A chinesa Yangtze Memory Technologies Corporation (YMTC) entrou pela primeira vez no grupo dos três maiores fornecedores mundiais de memória flash NAND em volume no segundo trimestre de 2026, com 14% das remessas globais, segundo levantamento da consultoria Counterpoint Research divulgado nesta quinta-feira, 13. O avanço coloca a fabricante sediada em Wuhan à frente da japonesa Kioxia e ocorre em meio à expansão da produção chinesa de semicondutores.
A participação considera os bits NAND enviados, medida que representa a capacidade total de armazenamento comercializada, e não o número de chips vendidos. Com 14%, a YMTC ultrapassou por pouco a japonesa Kioxia e ficou atrás apenas da Samsung Electronics, com 25%, e da SK Hynix, incluindo a subsidiária Solidigm, com 22%. As remessas da empresa chinesa cresceram 22% em relação ao mesmo período de 2025 e 5% na comparação trimestral.
IA muda demanda e pressiona estratégia da fabricante
Apesar do avanço em volume, a YMTC ainda ocupou apenas a quinta posição mundial em receita de memória NAND no trimestre, atrás de empresas como Micron Technology e Kioxia. A diferença está relacionada à concentração da fabricante chinesa em produtos destinados ao mercado de consumo, que têm margens menores, e à sua participação ainda limitada no segmento de SSDs empresariais, ou eSSDs, usados em servidores e data centers.

Esse mercado ganhou importância com a expansão das aplicações de inteligência artificial (IA). Segundo a Counterpoint, os eSSDs responderam por 48% das remessas globais de bits NAND no segundo trimestre, contra 26% um ano antes. A empresa de pesquisa atribui o crescimento à mudança das cargas de trabalho de IA do treinamento para a inferência, etapa que exige maior capacidade de armazenamento rápido para acessar grandes volumes de dados.
Para ampliar sua participação em produtos de maior valor, a YMTC pretende direcionar mais sua produção para eSSDs no segundo semestre. A empresa também segue ampliando sua capacidade industrial apesar das restrições comerciais impostas pelos EUA ao acesso chinês a equipamentos avançados para fabricação de semicondutores. Em maio, o Morgan Stanley estimou que a YMTC acrescentaria cerca de 35 mil wafers por mês à sua capacidade em 2026, enquanto a expansão de fábricas em Wuhan deve continuar nos próximos anos.