A Uber anunciou nesta quarta-feira (2) uma reestruturação que vai cortar cerca de 3,3 mil funcionários em todo o mundo, o equivalente a aproximadamente 10% de sua força de trabalho. A mudança também reduz drasticamente a possibilidade de trabalho remoto: apenas cerca de 1% dos funcionários poderá trabalhar totalmente a distância daqui para frente.
Segundo a Reuters, a companhia tinha aproximadamente 34 mil funcionários no fim de 2025. Com os cortes, o quadro deve ficar próximo de 30 mil pessoas, número semelhante ao registrado pela empresa em 2021.
A decisão foi comunicada pelo CEO Dara Khosrowshahi em uma mensagem interna aos funcionários. A justificativa apresentada é a necessidade de simplificar a estrutura da companhia depois de anos de expansão, com redução de níveis hierárquicos e equipes consideradas pequenas demais.
Uber vai reduzir número de gerentes
A reestruturação prevê uma redução de 20% no número de funcionários posicionados sete ou mais níveis abaixo do CEO. Parte dos gerentes também deverá deixar funções de gestão e assumir posições como colaboradores individuais.
A Uber também pretende reduzir quase pela metade a quantidade de equipes formadas por apenas um ou dois subordinados. Algumas áreas serão combinadas para diminuir a quantidade de estruturas e facilitar o processo de tomada de decisões.
Entre as mudanças está a integração das equipes de engenharia, ciência e delivery. As operações de entrega voltadas para restaurantes, varejo e vendas diretas também serão reunidas.
De acordo com Khosrowshahi, a estrutura criada durante o período de crescimento da empresa passou a gerar mais níveis de gestão, coordenação e divisão de responsabilidades. A expectativa é que a redução da estrutura gere economia para novos investimentos.
Home office praticamente chega ao fim
A Uber também vai endurecer sua política de trabalho remoto. A empresa permitirá que somente cerca de 1% dos funcionários tenha um regime totalmente remoto, enquanto a política geral de trabalho presencial de três dias por semana será mantida.
A mudança restringe o home office integral a uma parcela muito pequena da equipe. A companhia também pretende concentrar seus funcionários em escritórios considerados estratégicos.
A decisão ocorre em um momento em que grandes empresas de tecnologia vêm revisando políticas de trabalho adotadas ou ampliadas durante a pandemia. No caso da Uber, porém, a mudança faz parte da mesma reestruturação que resultará nas milhares de demissões.
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Robotáxis estão no centro da estratégia
A Uber afirma que os recursos economizados com a reestruturação serão direcionados para áreas consideradas prioritárias, incluindo transporte por aplicativo, entregas e desenvolvimento de veículos autônomos.
A disputa pelo mercado de robotáxis é especialmente relevante. A Waymo, principal operação de táxis autônomos dos Estados Unidos, já atua em algumas cidades por meio do aplicativo da Uber, mas também vem expandindo serviços próprios.
A Tesla também avança no segmento de veículos autônomos. Para defender sua posição nesse mercado, a Uber planeja investir mais de US$ 10 bilhões em parcerias relacionadas a robotáxis nos próximos anos, segundo a Reuters.
A empresa, portanto, busca reduzir custos e reorganizar equipes enquanto aumenta os investimentos em uma área que pode modificar o próprio modelo de transporte por aplicativo.
Maior corte desde a pandemia
As demissões anunciadas nesta quarta-feira são as maiores da Uber desde 2020. Naquele ano, durante a pandemia de Covid-19, a companhia eliminou cerca de 6,7 mil postos de trabalho, quase um quarto da força de trabalho na época, em meio ao colapso da demanda por viagens.
A diferença é que o anúncio atual ocorre após um período de forte expansão da empresa. A Uber afirma que cresceu em produtos e negócios nos últimos anos, mas avalia que esse crescimento também deixou uma estrutura corporativa mais complexa.
A companhia também realizou cortes mais específicos em áreas como atendimento ao cliente e recursos humanos ao longo de 2026. Em maio, a Uber havia anunciado que reduziria o ritmo de contratações.
A Uber não atribuiu diretamente as novas demissões à inteligência artificial. A Reuters destaca que Khosrowshahi não citou a tecnologia como motivo para os cortes, diferentemente do que ocorreu em anúncios recentes de outras empresas do setor.
Após o anúncio, as ações da Uber chegaram a subir mais de 2% nas negociações antes da abertura do mercado americano. O papel, porém, acumulava queda próxima de 8% no ano até então, pressionado principalmente pelas preocupações com a concorrência no setor de transporte.
Veja no Canaltech quanto ganha um motorista de Uber em São Paulo.
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