Brasil é alvo central de cibercrime e de espiões norte-coreanos, diz Google

O Brasil consolidou-se como um dos focos globais para ataques cibernéticos devido à sua relevância econômica e adoção acelerada de tecnologias financeiras. A análise é de Sandra Joyce, vice-presidente global de Inteligência de Ameaças do Google Cloud, em entrevista concedida ao Podcast Canaltech, em setembro, durante visita ao escritório da empresa em São Paulo.

Segundo a executiva, a posição de liderança do país na América Latina e o uso intensivo de fintechs e criptomoedas atraem a atenção de organizações criminosas. “O Brasil é o maior e o mais rico país da América Latina e por isso se torna um grande alvo”, afirmou Sandra. Ela destaca que o cenário atual ultrapassa a atuação de amadores, configurando um ecossistema profissionalizado de crimes digitais.

IA e a ameaça norte-coreana

Os métodos de ataque evoluíram com o uso de inteligência artificial. Ferramentas generativas permitem a criação de vídeos falsos (deepfakes) e e-mails de phishing mais convincentes, livres de erros gramaticais que antes facilitavam a detecção.

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“Estamos entrando em um jogo totalmente diferente agora que podemos criar vídeos do zero”, pontuou a executiva.

Entre as táticas mais comuns identificadas pela Mandiant, braço de inteligência do Google, estão o uso de info stealers (roubo de credenciais) e a engenharia social contra suportes de TI para burlar a autenticação multifator.

Outro alerta relevante envolve a atuação estatal da Coreia do Norte no ambiente digital brasileiro. De acordo com Sandra Joyce, o país asiático utiliza o cibercrime para financiar programas de armas nucleares, operando desde o roubo de criptomoedas até a infiltração de profissionais de TI em empresas ocidentais.

Esses trabalhadores norte-coreanos utilizam identidades falsas em processos seletivos remotos para acessar redes corporativas. “Muitas vezes entram por meio de subcontratos... e isso já está acontecendo também no Brasil”, revelou Sandra, alertando que tais acessos podem resultar em extorsão futura.

Para mitigar esses riscos, o Google tem implementado barreiras de segurança no sistema Android, bloqueando aplicativos de fontes não verificadas. A executiva reforça a necessidade de pensamento crítico dos usuários diante de conteúdos urgentes ou alarmistas.

Para entender em detalhes como essas ameaças operam e as estratégias de defesa do Google, ouça a entrevista completa no Podcast Canaltech.

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