Catfishing: como identidade de britânica foi roubada para enganar internautas

A britânica Sasha-Jay Davies, de 19 anos, foi vítima de um roubo de identidade virtual muito sério, mas que pode não configurar crime: é o catfishing, prática onde pessoas roubam fotos, dados e fingem ser outra pessoa na internet, enganando outros usuários. No caso de Davies, o perfil falso atingiu milhares de seguidores e faltou a encontros supostamente marcados por ela, gerando constrangimento e perigo.

O enganador passou quase quatro anos imitando Davies e chamando homens para encontros, não aparecendo no local: assim, ao encontrar as pessoas enganadas na rua, a britânica já foi confrontada e passou a ter medo de sair de casa. Por incrível que pareça, a depender das atitudes do ladrão de identidade, a prática pode escapar da criminalização.

Como é o catfishing

A criação de um perfil falso para catfishing pode ter diversos motivos: extorsão de dinheiro, início de relacionamentos amorosos ou, simplesmente, satisfação própria. São roubadas fotos e informações, evitando chamadas de vídeo e outras situações que poderiam revelar a identidade real. Atualmente, com a IA permitindo imitar vozes e rostos, a prática fica mais difícil de se desmascarar.

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A britânica do País de Gales foi obrigada a compartilhar sua história nas redes, já que as autoridades a ignoraram em um primeiro momento (Imagem: BBC/Divulgação)
A britânica do País de Gales foi obrigada a compartilhar sua história nas redes, já que as autoridades a ignoraram em um primeiro momento (Imagem: BBC/Divulgação)

No caso de Davies, ela tinha 16 anos quando a primeira conta falsa surgiu, em 2022. Os conteúdos eram publicados diariamente e chegaram a 81 mil seguidores no TikTok, além de 22 mil no Instagram. A britânica tornou suas redes privadas há 18 meses, mas a pessoa continuou usando fotos antigas e de amigos, bem como alteradas por inteligência artificial.

Segundo ela, a polícia recebeu a denúncia mas disse “poder fazer pouco”. O caso só ganhou mais atenção quando Davies contou a história em detalhes no Facebook e chamou atenção das autoridades. Como o sujeito não extorquiu ninguém ou fez ameaças, a prática não foi considerada criminosa — e, por ter menos seguidores, a própria Davies costumava passar por perfil fake.

Em geral, perpetradores de catfishing conhecem a vítima e gostam da confiança que ganham das pessoas que estão enganando, usando isso para melhor a própria autoimagem. Uma vez que começam com isso, segundo especialistas, acham difícil parar: eles acabam pegos porque inevitavelmente cometem erros até serem pegos.

Como evitar?

Atualmente, a tecnologia de deepfakes permite imitar a voz e a aparência de qualquer um: fica cada vez mais difícil desmascarar ladrões de identidade na internet (Imagem: Reprodução/Kaspersky)
Atualmente, a tecnologia de deepfakes permite imitar a voz e a aparência de qualquer um: fica cada vez mais difícil desmascarar ladrões de identidade na internet (Imagem: Reprodução/Kaspersky)

A dificuldade em caracterizar o crime de assédio a partir da prática, no entanto, é grande, já que legislações modernas, em geral, não se adequaram ao mundo digital. No caso de Davies, tanto Instagram quanto TikTok apagaram as contas falsas após as denúncias e publicação do caso nas redes.

Segundo especialistas como Hayley Laskey, ouvida pela BBC, o ponto principal acerca desses golpes é a prevenção e educação. Internautas devem limitar as informações pessoais compartilhadas online, usar senhas fortes e autenticação por dois fatores nas redes sociais, bem como ter cautela na hora de mandar dinheiro ou imagens pessoais para terceiros.

Quando for conversar com pessoas na internet, adquira o hábito de fazer muitas perguntas, sem confiar nas informações iniciais vistas no perfil das pessoas de cara.

Pesquise dados sobre a pessoa em outros lugares e redes e mostre o perfil para amigos e familiares, para que digam se parece genuíno. Evite dar seu número pessoal ou e-mail para pessoas que conheceu em aplicativos sem conhecê-las bem antes, e nunca envie dinheiro.

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