Mark Zuckerberg, CEO da Meta, decidiu lançar o agente de IA Muse mesmo com preocupações internas relacionadas à segurança da ferramenta que já haviam feito a empresa adiar a estreia do bot autônomo por vários meses. É o que revelaram fontes do The New York Times nesta sexta-feira (9).
De acordo com a reportagem, Zuckerberg teria ignorado os alertas temendo ficar para trás na corrida pela liderança do segmento de assistentes pessoais. O jornal afirma que o CEO estava preocupado com o sucesso do agente autônomo da Instinct, startup que captou US$ 1 bilhão (R$ 4,9 bilhões pela cotação atual) em uma rodada de financiamento recente.
Falando ao jornal, um porta-voz da Meta contestou a alegação, negando que a pressão do agente de IA da Instinct tenha mudado os planos para o Muse. Ele afirmou que os atrasos ajudaram a “garantir que tudo estivesse perfeito”.
Problemas antes do lançamento
Influenciado pela estratégia de Zuckerberg de transformar a inteligência artificial (IA) em um assistente pessoal capaz de fazer mais do que responder perguntas, o desenvolvimento do Muse avançou no início de 2026 após a popularidade do OpenClaw. Porém, o trabalho foi marcado por problemas, como aponta o relatório.
- Durante os testes, o agente de IA desobedecia instruções e realizava tarefas que não correspondiam ao que foi solicitado;
- Em um desses casos, o bot leu mensagens de texto privadas sem permissão e aproveitou o conteúdo para se referir ao usuário;
- O agente também levava funcionários da Meta a realizar compras em sites fraudulentos, ocasionalmente, segundo a publicação;
- Já em outro incidente, a IA autônoma alterou a senha de um usuário, demonstrando que precisava de ajustes antes da disponibilidade para o público em geral.
Mesmo sabendo dessas falhas, o chefe da Meta teria se reunido, em agosto, com Alexandr Wang, diretor de IA da companhia, e Nat Friedman, chefe de produto de IA, para discutir o avanço da Instinct e ordenar o lançamento do Muse, conforme as fontes. Pouco tempo depois, no início de setembro, o agente era anunciado oficialmente.
A estreia antecipada deu à dona do Instagram uma vantagem inicial na área dos agentes pessoais. Cerca de três semanas depois foi a vez da OpenAI apresentar o Dots, um sistema com capacidades semelhantes às do concorrente.
Muse se tornou popular
Com apenas alguns incidentes desde o lançamento, o Muse tem feito sucesso. Dados da Sensor Tower apontam que o app gratuito do agente da Meta chegou a 6,6 milhões de downloads em outubro, com 1,8 milhão de usuários diários.
A gigante da tecnologia agora trabalha em uma versão de bolso do agente de IA, chamada Charm, que tem previsão de estreia até o final do ano./ Com informações de The New York Times.