Celular à prova d’água no mar e na piscina: o que pode dar errado?

Com a chegada do verão, muita gente se anima em levar o celular para perto da água. Como muitos aparelhos atuais são vendidos com certificação “à prova d’água”, cresce a sensação de segurança, mas a realidade é que, mesmo com IP67, IP68 e outras siglas técnicas, usar o smartphone no mar ou na piscina ainda pode trazer riscos sérios e prejuízos altos.

A seguir, explicamos como realmente funciona essa resistência à água e quais os cuidados necessários para garantir a sobrevivência do seu smartphone. Confira:

Quais são os riscos envolvidos?

Primeiro ponto importante: a certificação de resistência à água é feita em ambiente de laboratório, com água doce, temperatura controlada, sem pressão dinâmica, sem areia e sem produtos químicos. Esse cenário está muito distante da realidade de uma piscina cheia de cloro ou do mar com sal, correnteza e partículas em suspensão. O teste garante resistência em condições ideais, não nas situações mais comuns de lazer.

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No mar, o perigo é ainda maior. A água salgada é altamente corrosiva e pode danificar componentes internos, causar oxidação acelerada e comprometer conectores, alto-falantes e até a vedação original do aparelho. Mesmo que o celular “resista” no momento, o dano muitas vezes aparece dias ou semanas depois, quando já não há muito o que fazer.

Outro problema é a pressão da água: um mergulho rápido, uma onda mais forte ou movimentos bruscos podem forçar água para dentro do aparelho, mesmo em modelos que prometem resistência em determinada profundidade.

Não existe nenhum grau IPX que garante proteção absoluta contra água; tome cuidado! (Photo Mix/Pixabay)

Na piscina, os riscos parecem menores, mas estão longe de serem inexistentes. O cloro e os demais produtos químicos usados no tratamento da água também são agressivos para a vedação dos smartphones.

Além disso, piscinas costumam envolver brincadeiras, quedas, impactos e escorregões — e qualquer batida pode comprometer a integridade da proteção e facilitar a entrada de água. Sem contar o uso de capas “seladas”, que muitas vezes não têm certificação real e passam uma sensação falsa de segurança.

Outros pontos a serem considerados

Outro ponto pouco comentado é o desgaste natural do aparelho. Com o tempo, o celular sofre pequenas deformações, recebe pancadas, arranhões e variações de temperatura que podem comprometer a vedação interna. Trocou a tela? Já abriu para reparo? Já caiu no chão? Tudo isso aumenta o risco de infiltração, mesmo em um celular originalmente resistente à água.

Vale lembrar: a maioria das fabricantes deixa claro que “dano por líquido” não é coberto por garantia oficial, o que significa que qualquer infiltração pode virar um conserto caro ou até perda total.

Há também os riscos indiretos, mas muito comuns nessa época do ano: furtos em praias lotadas, queda do aparelho na areia, superaquecimento sob sol forte, perda da vedação por contato com protetor solar e até falhas na câmera por vapor interno, depois do contato com água quente e fria em sequência.

Qualquer brecha na vedação pode ser suficiente para danificar o aparelho em caso de submersão (Reprodução/Freepik)

Portanto, apesar de toda a tecnologia embarcada, celular à prova d’água não significa “celular liberado para o mar e piscina sem preocupação”. Se a ideia é registrar momentos, o mais seguro é usar capas específicas e certificadas, evitar mergulhos com o aparelho, não expor o celular desnecessariamente à água salgada e enxaguar com água doce apenas quando recomendado pelo fabricante — sempre com cautela.

No fim, vale a regra básica: resistência à água é um recurso de emergência, não um convite para arriscar. Curtir as férias sem dores de cabeça começa com cuidado e, muitas vezes, com o celular o mais longe possível da água.

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