Ar-condicionado de 18.000 BTU só na energia solar: quantas placas você precisa?

Fazer um ar-condicionado de 18.000 BTU funcionar exclusivamente com energia solar durante 12 horas por dia, todos os dias, é tecnicamente possível — mas exige um sistema fotovoltaico e bancadas de bateria à altura do desafio.

A seguir, explicamos qual seria o tamanho do sistema solar necessário para tornar esse projeto realidade:

Premissas e consumo estimado

Um aparelho de 18.000 BTU tem capacidade de refrigeração de cerca de 5,3 kW térmicos. Para um ar-condicionado split inverter moderno, teríamos um consumo médio de 2,0 kW em funcionamento (valor conservador e representativo para uso contínuo). Com 12 horas de operação diária, isso corresponde a 24 kWh por dia.

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Para dividir geração e armazenamento, consideramos 6 horas de funcionamento durante o período de sol e 6 horas à noite, alimentadas por bateria. Logo, são 12 kWh de consumo diurno e 12 kWh de consumo noturno que precisam ser supridos.

“Se é possível usar um ar-condicionado todos os dias somente com energia solar, devemos pensar também no armazenamento para o uso noturno. Vamos pensar que essa energia precisa ser guardada: talvez na rede, talvez em baterias, mas ela precisa ser armazenada porque você tem que ter excedente para garantir as 12 horas de ar-condicionado” explica o engenheiro Rogers Demonti ao Canaltech.

Os modelos de 18.000 BTUs são uns dos mais potentes do mercado, com uma grande demanda de energia (lifeforstock/freepik)

No demais, adotamos os painéis padrão de 400 Wp, fator de perdas do sistema em 0,75 (cabos, inversor, sujeira, temperatura etc.), eficiência da bateria em 85% e profundidade de descarga segura em 80%, resultando em fator utilizável da bateria em, aproximadamente, 0,68 (0,85 × 0,80). 

Para horas-pico de sol (PSH), o tempo em que o sol se encontra mais intenso em determinadas regiões, vamos utilizar as médias anuais aproximadas de algumas cidades brasileiras: 

  • Fortaleza: 5,5 h/dia; 
  • Brasília: 5,0 h/dia; 
  • Manaus: 4,5 h/dia; 
  • São Paulo: 4,0 h/dia; 
  • Curitiba: 3,5 h/dia.

Dimensionamento do campo solar

Primeiro calculamos quanto será necessário entregar por dia. O consumo diurno é 12 kWh; para a parte noturna, é preciso gerar energia adicional para carregar a bateria, compensando perdas: 12 kWh ÷ 0,85 ≈ 14,12 kWh. Portanto, a energia total que o arranjo fotovoltaico deve produzir por dia é aproximadamente 26,12 kWh.

A potência do array (kWp) necessária é dada pela equação: kWp = energia total / (horas-pico × fator de perda). Convertendo para número de painéis: painéis = (kWp × 1000) ÷ 400.

Aplicando por cidade, obtemos estimativas aproximadas:

  • Fortaleza (5,5 h): kWp ≈ 26,12 / (5,5×0,75) = 6,33 kWp → ≈ 16 painéis de 400 Wp;
  • Brasília (5,0 h): kWp ≈ 6,97 kWp → ≈ 18 painéis;
  • Manaus (4,5 h): kWp ≈ 7,74 kWp → ≈ 20 painéis;
  • São Paulo (4,0 h): kWp ≈ 8,71 kWp → ≈ 22 painéis;
  • Curitiba (3,5 h): kWp ≈ 9,95 kWp → ≈ 25 painéis.

Esses valores já consideram perdas médias; em períodos chuvosos ou com sombreamento local a geração cai, por isso recomenda-se incluir uma margem adicional de 10 a 20%, conforme risco climático e preferência por autonomia.

Bateria e inversor necessários

Para abastecer as 6 horas noturnas (12 kWh úteis) com fator utilizável 0,68, a capacidade bruta da bateria deve ser cerca de: 12 / 0,68 ≈ 17,6 kWh. Arredondando, recomenda-se um banco de 18 kWh (ou 20 kWh por padronização comercial). 

O inversor deve suportar a potência contínua de 2,0 kW e picos de partida do compressor; um inversor híbrido com saída contínua de mais de 3 kW e capacidade de lidar com picos de partida seria o mais indicado.

A quantidade de painéis necessários varia de 16 a até 25, dependendo da região (Reprodução/Sungold Solar)

Observações finais

Esses números são estimativas e servem apenas para orientar a viabilidade. Variações importantes podem ocorrer conforme o modelo exato do ar-condicionado, padrões locais de insolação por estação, orientação/ângulo dos painéis, sombreamento e eficiência real das baterias escolhidas

Sistemas off-grid, que garantem operação todos os dias sem rede, também exigem maior margem (mais painéis e bateria) para dias nublados. Trocar por um equipamento com melhor eficiência (COP maior) ou reduzir horas de operação diminui significativamente o tamanho e custo do sistema.

“Um ar-condicionado inverter pode ter performance muito melhor, indo de um COP de 2,8–3,2 para algo entre 3,6 e 4,5. Reduzir a temperatura de 20º para 22º ou 23º gera grande economia sem perder conforto" reforça Rogers.

Em resumo, para rodar um ar-condicionado de 18.000 BTU por 12 horas diariamente só com energia solar, seria necessário algo entre 16 e 25 painéis de 400 Wp e um banco de bateria na faixa de 18 kWh, além de inversor híbrido robusto. De um ponto de vista prático, acaba não valendo a pena - mas quando o sistema é aplicado na casa inteira, passa a fazer muito mais sentido

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