaomi ganha com isso, mas para mim essa história fede. Nunca vi nada parecido acontecer em qualquer aparelho de qualquer outra marca.
Por essas e outras, eu sinto que hoje o HyperOS é a versão do Android que eu menos gosto. Conseguiu me incomodar até mais que o iOS – o que é particularmente triste para uma empresa como a Xiaomi, que começou com o lançamento justamente de um software que melhorava o Android de outras marcas.
Vale a pena?
Apesar dessa grande ressalva, o sistema não torna o aparelho inutilizável e muito menos faz com que todo o resto que seja menos sensacional. Aí, já que a Xiaomi aparentemente nem tem planos de trazer o 17 Ultra oficialmente aqui para o Brasil, a opção para quem quer comprar um é apelar para aparelhos importados – o que é até fácil de encontrar em varejistas online.

Agora em julho de 2026, o menor preço que eu encontrei foi de R$ 12.900 em até 10 vezes pelo modelo de 512 GB de um vendedor do mercado livre que aparentemente vende o aparelho já importado sei lá eu por onde, então não cobra taxas de importação. Até aparecem também ofertas do AliExpress e da Shopee que à primeira vista custam menos, só que nas letras miúdas você vê que o preço de mais de R$ 10 mil vem com R$ 10 mil extras de taxa, o que é um celular top de linha pelo preço de quase 4, então os quase R$ 13 mil já estão caros o suficiente para mim.
- Preço: a partir de R$ 12.899 em até 10x pelo modelo com 512 GB em varejistas online.
Sem sombra de dúvidas o Xiaomi 17 Ultra é uma baita máquina, que poderia melhorar mais ainda se a marca resolver colocar o software em ordem, mas que mesmo assim deixaria qualquer fã de fotografia ou de smartphones poderosos mais do que satisfeito. Você só precisa estar disposto a pagar MUITO caro por isso, o que não imagino muito gente concordando em fazer. Só nos resta então desejar que a Xiaomi viesse de verdade para o Brasil, sem intermediários e com fabricação local completa para voltar a ter preços competitivos… Pelo menos sonhar é de graça.
Agora diz para mim nos comentários abaixo o que você achou do Xiaomi 17 Ultra! Tem algum ponto importante que eu deixei de considerar? Agadeço a contribuição e a oportunidade de aprender ainda mais com vocês! E continue ligado aqui no TecMundo para mais avaliações sinceras e notícias de tecnologia todos os dias!
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