'Caso ela diga não': PF intima TikTok para identificar autores de trend violenta

A Polícia Federal (PF) intimou a rede social TikTok para prestar informações e auxiliar na identificação dos usuários que publicaram vídeos da trend "Caso ela diga não", de acordo com a CNN Brasil. A plataforma já enviou dados técnicos aos investigadores, como os endereços de IP dos computadores e os logs de acesso.

A apuração foca em publicações que fazem apologia e incitam a violência contra a mulher. Nos vídeos que circularam na rede social, homens simulam agressões físicas, como socos, chutes, facadas e até tiros, como uma resposta hipotética a uma rejeição amorosa ou negativa em um flerte.

Com as informações técnicas fornecidas pela plataforma, a PF começou a traçar a linha de identificação dos usuários. O objetivo principal da corporação é descobrir as pessoas reais que estão por trás dos perfis responsáveis por compartilhar as imagens de ódio.

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Até o momento, os investigadores já levantaram 15 perfis originários que publicaram os vídeos que viralizaram.

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O TikTok tem colaborado com a PF para o envio de dados sobre os perfis que publicaram os vídeos machistas (Imagem: Viviane França/Canaltech)

Investigação e moderação de conteúdo

O inquérito atual é conduzido pela Diretoria de Repressão a Crimes Cibernéticos. Segundo a apuração da unidade, os perfis identificados são de 2024 e 2025.

A maioria do conteúdo que viralizou nas últimas semanas havia sido publicada no ano passado, e as imagens já foram excluídas pelo TikTok.

A atuação da PF neste caso ocorre por meio de uma coordenação de combate a crimes cibernéticos de ódio. Esta unidade específica foi criada em dezembro do ano passado e é a responsável por acompanhar esse e outros casos considerados graves.

O caso ganhou tração inicial em março de 2026, mês do Dia Internacional da Mulher, quando a Advocacia-Geral da União (AGU) acionou a Polícia Federal após localizar a origem do material em quatro perfis.

Na mesma época, o Ministério da Justiça notificou o TikTok, dando um prazo de cinco dias para a empresa explicar as medidas adotadas para detectar conteúdos misóginos. A pasta também questionou possíveis falhas sistêmicas na moderação e exigiu informações sobre a atuação dos algoritmos de recomendação na amplificação desse tipo de vídeo.

Em respostas anteriores sobre o caso, o TikTok afirmou que grande parte do material já havia sido retirada antes mesmo das notificações oficiais da Polícia Federal.

A empresa reiterou seu compromisso com a segurança da comunidade e declarou que mantém colaboração contínua com as autoridades. Os criadores dos vídeos originais podem responder por incitação a crimes como ameaça, violência psicológica e feminicídio.

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